domingo, 17 de setembro de 2017

Crítica: Bikini Car Wash | Um Filme de Nimrod Zalmanowitz (2015)


Jack (Jack Cullison) é um inconsequente universitário que está com os dias contados na faculdade, pois vive uma vida desregrada ao lado de seu amigo, Vex (Jason Lockhart) enquanto suas notas o condenam. Quando um de seus professores propõe a Jack o trabalho de gerenciar uma lavação de carros por uma semana como uma prova que pode resolver seus problemas acadêmicos, o estranho desafio é encarado com uma peculiar criatividade. Com a ajuda de seus amigos, garotas seminuas e muito jogo de cintura, essa turma se mete em muita confusão no processo de alçar o empreendimento ao sucesso. “Bikini Car Wash” (All American Bikini Car Wash, 2015) é uma comédia erótica escrita e dirigida por Nimrod Zalmanowitz. Inspirada em um gênero de cinema dos anos 80 e 90, em uma produção de 1992, esse filme se arma de poucos atrativos narrativos, atuações medíocres e um roteiro inconcebível para apresentar uma história de humor que não tem graça e que dificilmente é capaz de cair no gosto de uma plateia diversificada. Embora entregue justamente o que sugere no cartaz e no trailer da produção, que esboça uma trama tosca e sem fundamento que apenas justifique o desfile de corpos femininos em pouca roupa, há uma ausência de comprometimento dos envolvidos em melhorar sua inspiração.

O maior problema de “Bikini Car Wash” é que ele não abraça verdadeiramente sua inspiração. Ainda que tenha em seu material a maioria dos elementos que levavam filmes como ele no passado, de histórias rasas e pobres recheadas de muito apelo visual oferecido por cenas de nudez, diretamente para sessões do tipo Cine Band Privé (sessão de filmes eróticos que era indicada para maiores de 18 anos) essa produção é extremamente soft se comparada aos filmes que o inspiraram. Sobretudo, com os devidos cortes “Bikini Car Wash” poderia ser exibido facilmente em qualquer horário. Além dos mais, as sequências exóticas que eram pontuadas por uma trilha sonora de rock’roll por bandas desconhecidas similares a clips de bandas famosas dos anos 80 não é adotado. As músicas não são legais e muito menos bem inseridas no desenvolvimento do produto. Uma perda narrativa irreparável para um filme que já não detêm muitas qualidades, já que o humor destemperado e as emoções implícitas que permeiam os relacionamentos dos personagens não são grandes atrativos para um filme que tem uma historia extremamente fraca e sem pé nem cabeça. Assim sendo, o pequeno texto que escrevo aqui não é necessariamente uma crítica a essa produção, mas um necessário alerta ao espectador que por alguma razão intenciona conferir o resultado desse filme. Passe longe de “Bikini Car Wash”!

Nota:  3/10
_________________________________________________________________________

sábado, 16 de setembro de 2017

Crítica: A Toda Prova | Um Filme de Steven Soderbergh (2011)


Mallory Kane (Gina Carano) é uma ex-agente da CIA responsável pela realização de serviços sujos para uma agência de espionagem clandestina comandada por Kenneth (Ewan McGregor), um burocrata coordenador das ações da empresa. Após a realização de uma missão de resgate em Barcelona que teve um desfecho satisfatório, logo após Mallory é enviada para Dublin para outro trabalho, porém no qual é traída e quase morta sem motivo. Numa corrida contra o tempo, Mallory, vítima de uma misteriosa conspiração parte em direção aos Estados Unidos para proteger seu pai e descobrir a razão que causou essa inesperada traição. “A Toda Prova” (Haywire, 2011) é uma produção de ação e espionagem escrita Lem Dobbs e dirigida por Steven Soderbergh. O filme que é recheado com um elenco estelar típico dos filmes de Soderbergh, essa produção tem nomes no elenco como Michael Fassbender, Ewan McGregor, Bill Paxton, Antonio Banderas, Channing Tatum, Michael Douglas e Gina Carano. Estrelado pela famosa lutadora de MMA, Gina Carano, as cenas de ação foram todas realizadas pela habilidosa lutadora. Entre muitos astros, a inexperiente atriz também não faz feio diante de seus adversários e confere alguns bons momentos de ação em sua jornada de vingança. Sobretudo, com uma trama simples e de poucos atrativos narrativos, esse é talvez um dos filmes mais fracos de seu realizador.

Os atrativos de “A Toda Prova” são poucos. Embora o espectador possa ver reunido um elenco de peso como somente Soderbergh costuma reunir, a trama simplista dessa produção não se mostra cativante. O roteiro que adiciona todos os elementos conhecidos do gênero sem grande força, sendo que não existe uma exploração de personagens significativa e adiciona alguns elementos de humor que nem sempre funcionam com precisão, Soderbergh falha em conferir um diferencial ao projeto e realmente aproveitar as suas qualidades principais: o elenco. Considerando a reputação dos nomes dos atores, o filme transparece uma ligeira intenção de ser uma conveniente ocupação para os envolvidos enquanto não aparece um projeto realmente válido. É inegável que toda a excelência possibilitada pela experiência dos envolvidos está presente no filme, mas num projeto tão limitado em sua forma e essência que para quem está familiarizado com a filmografia do cineasta e do elenco principal, é impossível para o espectador não conter a decepção após ver algumas cenas (o destino idealizado pelo roteiro para o personagem de Ewan McGregor é simplesmente constrangedor). O filme é Interessante até certo ponto, isso pelas cenas de ação convencionais que funcionam ao modo do diretor ou pela aparência elegante e refinada da produção, mas ao mesmo tempo ainda é decepcionante em sua totalidade. Por fim, “A Toda Prova” se mostra um descompromissado passatempo dotado de algum refinamento que tenta alçar uma nova estrela para o gênero de ação, mas que apenas produz um exemplar descartável que possivelmente poderia ser encabeçado por qualquer atriz conhecida que teria o mesmo efeito para a plateia.

Nota:  5,5/10
________________________________________________________________________

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Crítica: Os 33 | Um Filme de Patricia Riggen (2015)


Em 2010, 33 mineiros da cidade de Copiapó, no Chile, que trabalhavam em uma mina passaram por um teste de resistência inédito para o mundo. A mina após demonstrar sinais de perigo, acaba desmoronando e soterrando os trabalhadores a centenas de metros de profundidade. A única saída da mina está bloqueada, o rádio para pedir ajuda está quebrado, o kit de primeiros socorros está vazio e os poços de ventilação que não possuem as escadas a certa altura se tornam inúteis. Além do mais, há pouca comida armazenada para tantos homens, e considerando as dificuldades de acesso do resgate, talvez não haja tempo suficiente. Quando os donos da mina afirmam não terem condições de fazer o resgate, os dando como mortos, o governo chileno decide intervir na ação com uma ajuda internacional e contra todas as probabilidades, um milagre acontece quando após 69 dias todos os mineiros são resgatados com vida. “Os 33” (The 33, 2015) é um drama biográfico escrito por Mikko Alanne, Craig Borten e José Rivera. Dirigido pela diretora mexicana Patricia Riggen, o filme é baseado em eventos reais retratados no livro do jornalista americano Hector Tobar. Estrelado por Antonio Banderas, Rodrigo Santoro, Juliette Binoche, James Brolin, Lou Diamond Phillips e Gabriel Byrne, o filme transporta o espectador para deserto do Atacama e apresenta o desenrolar dos acontecimentos que fizeram por cerca de mais de dois meses os olhos do mundo se voltarem para Chile com solidariedade.

Rico em detalhes, brilhantemente interpretado e intenso nas emoções, “Os 33” funciona ao que se propõe: contar o quanto difícil foi resgatar os mineiros das profundezas da terra. O filme conta com diferentes perspectivas os acontecimentos que ocorreram, ao demonstrar os obstáculos das equipes de resgate de encontrar e salvar os mineiros na superfície. Isso ao mesmo tempo em que eles, soterrados precisam se manter vivos até a chegada do resgate. O tempo, a geografia do lugar e a proliferação de temperamentos inflamados devido ao estresse proporcionado pelas poucas chances de vida que os mineiros têm são desafios que precisam ser superados enquanto o resgate não ocorre. A diretora consegue preencher com competência o tempo, criando cenas lirismo (o banquete imaginário tido como a última refeição dos mineiros que estão desacreditados quanto à possibilidade de serem salvos), cenas de emoção protagonizadas pela atuação da atriz Juliette Binoche que se recusa a aceitar a possibilidade de perder o irmão e as escolhas certeiras de elenco dadas por nomes como Antonio Banderas e Rodrigo Santoro que conferem ao filme atuações de grande brilho aos olhos e aos sentidos. Santoro que normalmente se encontra apagado em filmes estrangeiros, encontra nesse trabalho um de seus melhores desempenhos.

Assim sendo, “Os 33” é um conto de esperança baseado em fatos reais e com um final feliz verdadeiro. Convincente e dramático em sua forma, sua história se trata de uma experiência cinematográfica bem contada narrativamente que aborda a cruzada de diferentes personagens que rondavam a empreitada, e não apenas a dos mineiros. Um dos poucos lamentos talvez esteja no fato do idioma escolhido que renega o nacional do Chile e adota o inglês como escolha, mas que não atrapalha a retratação do trágico desastre e o heroico salvamento desses homens que ao final ainda recebem uma discreta homenagem durante a subida dos créditos finais.

Nota:  7,5/10
________________________________________________________________________

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Cinema e Música: Clube da Luta - Pixies - Where is my Mind

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Crítica: Eu Não Sou um Serial Killer | Um Filme de Billy O’Brien (2016)


John Cleaver (Max Records) é um jovem de 16 anos clinicamente propenso a ser no futuro um assassino em série. E ele sabe disso. Diagnosticado e tratado como tal, ele reluta contra seus instintos. E embora seja obcecado pela história e trajetória publica de assassinos em série, também não tem desejo de se tornar um. Vivendo sobre uma rigorosa doutrina que controla seus impulsos homicidas, e evita que ele realize um assassinato, essas regras são adotadas para o seu bem e das pessoas ao seu redor. Mas quando um verdadeiro monstro e assassino surge misteriosamente em sua cidade, e as pessoas começam a morrer, sua atenção se volta para os mistérios em volta desses homicídios. Porém, descobrir a identidade do assassino é uma tarefa fácil se comparado às dificuldades de impedi-lo e leva-lo a justiça. “Eu Não Sou um Serial Killer” (I Am Not a Serial Killer, 2016) é uma produção de suspense e terror escrita por Christopher Hyde e Billy O’Brien. Também dirigida por Billy O’Brien, esse longa-metragem é adaptado da série homônima escrita pelo escritor de horror e ficção científica Dan Wells, publicada em 2009. Estrelado por Max Records, Christopher Lloyd e Laura Fraser, “Eu Não Sou um Serial Killer” estreou no South by Southwest Film em março de 2016. Essa produção cria uma boa atmosfera de suspense psicológico sem compromisso e ainda reserva uma surpresa diferente para o seu final.

Eu Não Sou um Serial Killer” tem todos os elementos de um bom suspense de terror. Um ambiente comum típico de filmes do gênero; uma atmosfera bem criada que mantem a atenção do espectador do começo ao fim; personagens cativantes e uma trama aparentemente sólida. Mas por que aparentemente? Porque depois que o diretor Billy O’Brien, que lá pela metade do filme já havia provado o seu valor atrás das câmeras, onde trabalhou todo o seu potencial na condução de um produto bastante satisfatório no gênero do suspense e horror, a trama desse filme envereda repentinamente em seu desfecho por caminhos diferentes. O caminho da ficção científica, uma das bases de todo trabalho literário de Dan Wells. E para quem não conhece o foco do trabalho do escritor, pode estranhar o rumo que o filme toma ao fim. Se para uns pode até parecer apelativo, para outros algo desnecessário e para muitos destoante, ainda assim o elemento chama a atenção depois que o espectador já está familiarizado com os percalços de John Cleaver que tenta descobrir quem pode ser o assassino que tem causado medo em sua cidade. Através de um ótimo desempenho de Max Records que mescla bem as nuances de seu personagem com toques de ironia, sua atuação é favorecida pela presença do veterano Christopher Lloyd que faz o papel de um pacato vizinho e de Laura Fraser, a mãe de John.

Sem requer ser mais do que é, “Eu Não Sou um Serial Killer” é um bom filme que pode agradar fãs do gênero. Com uma ótima trilha sonora, uma direção de fotografia bacana e atuações legais, o filme prende a atenção do espectador com eficiência e proporciona alguns sustos bastante válidos para quem gosta. Porém seu desfecho, mesmo que bem anexo à trama principal, esse aspecto pode facilmente causar estranheza para quem não gosta de surpresas de fora de hora.

Nota:  6,5/10
_______________________________________________________________________