quarta-feira, 19 de junho de 2013

Crítica: Homem de Ferro 3 | Um Filme de Shane Black (2013)



É como certa vez me disseram: “Não precisa necessariamente gostar de revistas em quadrinhos para gostar do Homem de Ferro”. De certo modo, não deixa de ser verdade essa afirmação, pelo fato do primeiro episódio de "Homem de Ferro" (2008), ser regularmente mencionado como insuperável. Entretanto, o uso abusivo e sem responsabilidade dessa inesgotável fonte de inspiração, tem desgastado o público e fardando alguns icônicos personagens ao fracasso (se não de bilheteria, mas de crítica), em função de não encontrarem (porque não procuraram) o tom certo para sua transposição. Basta vermos a quantidade de lançamentos anuais oriundos das páginas de HQs. Praticamente criou-se consequentemente um subgênero cinematográfico sobre esse formato de cultura. E nessa infestação de produções similares que possuem como inspiração os famosos personagens dos quadrinhos, envolvidos em tramas fantásticas distantes da realidade,  nem todos conseguem encontrar a redenção na telona, em virtude da padronização do formato e da narrativa adotada - nem sempre o que funciona para um, funciona para todo mundo. Muitos personagens tem particularidades que requerem uma abordagem própria, distante de generalizações. Naturalmente, como já haviam me dito no passado, esse não é o caso de “Homem de Ferro 3” (Iron Man 3, 2013), produção escrita e dirigida agora por Shane Black, que dá continuidade ao sucesso do universo da Marvel Comics nas telonas. Um dos elementos que diferenciam o Homem de Ferro de outros super-heróis é o fato de que o seu alter-ego,  o excêntrico, arrogante e milionário Tony Stark (Robert Downey Jr.), com ou sem seu traje de herói, se mostra um show para essa produção e um lucrativo negócio para Marvel Studios. E provavelmente sabendo disso, os responsáveis por essa produção não se abstiveram de conceder mais tempo de tela ao ator do que propriamente ao personagem. Evidentemente, rechearam essa produção com repertório de trajes diferenciados, pois querendo ou não, o alcance do personagem vai além da tela (leia-se brinquedos).   
  
Após os eventos ocorridos em "Os Vingadores" (2012), Tony Stark/Homem de ferro (Robert Downey Jr) vem sofrendo de uma crise de ansiedade pós-existencial. Ele percebe que seu poder não é apenas único, como também não é supremo. Antigos conhecidos: a bióloga Maya Hansen (Rebecca Hall) e o cientista Aldrich Killian (Guy Pearce) entram em cena trazendo soluções e problemas para o milionário. Para piorar, surge um antagonista à altura de suas habilidades, tão ou até mais inteligente, e com plena consciência de suas fraquezas. Mandarim (Ben Kingsley) líder do grupo terrorista Dez Anéis espalha terror pelo mundo, destrói a vida pessoal de Stark, fazendo de uma meta pessoal impedi-lo. Mas as pessoas que ele tanto ama, como Pepper Pots (Gwineth Paltrow) e fiéis seguidores, como James Rhodes (Don Chandle) intitulado Patriota de Ferro, correm o risco de serem afetados em retaliação pela figura do herói Homem de Ferro. E nesse confronto de grandes mentes, vem a resposta a pergunta que não quer calar em sua mente: o homem faz o traje, ou é o traje que faz o homem? A resposta veio através desse longa-metragem que humaniza o herói por trás da armadura. 


De forma geral, esse filme dá sequência ao sucesso alcançado pelo personagem, que é armado com uma dose expressiva de humor (infantilizado, cortesia da parceria Marvel com a Disney) e ação (de efeitos visuais milionários mostrando o destino do orçamento aplicado de 200 milhões), se apresentando uma opção de entretenimento bem realizada, que não destrona o primeiro episódio, mas supera certamente o segundo. Shane Black, apesar da pouca experiência atrás da câmeras,  tendo apenas um longa-metragem sob seu comando (o excelente Beijos e Tiros, 2005) não decepciona e mantém uma boa regularidade. A sua participação na composição do roteiro - e sua larga experiência nessa função - provavelmente o favoreceu na condução da trama, que a ser ponto, apenas cambaleia sobre suas origens, onde alguns personagens foram articulados de modo mais funcional dentro da trama. Se os vilões anteriores pecavam por não oferecerem uma ameaça real ao personagem em seus filmes solo, o Mandarim era a promessa adiada que se cumpria, mesmo que um pouco diferente da apresentada nas páginas das HQs. A redução do Patriota de Ferro é que incomoda no enredo. Pepper Pots ganhou em contrapartida um destaque um pouco forçado e assumidamente Hollywoodiano. Sobretudo, Robert Downey Jr está para Tony Stark, como Christopher Reeve estava para o original "Superman" (1978): imbatível, mesmo que puritanamente mais sóbrio do que os fãs apreciem. Obviamente trata-se de um filme para a família, o que não lhe cabe bem a estampa de super-herói alcoólatra. Tem criança assistindo, e representando esse público na telona também. Mas "Homem de Ferro 3" não é apenas uma produção em prol da diversão garantida. Trata-se também, de uma produção cinematográfica que evidencia os rumos dos personagens da Marvel pós associação com a Disney. Enquanto a DC Comics procura espremer realismo de seus produtos, a Marvel demonstra sumo interesse em propagar fantasia e lirismo de seus produtos, ampliando sua gama de consumidores. Se de um lado ela ganha em quantidade, pelo outro perde pontos pela questão da qualidade representativa do que está vendendo. Por que no fim das contas mesmo, Homem de Ferro não passa mesmo de um brinquedo legal nas mãos de uma criança, que vai inevitavelmente perder a graça, até a próxima aquisição. 

Nota: 6,5/10          

5 comentários:

  1. Gostei da visão: mantem a regularidade.

    Daria nota 7. Mas, acho que 6,5 está bom também. kkk

    abraços

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    1. É! Talvez eu esteja sendo um pouco severo demais, para não dizer, rabugento. Mas se o próximo longa da Disney se comportar melhor, eu aprovo com média, e olha lá! rsrsrs

      abraço Renato

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  2. O Sr deu até uma nota generosa, e ao contrário de mim, achou esse melhor que o segundo. Eu sempre penso comigo sobre o por quê das pessoas não gostarem do segundo. Tirando o final broxante, eu achei um filme muito bem executado, além dar um desenvolvimento lógico ao primeiro, como o fato do governo querer as armaduras para o Estado. Sem falar dos sons do AC / DC que tiveram uma melhor execução, e a cena a qual o Mickey Rourke contronta Stark a primeira vez é fascinante. É o tipo de cena de ação que eu me decepcionei com o primeiro não ter.

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    1. Particularmente gosto mais do segundo do que desse (e muito por causa do Mickey Rourke). Mas o primeiro é imbatível!

      abraço

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