quinta-feira, 21 de março de 2013

Crítica: Looper – Assassinos do Futuro | Um Filme de Rian Johnson (2012)



Viagem no tempo é sempre uma temática revisitada ocasionalmente pelos estúdios de cinema. Onde, entre muitas produções, poucas se salvam e alcançam o tão almejado sucesso devido às dificuldades óbvias desse arenoso terreno da ficção cientifica. Em “Looper – Assassinos do Futuro” (Looper, 2012), temos um raro exemplo de recente acerto que recicla ideias passadas, injetando um gás nesse subgênero demasiadamente desgastado pela pretensão de realizadores incompetentes. Na história acompanhamos Joe (Joseph Gordon-Levitt) um assassino da máfia de Kansas City, no ano de 2044. Seu trabalho é eliminar vítimas enviadas do futuro. Viagens no tempo já são possíveis, porém apenas são usadas clandestinamente. Esses assassinos, chamados Loopers, encarregados de eliminar pessoas que são enviadas do futuro possuem data certa para o fim de sua serventia. Após o termino do contrato de trabalho, a expectativa de vida gira em volta de cerca de 30 anos, onde é certo que inclusive eles serão enviados para o passado e eliminados como queima de arquivo. Porém, quando Joe é confrontado com seu eu mais velho (Bruce Willis), desencadeia uma corrida contra o tempo para evitar a confirmação do anúncio de um colapso que o espera no futuro. Em tese, não há nada de novo nessa produção, contudo tanto o roteiro quanto a direção de Rian Johnson fazem dessa fita um excelente programa de raro entretenimento.

Toda trama é bem explicada, com justificativas perfeitamente delineadas e um breve resumo da trajetória do protagonista, familiarizando o espectador com suas motivações e as circunstâncias que giram em volta de seu personagem. As tensões em torno do protagonista são um deja vú do que ocorreu com o personagem de Paul Dano. Ali mora a justificativa para que Joseph Gordon-Levitt consiga por fim aos planos de Bruce Willis antes que a máfia ponha as mãos nele. Apesar de lhe ser conferido um tempo menor de tela ao astro Bruce Willis, seu personagem tem uma relevância inegável na trama. As feições dadas pela inspirada maquiagem à sua versão mais jovem demonstra isso. Tanto Joseph Gordon-Levitt, quanto Bruce Willis, estão ótimos em seus papéis, e muito pelo afinado trabalho da produção que mesclou passado e futuro de forma simples e bem arquitetada, juntando elementos como humor, violência estilizada e ação de modo coerente sem exageros desnecessários. Jeff Daniels abandonando as comédias bobocas é alivio, já que inclusive em um personagem sério ele consegue dar certa leveza a seu papel de vilão. Emily Blunt está linda e funcional dentro da trama. “Looper – Assassinos do Futuro” é o melhor filme de viagem no tempo dos últimos tempos. Não chega a ser memorável, porém não faz feio e muito menos decepciona o espectador com certos absurdos que geralmente marcam esse gênero. Divertido como deve ser.

Nota: 7,5/10
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