quarta-feira, 29 de maio de 2019

Crítica: Quando as Luzes se Apagam | Um Filme de David F. Sandberg (2016)


Sophia (Maria Bello) é uma mulher que tem segredos em seu passado que desencadearam um efeito negativo sobre seu filho, Martin (Gabriel Bateman), que passou a ver uma inexplicável mulher toda vez que as luzes se apagam. Sua irmã mais velha, Rebecca (Teresa Palmer) também em sua infância via essa fantasmagórica mulher e agora junto com seu irmão volta sofrer do mesmo problema. Decidida a descobrir a razão desse assustador fenômeno que parece estar ligado a sua mãe, Rebecca e seu irmão  iniciam uma perigosa investigação que fará da escuridão da noite uma jornada interminável e assustadora. “Quando as Luzes se Apagam” (Light Out, 2016) é uma produção estadunidense de suspense e terror escrita por Eric Heisserer e dirigida pelo sueco David F. Sandberg (responsável pela sequência "Annabelle 2: A Criação do Mal", de 2017 e o sensacional “Shazam!”, de 2019). Inspirado em um curta-metragem de cerca de 3 minutos de mesmo nome lançado em 2013, e também dirigido pelo próprio Sandberg, o seu trabalho viralizou na internet a alguns anos e despertou o interesse de James Wan que produziu apadrinhando um longa-metragem inspirado no curta. Repleto de clichês, boas atuações por parte de Teresa Palmer e Gabriel Bateman, uma atmosfera competente, o filme rende bons momentos de tensão e explora com uma boa dose de criatividade as infinitas possibilidades da escuridão. 

O medo do escuro é talvez um dos medos mais clássicos da humanidade e a adição concreta de um fantasma a esse medo não é uma das ideias mais originais do mundo. Mas “Quando as Luzes se Apagam” explora esse aspecto com alguma consciência do risco e adiciona obviamente uma trama de mistérios em volta disso que manifesta uma necessária investigação que até funciona muito bem. Embora filmes como os da franquia “O Chamado” ainda são imbatíveis nesse quesito. Os momentos tensos permeados pelas sombras que resultam eventualmente em sustos ganham um fôlego com o acender das luzes, e o elenco segura bem o material de pouco peso do roteiro que tinha como base uma inspiração minimalista. O filme não chega a ser a reinvenção da roda, mas mantem a atenção do espectador com um bom nível de funcionalidade. A história é necessariamente engordada para justificar sua duração e a realização segue uma cartilha de produções semelhantes do gênero que aborda dramas de família sobrenaturais. É fato que realizar algo original nesse âmbito é um desafio quase que intransponível diante de milhares de filmes de terror parecidos como esse. Por essa razão que “Quando as Luzes se Apagam” não se arrisca a fazer. Sua proposta é mais de apresentar algo bem feito em termos de aparência, com desenvolvimento enxuto, atmosfera bem construída que leva a um desfecho ligeiramente ousado que o liberta de qualquer frustração comum. 

Por isso “Quando as Luzes se Apagam” é um bom filme de terror despretensioso, realizado com um orçamento modesto e sem astros e estrelas no elenco. Pode-se afirmar que até entrega muito considerando o pouco que tinha a sua disposição. De certa forma, apenas entrega o que sugeria ter em mãos, sendo que nunca havia feito mesmo, promessas grandiosas ao seu público. E talvez seja por isso que ele se saia tão bem diante do público, pois não quer ser algo memorável. Eu diria que apenas um bom filme de entretenimento em seu gênero.  

Nota:  7/10

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