sábado, 30 de março de 2013

Crítica: Metropia | Uma Animação de Tarik Saleh (2009)



Em seu visual e premissa "Metropia" (Metropia, 2009) parece uma animação que aplica estética e inovação. Porém essa agradável e sumaria impressão se dissolve aos poucos ao acompanharmos os estranhos personagens e o enredo dessa animação cujos contornos se mostram mais do que sombrios. Sua trama: É o ano de 2024. Toda a Europa está conectada por uma rede de metrô devido à escassez de petróleo, onde que nela, acompanhamos Roger (voz de Vincent Gallo) um atendente de telemarketing paranoico e amedrontado por ouvir vozes de origem desconhecida. Sob o comando dessas vozes em seu subconsciente, ele procura por Nina (voz de Juliete Lewis) com a promessa de ajudá-lo a se livrar dessas vozes. Mas quando passam a viajar pelas linhas subterrâneas de metrô, ao invés de se libertar desse incomodo de causa desconhecida, Roger passa a se familiarizar com uma sinistra onda de conspiração corporativa que assola esse mundo pós-apocalíptico.

Imensamente escuro e narrativamente estranho, seu enredo é capaz de despertar a atenção do espectador a primeira vista, mas sua estética visual mais comum em vídeos musicais e vinhetas comerciais pode desencadear insatisfação pelo resultado presunçoso da obra - o que começa com ares de inovação passa a ficar chato depois de um tempo. Sua construção técnica só não é mais debilitada quanto seu enredo que muito se assemelha em seu âmago ao universo de “Matrix”, ao ter em seu protagonista, um personagem que tem a sensação de haver algo estranho em seu mundo. Apesar dos rostos dos personagens serem foto realistas, seus movimentos são exageradamente mecânicos minando o visual. Com uma direção de fotografia que abusa no sombrio, delineando o ambiente desolador da Europa ficcional, mostra um futuro cinzento conceitual.  Com um roteiro destilado do trabalho de Tarik Saleh, Fredrik Edin, Martin Hultman e do autor da franquia sueca “Millennium”, o escritor Stig Larsson, a história está repleta de boas ideias à princípio, mas aí, temos a direção preguiçosa e pouco autoral de Tarik Saleh que não atende as necessidades de um projeto que em teoria se mostrava promissor – muitos cortes que deixam vãos entre situações, ou elementos chave que são mostrados de modo precipitado. Assim todo visual e a premissa interessante dessa obra de ficção científica realizada nos moldes de uma animação diferente, torna-se um desperdício de possibilidades. 

Em resumo, “Metropia” está anos-luz distante das animações hollywoodianas a qual nós estamos acostumamos a ver, como também Tarik, passou longe de criar uma obra de arte sincronizada que aproveite a climatização do primeiro ato dessa produção. Tarik não deveria ter apresentado como resultado final algo com uma aparência tão evidente de inacabada. Não há premissa brilhante que segure o espectador diante de uma animação com tantas falhas desnecessárias. Com um resultado que possivelmente será confundido como obra de arte, fica no final a sensação de que poderia ser bem melhor se houvesse tido uma realização mais competente.

Nota: 5/10 
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sexta-feira, 29 de março de 2013

Crítica: Selvagens | Um Filme de Oliver Stone (2012)


Ben (Aaron Johnson) e Chon (Taylor Kitsch) são grandes amigos, de personalidades bem diferentes, mas com interesses em comum. Os dois amigos dividem as tarefas de bem sucedido negócio de plantio e distribuição de maconha na Califórnia.  Mas além de dividirem os negócios referentes ao narcotráfico, também dividem conscientemente a mesma namorada, Ophelia (Blake Lively). As coisas não podiam estar melhores, tendo nos negócios uma lucratividade espantosa e no amor um equilíbrio diferente do habitual. Porém, o sucesso dos jovens no comércio de maconha chamou a atenção de um cartel mexicano comandado por Elena (Salma Hayek) que lhes oferece uma sociedade impedida de recusa. Contudo, ao recusarem a oferta propondo entregar os negócios definitivamente para o cartel, Ophelia é sequestrada, como vingança e medida de precaução para que a dupla venha a colaborar com o cartel da forma que desejam. Um resgate é negociado com Lado (Benicio del Toro), amando de Elena, mas o valor estipulado equivale a toda a grana que eles ganharam nos últimos anos. Assim os amigos aceitam as condições do cartel, ao mesmo tempo que elaboram em sigilo um plano alternativo para que possam ficar com Ophelia e ferrar aqueles que destruíram seus planos para o futuro. "Selvagens" (Savage, 2012), é a mistura do cineasta Oliver Stone (Platoon, Assassinos por Natureza), de sexo, drogas e muita... mas muita violência, mostrando porque essa produção onde seus protagonistas estão na caça da redenção ganha o título de selvagens. 



Trata-se de um filme de entretenimento, cujo aspecto mais interessante dessa produção é procurar a justificativa para a escolha de seu título. Acompanhamos com cuidado o sutil processo de transformação desencadeado pela circunstâncias extremas as quais os protagonistas são expostos, com algumas narrações em off totalmente desnecessárias feitas  por Blake Lively. Mesmo sem heróis declarados - de certo modo, ninguém é santo nessa história - o diretor marca esse longa com seu estilo visual e narrativo, com cores gritantes, imagens saturadas e cortes sequenciais. Um detalhamento técnico bem produzido que enriquece a trajetória dos protagonistas, que são algumas das promessas das grandes produções do futuro se tudo correr bem. O diretor Oliver Stone sela os momentos viscerais em volta das execuções com seu estilo e corrige as deficiências da história pouco moderada que foi baseada no livro de Dow Winslow com habilidade, porém não aproveita com a devida astúcia o papel de John Travolta, como agente duplo da corrupção e perde a mão em seu desfecho com uma reviravolta tipica de cineastas estreantes. Usa o espectador final com se fosse uma exibição de teste para medir as reações.  Pecado esse que Stone não pode se dar ao luxo de cometer a essa altura da carreira. Contudo, consegue delinear com precisão várias nuances inerentes do roteiro, como o processo de transformação da personalidade Aaron Johnson e Taylor Kitsch. Como também o papel de Elena, balançando constantemente entre chefe do crime organizado e mãe zelosa e preocupada. Enquanto Benicio del Toro, ficando especialista em papéis vilanescos, aqui desempenha o papel de júri e executor, não trazendo nenhuma surpresa em seu papel, apesar dos excelentes diálogos que troca com Travolta, apenas confirma o quanto selvagem o ser humano pode ser. 



"Selvagens" é um bom filme, que não fez o estardalhaço costumeiro que os filmes de Stone faziam em outros tempos. Entretanto, também não se preocupa em trazer mensagens reais a um público globalizado que não se espanta mais com violência as margens de áreas de conflito sob domínio do narcotraficantes. Os atritos e embates decorrentes do narcotráfico em fronteiras mexicanas não é um assunto de interesse primordial a grande massa, ainda mais enquanto estiver sendo abordado apenas com claras preocupações estéticas e repleto de personagens que forçam uma fuga da estereotipagem. Era mais do que necessário uma preocupação com um enredo mais profundo e que respondesse porque esse longa veio.  Acima de tudo, que possa de certo modo levar algum tipo de esclarecimento original ao espectador que ele ainda não tenha contemplado nos noticiários. 

Nota: 6,5/10   


      

quarta-feira, 27 de março de 2013

Crítica: Sete Psicopatas e um Shih Tzu | Um Filme de Martin McDonagh (2012)


Marty (Colin Farrel) é um roteirista passando por uma crise criativa. De seu novo projeto que tem passado por duras penas, apenas conseguiu escrever o tão famigerado título. Sabe exatamente que envolverá psicopatas e vai se chamar "Sete Psicopatas", mas ao mesmo tempo, desconhece o rumo de toda trama envolvendo esses personagens. Tecnicamente seu roteiro não existe, a não ser na cabeça de Marty, ainda que de modo nebuloso. E para auxiliá-lo na tarefa de escrever esse confuso roteiro, entra em cena seu melhor amigo, Billy (Sam Rockwell) um ator fracassado e que sequestra cachorros em parceria com Hans (Christopher Walken) como forma de sustento. Por meio de um anúncio de jornal colocado por Billy convocando todos os psicopatas dispostos a contar sua história, pensa em levar a Marty a inspiração que lhe falta para escrever sua história. Porém, como de costume a ideias brilhantes de Billy os colocam diante do mais temível dos psicopatas, o gangster Charlie (Woody Harrelson) que teve seu cãozinho Shih Tzu sequestrado. Assim numa caça aos responsáveis pelo desaparecimento do cão, Charlie sem querer leva toda a inspiração possível para compor esse inusitado roteiro. "Sete Psicopatas e um Shih Tzu" (Seven Psycophaths, 2012) é uma comédia de humor negro tão estranha quanto a própria palavra ficção. E o mais interessante de tudo, é perceber que todos os envolvidos nessa produção - inclusive e possivelmente o Shih Tzu também - evidentemente saibam disso. Basta vermos a infinidade de personagens estranhos em situações bizarras que permeiam toda obra. Isso sem contar os diálogos e a narrativa adotada pela produção em contar a trama em volta de um filme através do mesmo, quase que de forma simultânea. Qualquer suspense em relação aos rumos dessa trama são desintegrados de ante-mão pelos próprios personagens por meio de devaneios sem direção. 

E sem direção é o gênero no qual esse longa-metragem se encontra - ação, comédia e com  sérios flertes com a dramaturgia expressos em subtramas, além de passagens de violência que beiram o horror. Começa violento, como o próprio protagonista anuncia está questão como necessária, mas vai ganhando contornos diferentes aos poucos, sem um proposito bem definido visualmente. A relevância disso reside numa mensagem não muito bem  expressa no conjunto. O destaque mesmo fica por parte do elenco, verdadeiros especialistas em interpretar personagens excêntricos na telona sem encontrar nisso um grande desafio. Colin Farrell fez uma demonstração disso ao interpretar o filho alienado do chefe que herda a empresa após infarto fulminante do pai em "Quero Marar Meu Chefe" (2011), como o ator Sam Rockwell, ao interpretar o papel de ninfomaníaco detentor de problemas sérios de caráter no filme "No Sufoco" (2009). Christopher Walken e Woody Harrelson nem se fala, de tantos que foram os personagens estranhos e cômicos materializados por eles. O problema é que um bom filme se faz de um conjunto de elementos que devem andar em sintonia, ou ao menos na mesma direção. Essa produção atira para todos os lados, sem ter um tiro certeiro em nenhum elemento excepcional. Funciona até certo ponto, apenas na medida para prolongar a duração da trama, mas ainda de forma mediana onde mais choca do que enriquece a narrativa. 

Qualquer sinônimo de agrado que o espectador possa ter sobre essa fita, é meramente fruto da consciência da falta de ambição de seus realizadores. Diverte pela naturalidade que une comédia, horror e ação alternadamente, mesmo que em se tratando de uma comédia, isso não ofereça nenhum desafio para a direção de Martin McDonagh. O elenco já ganha o público  até mesmo com uma direção conduzida no piloto-automático. Imagine sob uma condução que demonstre o mínimo de competência. "Sete Psicopatas e um Shih Tzu" é bom programa que não vai mudar a vida de ninguém, muito menos, a do cachorrinho. Provavelmente nenhum grande estúdio irá chamá-lo para protagonizar um grande blockbuster.

Nota: 6,5/10 

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Ilustrações Estilizadas de Marko Manev

O designer Marko Manev criou ilustrações inusitadas que se espalharam pela internet, quando ao apresentar imagens com estilo "Noir" de famosos super-heróis dos quadrinhos, nos faz imaginar como ainda não haviam pensado nisso antes. Todas em preto e branco, perfeitamente sombreadas e em situações ricas em dramaticidade, são perfeitamente ambientadas a todos os personagens de fácil reconhecimento até para quem não é fã do gênero. Confira logo abaixo algumas de suas ilustrações:













segunda-feira, 25 de março de 2013

Crítica: O Sequestro do Metrô 1 2 3 | Um Filme de Tony Scott (2009)


Baseado no livro de John Godey (pseudônimo usado por Morton Freedgood), o diretor responsável por essa produção, o cineasta Tony Scott (21/06/1944 – 19/08/2012), repete sua fórmula de sucesso já desprovida de qualquer chance de fazer sucesso. Sua narrativa ágil e visual corrido repleto de imagens seguidamente cortadas já não funcionam como funcionavam em tempos de Top Gun – Ases Indomáveis” (1986). Tão pouco, como em “Inimigo de Estado” (1998), tecnicamente arrojadíssimo para a época ao levantar debate sobre certas questões em seu enredo que ainda hoje geram discussões inflamadas através de um formato blockbuster. Em “O Sequestro do Metrô 1 2 3” (Taking of Pelham 1 2 3, 2009) é dos exemplos mais fracos de sua fascinante e agitada filmografia, particularmente perdendo apenas para o desinteressante “Domino” (2005). Na trama de “O Sequestro do Metrô 1 2 3” acompanhamos Walter Garber (Denzel Washington) um executivo num processo de transição na companhia metroviária da cidade de Nova York. Por causa de uma suspeita de suborno ocorrida por investidores estrangeiros, foi preventivamente rebaixado para a função de um simples coordenador de tráfego até o desfecho desse impasse. Mas quando um dos trens do metrô é tomado em sequestro com vários passageiros dentro, por um misterioso grupo comandado por Ryder (John Travolta) coube a Garber fazer as negociações por exigência do líder do grupo. Entre um pedido de resgate de U$$ 10 milhões pelos passageiros e as imprevisíveis negociações conduzidas por Ryder, ambos terão o rumo de suas vidas mudado antes do fim da linha.



Essa produção é uma refilmagem de um filme de 1974, agora sob o olhar de Tony Scott, em plena era da internet e da telefonia celular. Se sua estrutura não oferece nada de novo, do que o cineasta já havia criado antes, o elenco principal é a luz no fim do túnel desse longa-metragem. Tanto John Travolta, no papel de vilão climatizado, quanto Denzel Washington como herói injustiçado, que por ventura desse tenso sequestro, consegue apresentar o impossível para os olhos do espectador, apresentam interpretações vibrantes na medida. São somente personagens fascinantes em função dos atores incumbidos de interpretá-los. Do contrário, talvez se seus papéis tivessem caído nas mãos de astros menos cativantes ou competentes, seus personagens cairiam consequentemente em descrédito. A dupla deita e rola sobre os trilhos, não deixando mais ninguém brilhar na película. Sua estrutura técnica é convincente, bem montada como é de característica de Scott, que desenvolve a trama elaborada do roteiro de Brian Helgeland com energia e somente peca no desfecho devido aos excessos de dramaticidade distante das possibilidades do conjunto da obra. O ator John Torturro, outro grande nome do elenco, chega a ficar completamente ofuscado dentro da trama diante do duelo psicológico dos protagonistas. “O Sequestro do Metrô 1 2 3” é entretenimento nervoso, não chega a ser incontrolável, mas está distante de oferecer ao espectador a emoção de outros sucessos consagrados desse saudoso diretor.

Nota: 6/10
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sexta-feira, 22 de março de 2013

Crítica: Contra o Tempo | Um Filme de Duncan Jones (2011)


É em sua complexidade que mora seu maior atrativo. Pelo menos, antes de ver o elenco em ação eu achava isso. “Contra o Tempo (Source Code, 2011), estrelado por Jake Gyllenhaal (Soldado Anônimo) Michelle Monaghan (Missão Impossível III) e Vera Farmiga (Os Infiltrados), é uma fita que engana direitinho o espectador se apresentando inteligente e se revelando equivocada. Particularmente prefiro filmes com personagens complexos ao invés de histórias complicadas. No entanto o assisti a efeito de curiosidade. A primeira impressão em suma, tudo parece inverossímil, porém bem orquestrado do começo até certo ponto, deixando a história convincente dentro do possível. Em resumo, o capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) é integrante de um projeto militar secreto denominado “Source Code” – Código Fonte. No projeto o capitão Stevens assume o corpo de outro homem, vítima de um atentado terrorista em um trem, assumindo a sua identidade nos últimos oito minutos de sua vida. Com este recurso é possível procurar indícios que possam ajudar numa investigação para evitar outro atentado terrorista que ainda não ocorreu. Porém ao tentar descobrir o autor do atentado, acaba se apaixonando por uma das passageiras do trem chamada Christina (Michelle Monaghan). Assim Stevens volta no tempo não apenas para evitar o próximo desastre, mas para mudar o curso da história como se tinha como definido.  


Tendo na direção Duncan Jones (filho de David Bowie), o diretor conseguiu algo bem difícil em teoria ao conciliar uma ideia absurda em que protagonista assume a identidade física e psíquica de outro homem em seus últimos oito minutos de vida, com uma realidade palpável, pode-se considerar no mínimo um sinônimo de competência. Não se trata de uma tarefa fácil. E nisso, a maior qualidade dessa fita concentra-se no elenco, entregue ao roteiro improvável de Ben Ripley, que flerta com meia dúzia de outras produções desconexas sem responsabilidade. Mexe com uma temática perigosa – focada em viagens no tempo e física quântica – dando a falsa sensação de ter o conhecimento necessário para a condução de uma trama sempre ameaçadora para realizadores inexperientes. Favorecido por uma estrutura técnica eficiente, fotográfica e musical, “Contra o Tempo” evidencia certas falhas em seu desfecho enrolado, contudo entrega um filme interessante na maior parte da produção. Enfim Jones realiza um bom programa de entretenimento passageiro. Posso afirmar que os realizadores, acima de tudo o diretor, seguiu a mensagem taxada no roteiro, e fez ao seu modo valer cada segundo de seu tempo, e principalmente daqueles que se deram ao prazer de cedê-lo para ver o resultado final de seu filme. E depois de dezenas de deja vús do trailer visto em outros lançamentos da distribuidora, eu acabei gostando de investir uma hora meia de meu tempo em seu trabalho.

Nota: 6,5/10
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quinta-feira, 21 de março de 2013

Crítica: Looper – Assassinos do Futuro | Um Filme de Rian Johnson (2012)



Viagem no tempo é sempre uma temática revisitada ocasionalmente pelos estúdios de cinema. Onde, entre muitas produções, poucas se salvam e alcançam o tão almejado sucesso devido às dificuldades óbvias desse arenoso terreno da ficção cientifica. Em “Looper – Assassinos do Futuro” (Looper, 2012), temos um raro exemplo de recente acerto que recicla ideias passadas, injetando um gás nesse subgênero demasiadamente desgastado pela pretensão de realizadores incompetentes. Na história acompanhamos Joe (Joseph Gordon-Levitt) um assassino da máfia de Kansas City, no ano de 2044. Seu trabalho é eliminar vítimas enviadas do futuro. Viagens no tempo já são possíveis, porém apenas são usadas clandestinamente. Esses assassinos, chamados Loopers, encarregados de eliminar pessoas que são enviadas do futuro possuem data certa para o fim de sua serventia. Após o termino do contrato de trabalho, a expectativa de vida gira em volta de cerca de 30 anos, onde é certo que inclusive eles serão enviados para o passado e eliminados como queima de arquivo. Porém, quando Joe é confrontado com seu eu mais velho (Bruce Willis), desencadeia uma corrida contra o tempo para evitar a confirmação do anúncio de um colapso que o espera no futuro. Em tese, não há nada de novo nessa produção, contudo tanto o roteiro quanto a direção de Rian Johnson fazem dessa fita um excelente programa de raro entretenimento.

Toda trama é bem explicada, com justificativas perfeitamente delineadas e um breve resumo da trajetória do protagonista, familiarizando o espectador com suas motivações e as circunstâncias que giram em volta de seu personagem. As tensões em torno do protagonista são um deja vú do que ocorreu com o personagem de Paul Dano. Ali mora a justificativa para que Joseph Gordon-Levitt consiga por fim aos planos de Bruce Willis antes que a máfia ponha as mãos nele. Apesar de lhe ser conferido um tempo menor de tela ao astro Bruce Willis, seu personagem tem uma relevância inegável na trama. As feições dadas pela inspirada maquiagem à sua versão mais jovem demonstra isso. Tanto Joseph Gordon-Levitt, quanto Bruce Willis, estão ótimos em seus papéis, e muito pelo afinado trabalho da produção que mesclou passado e futuro de forma simples e bem arquitetada, juntando elementos como humor, violência estilizada e ação de modo coerente sem exageros desnecessários. Jeff Daniels abandonando as comédias bobocas é alivio, já que inclusive em um personagem sério ele consegue dar certa leveza a seu papel de vilão. Emily Blunt está linda e funcional dentro da trama. “Looper – Assassinos do Futuro” é o melhor filme de viagem no tempo dos últimos tempos. Não chega a ser memorável, porém não faz feio e muito menos decepciona o espectador com certos absurdos que geralmente marcam esse gênero. Divertido como deve ser.

Nota: 7,5/10
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quarta-feira, 20 de março de 2013

Crítica: O Incrível Hulk | Um Filme de Louis Leterrier (2008)


O cientista Bruce Banner (Edward Norton), numa busca desesperada pela cura para suas transformações em "Hulk" (uma criatura verde e sempre destrutivamente irritada), gerada de seu corpo em função de situações emocionalmente tensas que foi desencadeadas pelo envenenamento de suas células por radiação, ele vive escondido de seus perseguidores e afastado das pessoas que ama. De sua namorada Beth Ross (Liv Tyler), a quem nutre um carrinho especial, e que mesmo depois de anos sem vê la, ainda a ama, e do general Thunderbolt (Willian Hurt) que o procura incessantemente para capturá-lo e estudá-lo afim de usar sua capacidade de transformação em uma arma militar. Nessa procura, o general cria algo similar ao Hulk através do soldado Emil Blonsky (Tim Roth) que passa a ser um oponente à altura do Incrível Hulk. Em "O Incrível Hulk" (The Incredible Hulk, 2008) estamos diante de uma sequência que não dá indícios disso no nome, mas com uma abertura recheada de estilizados flashbacks que evidenciam o fato. Descarta as escolhas feitas para o personagem realizado por Ang Lee, no trabalho intitulado "Hulk" (2003), mas não abandona as possibilidades lançadas por ele. O elenco de seu longa foi substituído completamente, no entanto as motivações em volta do personagem continuam semelhantes: a busca da cura. Mas desta vez, materializadas pelo diretor francês Louis Leterrier, também responsável pelo sucesso da franquia "Carga Explosiva", especialista em dar ao público o quer sem ter a pretensão de fazer a diferença. 




Contudo, essa produção tem ares de remake incrustadas em sua trama, que abomina a transposição cerebral e distanciada do personagem dos quadrinhos para telona realizada pelo cineasta chinês Ang Lee. Deixando de lado comparações, o trabalho de Leterrier apresenta nada mais e nada menos do que se esperava desse longa-metragem. O desejo da Marvel de ressuscitar Hulk certamente teve sua maior influência no fato do lançamento da produção de "Os Vingadores" (2012), realizado por Joss Whedon. Redesenhar a afetada imagem deixada pelo filme de 2003 em um produto mais comercial e antenado com a linha narrativa recentemente adotada pela Marvel Studios para seus filmes era vital para o sucesso do trabalho de Whedon. Portanto, "O Incrível Hulk" não é nada mais do que uma produção tecnicamente interessante, sem inovações e de resultado apenas satisfatório. Funciona melhor do que o filme anterior, mas também não se propõe a ser um sucesso de público e crítica. Dentre todos os filmes solo dos personagens que compõe a Iniciativa Vingadora, certamente que essa produção é a mais fraca até então. Certamente que essa produção é muito mais Hulk que Ang Lee jamais imaginou, mas esteve longe de fazer justiça ao título de incrível também.  


Nota: 6/10   

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História da Música por Robert Landau | Fotografia

Você quer conhecer um pouco da história da indústria da música nos distantes anos 60 e 70? Veja uma série de fotos de Robert Landau focada em Outdoors na Sunset Strip (um trecho da Sunset Boulevard) em Los Angeles. Suas fotos registram entre lançamentos musicais e álbuns de sucesso consagrado, o nome de bandas de renome que marcaram o auge da indústria musical daquela época. Sua fotos tem uma qualidade singular que só foi aumentada devido aos criativos Outdoors.

Confira:
  







 



Todo material disponível está reunido no livro: Rock `n´Roll Billbords of the Sunset Strip.

Fonte: Ideia Fixa

segunda-feira, 18 de março de 2013

43 Adjetivos "Para Maiores"



1.    Absurdo – Realidade e bobagens se alternam em tela;
2.    Alienado – É extremada;
3.    Barulhento – Muita gritaria com nada a dizer;
4.    Bizarro – A merda literalmente voa no ventilador;
5.    Censurável – Não dá para ver com pais ou sogros sem passar vergonha;
6.    Confuso – Não tem sinopse que defina essa produção e faça sentido;
7.    Desbocado – Ganhou de muita produção boca do lixo;
8.    Destrutivo – Olha a bomba!
9.    Detestável – Você ama ou odeia, isso é certo;
10.  Engraçado – Sim, também é engraçado, mas sem pingo de bom gosto;
11.  Enjoativo – Se você gostou do começo, espera até passar a metade;
12.  Exagerado – Não tenho palavras para descrever isso;
13.  Explícito – “American Pie” é fichinha perto desse longa;
14.  Fantasioso – Eu vi Gnomos!
15.  Fragmentado – É o único termo para descrever essa narrativa.
16.  Gratuito – De graça é caro;
17.  Grotesco – Fica a cargo do Wolverine essa parte;
18.  Incompreensível – Ser ou não ser, eis a questão.
19.  Inconveniente – Ninguém respeita o sexo frágil e suas mudanças físicas;
20.  Indeciso – Vai, não vai, vai, não vai... virar em nada;
21.  Indigesto – São tantas cenas... tantas emoções!
22.  Indiscreto – Esqueça as etiquetas, tá tudo liberado;
23.  Inédito – Não há nada parecido, mas isso não quer dizer que seja relevante;
24.  Inesperado – Está longe de ser previsível como qualquer bom besteirol;
25.  Inimaginável – Todo aquele elenco, em um filme desses... putz!
26.  Inovador – Depende da perspectiva;
27.  Irritante – Só a realidade que alavanca toda trama absurda;
28.  Mal-Educado – Dispensa apresentações ou formalidades;
29.  Nojento – Quase o tempo todo;
30.  Odioso – É melhor ficar só no trailer, porque pega mais leve;
31.  Ostensivo – Quantidade não é sinônimo de qualidade;
32.  Perturbado – Fica o espectador;
33.  Perturbador – Responsabilidade de seus realizadores;
34.  Polêmico – Poderia gerar alguma polemica, se alguém o levasse a sério;
35.  Preconceituoso – Somente com a normalidade;
36.  Pretensioso – O elenco é grande, mas não vai se multiplicar em ingressos;
37.  Ridículo – Bob Kane que diga;
38.  Sinistro – Crime e covardia andam de mãos dadas;
39.  Subversivo – Me fez lembrar aqueles vídeos de execução sumaria;
40.  Tratante – Faça o que digo, mas não faça o que eu faço;
41.  Variado – São todos os gêneros e nenhum ao mesmo tempo;
42.  Vingativo – Sem censura nenhuma podendo chocar;
43.  Violento – Depois de tudo isso, alguém acha que não teria violência?

sábado, 16 de março de 2013

Crítica: Firewall - Segurança em Risco | Um Filme de Richard Loncraine (2006)


Jack Stanfield (Harrison Ford) é um especialista em segurança de computadores que trabalha no Landrock Pacific Bank. Jack é um executivo que construiu uma carreira sólida desenvolvendo sistemas anti-fraude para o ramo bancário. Casado com Beth (Virginia Madsen) e pai de dois filhos, Jack nunca imaginou que a maior vulnerabilidade de seus infalíveis sistemas de segurança possa ser ele mesmo. Com sua vida particular sendo acompanhada a semanas por criminosos, Bill Cox (Paul Bettany), um ambicioso criminoso sequestra sua família e força-o a possibilitar uma fraude bancária de 100 milhões, na qual Bill jamais seria acusado e Jack levaria toda a culpa. Assim Jack terá que usar toda sua coragem, e acima de tudo, sua inteligência para salvar sua família e impedir que os verdadeiros criminosos desse roubo milionário tenham sucesso. "Firewall - Segurança em Risco" (Firewall, 2006)  é um interessante thriller dramático dirigido por Richard Loncraine. Longe de ser memorável dentro da carreira do astro Harrison Ford, não deixa de ser interessante pelo uso prático das inovações da tecnologia aplicadas pelo protagonista para salvar sua família. Por quê? Muitas vezes temos uma infinidade de recursos tecnológicos a nossa disposição, mas usados de forma limitada e com pouca criatividade. 


Se a história de "Firewall" se mostra exagerada e por vezes inverossímil (típica de um produto enlatado), e os momentos que buscam desencadear alguma tensão no espectador soem de pouca expressividade, nós temos aqui uma história ligeiramente interessante (pela aplicação prática da tecnologia) mostrando que Harrison Ford tem condições de sobra para sustentar um longa-metragem com poucas novidades e uma trama que carece de fluência no gênero no qual habita. É sempre uma grata surpresa vê-lo salvando o dia como o herói. Como também Paul Bettany tem o perfil de um vilão temeroso até quando o roteiro não ajuda. O sequestro é conduzido de forma burocrática e sem nenhuma inovação narrativa ou atrativos estéticos. A trilha funciona na climatização do suspense, quando há suspense nos acontecimentos, já que grande parte do longa se mostra previsível e ajustado ao formato em que foi concebido. Por isso "Firewall - Segurança em Risco" funciona mais como um simples entretenimento escapista, do que propriamente como suspense intrigante. Serve para passar o tempo e divertir, mas corre o risco de cair em desagrado ao gosto de muitos. Se vai ou não agradar ao espectador, depende de suas expectativas em relação a premissa do filme. Só sei que poderia render muito mais.

Nota: 5,5/10 
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quinta-feira, 14 de março de 2013

Abertura? Resumo? Clipe? Você escolhe!


Recentemente poucos filmes se apresentaram de forma tão visceral e sombria quanto essa produção chamada "MillenniumOs Homens que não Amavam as Mulheres". Dirigido por David Fincher, o cineasta praticamente retornou a mídia que o consagrou (aos vídeos musicais) com essa abertura visualmente arrojada, enigmática e de sonoridade agressivamente contemporânea que resultou em uma introdução fenomenal. 


É show! Comentem ou façam um abaixo-assinado.
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quarta-feira, 13 de março de 2013

Crítica: Hooligans | Um Filme de Lexi Alexander (2005)


Eu já era um admirador do trabalho do ator americano Elijah Wood muito antes dele protagonizar a franquia "Senhor dos Anéis", de Peter Jackson. Em especial, na sua participação na produção de sci-fi estudantil "Prova Final" (1998), realizada pelo cineasta Robert Rodrigues, com o qual trabalhou posteriormente em "Sin City - A Cidade do Pecado". Em "Hooligans" (Green Street Hooligans, 2005) podemos acompanhar seu melhor desempenho depois do gigante sucesso de sua difícil jornada pela Terra Média. Enquanto nessa franquia o ator somente fugia e corria em meio a efeitos visuais de encher os olhos criados pelo mago das imagens Jackson, em "Holligans" ele nos presenteia com uma interpretação a altura de um clássico do futebol. Na história dessa produção somos apresentados aos bastidores do universo hooligan do futebol inglês, ao acompanhar a trajetória de Matt Bruckner (Elijah Wood), após ser injustamente expulso da Universidade de Harvard por porte de drogas. Com a intenção de deixar a poeira baixar após o acontecido, decide viajar para a casa da irmã, Shannon (Claire Forlani) em Londres. Morando de favor com a irmã, acaba fazendo amizade com Peter Dunham (Charlie Hunnam),  que o apresenta ao submundo dos hooligans da facção do West Ham United da Inglaterra. Nesse ambiente contemporâneo e inóspito, Matt passará por um processo de transformação humana que jamais imaginou que o futebol poderia lhe proporcionar. 



Trata-se de uma fita roteirizada por Deborah Del Prete, Gigi Pritzker e Donald Zuckerman, com eventos ficcionais, porém de fácil contextualização em um ambiente verídico  a qualquer um que acompanhe com atenção noticiários sobre esse grupo radical de torcedores. Porém, o roteiro não é apenas centrado nesses conturbados acontecimentos, em sua maioria violentos, que essas torcidas protagonizam marginalmente. Temos  personagens fascinantes por trás desses gladiadores modernos, que aos leigos sobre o assunto, podem ficar espantados tamanha a lógica humana sobre as motivações desses personagens, pecando apenas em desenvolver sugestivamente justificativas para suas atitudes. Elijah Wood, vê seu mundo transformado através do contato com os bastidores desse universo esportivo até então desconhecido para ele, aprendendo o que é o tal verdadeiro football, como a verdadeira amizade que esse esporte pode criar entre os torcedores. O filme é rico em detalhes para a climatização da trama, tendo imagens de pequenos lances de jogos em estádios ingleses com jogadores conhecidos. Tem a brutalidade e a violência necessária para compor uma ambientação fiel sem ser gratuita. A trilha sonora acentua os melhores momentos do filme, deixando claro que estreante Lexi Alexander tem um bom conhecimento técnico para traduzir musicalmente uma temática que por aqui se resumiria a uma roda de samba, e pronto. As transformações em volta do elenco principal são bem conduzidas e emocionantes, apesar do desfecho entre torcidas ser óbvio demais. Em resumo, "Holligans" tem algumas falhas, mas observando com atenção os melhores momentos, fica a sensação, como se fosse um jogo de futebol onde seu time ganhou a partida, que foi-se uma hora e meia de seu tempo bem gasta apesar do resultado modesto. 

Nota: 7/10

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terça-feira, 12 de março de 2013

Crítica: 7 Dias em Havana | Um Filme de Laurent Cantet, Benicio Del Toro, Julio Medem, Gaspar Noé, Elia Suleiman, Juan Carlos Tabío e Pablo Trapero (2012)



7 Dias em Havana” (7 Días en La Habana, 2012) segue uma tendência em unir vários cineastas diferentes em estilo e nacionalidade para contar pequenas histórias em curtas-metragens interligados por uma temática ou ambiente em comum. É o que se chama de filmes coletivos. Aqui temos a cidade de Havana como pano de fundo para sete tramas diferentes que se passam no espaço de tempo de uma semana. Cada qual age de forma autônoma, contribuindo para o sucesso do conjunto. Temos o ator Benicio Del Toro dirigindo, “El Yuma” que ironiza a relação entre os norte-americanos e os cubanos; “Diário de um Principiante”, do cineasta palestino Elia Suleiman, mostra a perturbação de um viajante diante de outra cultura enquanto aguarda para falar com o próprio Fidel Castro; “Doce-Amargo” do cubano Juan Carlos Tabío acompanhamos um casal (Jorge Perugorría e Mirta Ibarra) que completa o orçamento apertado fazendo doces e onde à filha (Melvis Estevez) decidi fugir para Miami numa precária balsa; "A Tentação de Cecilia", do espanhol Julio Medem mostra o drama cubano na busca por novas oportunidades fora da ilha descrevendo as dúvidas de uma jovem seduzida por um estrangeiro europeu (Daniel Brühl); entre outras histórias.


Essa produção é coproduzida por uma marca de Rum e uma agência de publicidade, num trabalho conjunto entre Cuba, França e Espanha. Através do roteiro do famoso escritor cubano Leonardo Padura Fuentes, responsável por “Adeus, Hemingway”, os envolvidos nesse projeto dão contornos romanceados as tramas diferenciadas do autor, onde umas funcionam naturalmente melhor do que outras. Mas evidentemente todas tem sua expressividade delineada brilhantemente num olhar meio que turístico sobre o ambiente. Temas como sexo, fé e a insuperável musicalidade desse povo são elementos presentes em todos os curtas. Elementos esses que dão o tom dessa obra. Ao término de “7 Dias em Havana” pode-se constatar que nem todas as histórias contadas são acertos, evidentemente, mas demonstram ter seu valor ao apresentar Cuba diferente dos noticiários reacionários. Um lugar exótico e real, repleto de problemas de fácil entendimento global e composto por um povo animado e descontraído apesar das dificuldades sociais e políticas que os assolam há décadas.

Nota: 7/10  
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Crítica: O Segredo da Cabana | Um Filme de Drew Goddard (2011)



Deixe-me contar um segredo. O longa-metragem de terror e suspense chamado “O Segredo da Cabana” (The Cabin in the Woods, 2011) é simplesmente horripilante. E quando me refiro a ser horrível, já que se trata de uma fita de horror não digo isso no bom sentido.  No entanto, notícias ruins correm rápido e provavelmente somente eu ainda não sabia desse fato. Mesmo assim deixo aqui meu desafeto nessa resenha para enfatizar minha decepção. Na história acompanhamos cinco amigos que decidem passar um final de semana de férias em uma cabana na floresta para curtir sexo, drogas e bebidas. Mas o que eles não sabiam era que nesse ambiente isolado estavam sendo monitorados para atender a um inimaginável plano.  Se Sylvester Stallone conseguiu um resultado bacana e respeitável ao reunir ícones de filmes de ação dos anos 90 em um único filme, esse trabalho conjunto de Joss Whedon (Produtor), com Drew Goddard (Direção) resultou em uma sátira desnecessária de figuras bem conhecidas do gênero terror/suspense. Lançado em novembro de 2012 nos cinemas nacionais, essa produção reúne vários personagens marcantes do terror em uma única produção: zumbis, Serial Killer, palhaço assassino, monstros, assombrações, entre outros.


Com uma trama em tese que oscila entre o inventivo e o nostálgico, tem como resultado algo medonho. A costura desproporcional de uma infinidade de personagens de universos próprios em uma única empreitada não poderia ser feliz. O filme flerta com vários estilos, mas não abraça nenhum deles com competência, deixando por fim com ares de besteirol sem ter a pretensão. O roteiro não ajuda em nada e o elenco, por mais bacana que se apresentou, não salva essa produção de ser desagradável em demasia. Tem efeitos visuais, que vistos isoladamente, até demonstram esmero técnico, mas devido ao pobre roteiro não servem para nada a não ser encher os olhos do espectador, enquanto a direção encomendada de Drew Goddard tenta organizar o caos de forma coerente. “O Segredo da Cabana” é uma homenagem ao gênero no mínimo constrangedora, esquecível e descabida. Até tem bons momentos, mas que obviamente não fazem diferença no conjunto, deixando claro que obviamente também não era ainda o seu momento de brilhar nas telonas. Faltou tanta coisa, que quase é impossível descrever. Obviamente não foi sangue, já que Goddard praticamente pintou as paredes dos cenários com sangue para dar o clima de terror a sua obra. Se ele achou que isso bastava para chocar o espectador e alavancar sua empreitada ao sucesso deve ter levado um susto. 

Nota: 3,5/10 
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