quinta-feira, 8 de maio de 2014

Crítica: O Gosto da Vingança | Um Filme de Jin-woon Kim (2005)


Sun-woo (Lee Byung-ah) é um competente gerente de um restaurante sofisticado numa área nobre de Seul chamada La Dolce Vita. Mas além de exercer essa função profissional, ele também tem outro emprego como garoto de recado para um poderoso chefe da máfia coreana chamado Kang (Kim Yeong-cheol) que delega uma tarefa de grande importância. Sun-woo precisa vigiar a jovem namorada de Kang, Hee-soo (Shin Min-ah) com o intuito de descobrir se ela tem um amante, e caso a suspeita se confirme, ele deve mata-los. E logo a suspeita se confirma, porém Sun-woo toma uma decisão arriscada e inesperada ao permitir que o casal parta ileso das consequências. Entretanto, chega ao conhecimento de Kang o ocorrido, onde Sun-woo é sentenciado à morte, que responde a altura reagindo com uma vingança sangrenta sobre a máfia coreana. “O Gosto da Vingança” (Dalkomhan insaeng, A Bittersweet Life, 2005) é um filme de ação noir escrito e dirigido por Jin-woon Kim (responsável pelo terror “A Tale of Two Sisters”, que por aqui foi intitulado apenas como “Medo”, um filme hit de 2003). “O Gosto da Vingança” é um ótimo filme de ação e suspense vindo da Coreia do Sul que aborda mais uma vez a temática da vingança de forma magistral. Se já não bastasse os brilhantes filmes de Chan-wook Park (responsável pela icônica Trilogia da Vingança), Jin-woon Kim cria um longa-metragem repleto de particulares características do cinema coreano com algo mais.


Os cineastas coreanos não conhecem a palavra “moderação”. Jin-woon Kim não é diferente dos demais. A ação projetada é visceral, de um realismo brutal materializado numa violência explícita que contrasta com um lirismo filosófico muito bem-vindo, seja em palavras ou em imagens. Dirigido com arrojo, a câmera frenética nunca se perde pela película confundindo o espectador, e a violência extremada sempre se mostra significativa dentro do contexto. Trata-se de uma produção que exibe morte a nível atacadista, onde sangue jorra sem economias, ossos se quebram com facilidade e a dor é quase palpável. Mas isso é apenas um dos elementos que compõem o conjunto de “O Gosto da Vingança”, sendo que a trama que se mostra em premissa simples, segue assim sem reviravoltas complexas, mas com muita tensão e emoção conferida pela profundidade das atuações honestas entregues pelo elenco. A presença de Lee Byung-ah (que após uma vida de erros decide pela primeira vez fazer a coisa certa) destaca-se perante outras, embora todo o elenco funcione redondamente com a proposta do diretor. Essa produção poderia ser acusada de que o sangue que escorre pelos corredores seria apenas uma solução apelativa para camuflar deficiências, mas não, já que ela funciona apenas como um elemento intermediário para as ligações humanas presentes na história de vingança resultante da quebra de um código de honra do submundo do crime. Como a ação brilhantemente coreografada, não devendo em nada para produções chinesas, enriquecem o visual e a estética concretamente bem delineada pela soberba condução de Jin-woon Kim.

Em resumo, “O Gosto da Vingança” é um filme de estética sólida e de uma transparente profundidade. Entre confrontos armados de violência visceral capaz de causar náuseas ao espectador, o público é brindado com momentos de calmaria que o familiarizam com as emoções dos personagens. Uma realização de vingança fenomenal, tanto no desenvolvimento da trama (atribuída por um roteiro envolvente) como na forma que é apresentada oscilando entre a crueza e a delicadez. É quase impossível não torcermos pelo homem que encontrou sua redenção através de uma atitude de barbárie materializada na vingança. Altamente recomendado!

Nota:  9/10
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4 comentários:

  1. Quero muito ver, tem um tempo que vi o trailer do filme e coloquei na lista dos que quero ver. Sou fã de Oldboy, e do resto da triologia. Acho que gostarei desse também, apesar de ser outro diretor parece ter a mesma profundidade.

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    1. Acho ser um ótimo filme, mas que não tem o status de cult que "OldBoy" conquistou merecidamente ao longo dos anos. Trata-se de um filme menos conhecido e talvez isso impossibilite essa graduação.

      abraços

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  2. Geralmente Nipo-Films não me atraem...

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    1. Entendo o seu lado. Tenho muitos amigos que compartilham essa mesma posição, embora gostaria de ressaltar: nos últimos 10 anos talvez, geraram grandes obras como também, surgiu meio que discretamente grandes cineastas que cada vez mais vem vindo para o Ocidente. Principalmente da Coreia do Sul...

      abraço

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