sábado, 10 de maio de 2014

Crítica: Anjos e Demônios | Um Filme de Ron Howard (2009)



Diante da misteriosa morte do Papa e do sequestro dos principais candidatos a sua sucessão, evidências indicam que há um inesperado ressurgimento de uma antiga sociedade secreta que marcou a história do cristianismo chamada Illuninati. Com isso o simbologista Robert Langdon (Tom Hanks) é chamado pelo Vaticano a Roma para ajudar a decifrar um mistério por trás dessa sociedade secreta antes que um novo experimento científico exploda a cidade. Para isso Langdon junta forças com uma cientista italiana chamada Vittoria Vetra (Ayete Zurer), e juntos buscam pistas numa frenética caçada pelas redondezas de Roma antes que seja tarde demais para salvar os reféns, como o próprio Vaticano. "Anjos e Demônios" (Angels & Demons, 2009) é thriller de suspense dirigido pelo diretor e ator americano Ron Howard (responsável por filmes como: "Uma Mente Brilhante" e "Frost/Nixon", além dos icônicos "Cocoon" e "Apolo 13"). Baseado no livro de mesmo título escrito por Dan Brown, "Anjos e Demônios" funciona como uma sequência de outro sucesso do escritor chamado "O Código da Vinci" também transposto para o cinema por Ron Howard em 2006. Embora um sucesso de bilheteria a produção foi imensamente criticada, seja pelo público ou pela própria Igreja Católica a qual o enredo importuna. Naturalmente, já que o livro de Dan Brown também teve grande repercussão nos canais de comunicação após as autoridades eclesiásticas insistirem em censurá-lo por revelar certos aspectos ligados as suas metodologias de doutrinação, como certas ideias a respeito de Jesus Cristo bem diferentes do que é de conhecimento público. O livro foi rodeado de polêmicas, umas interessantes enquanto outras mais sensacionalistas. O longa-metragem "Código da Vinci" tinha suas qualidades, apesar de dividir as opiniões da crítica especializada no mundo todo. "Anjos e Demônios" é um corajoso retorno do cineasta (como também de Tom Hanks ao personagem simbologista Robert Langdon) com o intuito de criar um filme mais decidido, sobretudo que agrade gregos e troianos (conhecedores ou não da obra de Dan Brown).



Em suma, "Anjos e Demônios" se mostra melhor do que seu antecessor cinematográfico, ainda que esteja distante de ser impecável. À prova de polêmicas, essa produção está mais para uma aventura turística (a trama se desdobra por locações fantásticas que ganharam contornos de grande beleza pela câmera de Ron Howard) onde seu protagonista, Robert Langdon sugere ser uma espécie de Indiana Jones contemporâneo. Várias locações foram brilhantemente reproduzidas pela produção (como a Praça de São Pedro e a Basílica) já que Howard foi impedido de filmar no interior do Vaticano. Em comparação ao filme anterior, esse longa-metragem tem mais ritmo dado por uma correria de gato e rato bem conduzida, fazendo com que "Anjos e Demônios" tenha em sua narrativa mais emoção. Portanto, o roteiro (de responsabilidade de Akiva Goldsman e David Koepp) está repleto de concessões de sua inspiração literária, mas preservado em sua essência numa transposição voltada para ser um produto de entretenimento muito mais empolgante. E talvez, esse aspecto seja a melhor sacada dessa produção em comparação ao filme anterior de Ron Howard, excessivamente burocrático e ligeiramente entediante que se revelou sendo apenas um livro filmado (certamente que as aulas de história proferidas de modo massante minaram qualquer chance de cativar um público que esperava mais de um best-seller). Há passagens inteligentes também (como alguns aspectos dos bastidores da eleição do Papa) apresentadas de forma didática por Ron Howard, porém essas passagens são debilitadas em sua totalidade por causa de outras menos convincentes. Algo muito positivo em "Anjos e Demônios" seria a presença de Tom Hanks (repetindo o papel de simbologista, agora curiosamente mais a vontade do que na primeira vez), como também os demais atores do elenco principal que se mostram boas escolhas, ao quais alguns inclusive oscilam entre a inocência e a culpa de modo genial. Com boas passagens de humor (como a reação de vandalismo protagonizada por Ayelet Zurer devido as circunstâncias da ação) contrastam com a adrenalina e o suspense da caçada que ocorre por becos e catedrais centenárias.

Tentando corrigir os erros ocorridos no passado, tanto Ron Howard como Tom Hanks voltam a trabalhar juntos nessa produção reescrevendo a história na qual ateus e religiosos, a religião e a ciência se confrontam revivendo eventos pouco conhecidos do cristianismo num desenvolvimento moderno, mas prejudicado inevitavelmente por um clímax exagerado que resultou em um desfecho inverosímel (um ato heroico gratificado com uma nomeação ao papado é demasiadamente forçado em uma produção que claramente se esforçou em manter um nível de fidelidade aos ritos religiosos do Vaticano por todo o desenvolvimento). Por fim, "Anjos e Demônios" se mostra uma adaptação inteligente do sucesso literário de Dan Brown. Ao invés de recriar a obra de Brown com perfeição, com todas as falhas literárias que acompanham a falsa história do autor, Howard criou um thriller de suspense com outras diferentes, mas favorecendo seu trabalho com um ritmo ágil e uma força envolvente.

Nota:   7,5/10
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