domingo, 22 de novembro de 2015

Crítica: Esporte Sangrento | Um Filme de Sheldon Lettich (1993)


O ex-militar e habilidoso capoeirista, Beret Louis (Mark Dacascos) recentemente retorna do Brasil a sua terra natal. Em Miami, nas redondezas do bairro onde cresceu, Beret é confrontado com um panorama bem diferente do que imaginava do lugar onde cresceu, onde no decorrer dos anos em que esteve afastado a criminalidade e o tráfico de drogas tomaram o controle do futuro do bairro e consequentemente dos jovens que ali habitam. Buscando fazer a diferença, Beret reúne através da escola um pequeno grupo de jovens delinquentes e rebeldes sem causa num rigoroso treinamento de capoeira que pode conferir a eles além de curiosas habilidades marciais, também lhes proporcionar um senso de respeito mútuo e esperança que jamais imaginavam ter. Mas uma tarefa que naturalmente já seria difícil de ser executada por Beret, ainda tem num perigoso chefe de gangue outro obstáculo, pois o criminoso fará de tudo para manter o panorama inóspito do bairro que lhe oferece lucratividade. “Esporte Sangrento” (Only The Strong, 1993) é uma produção de ação estadunidense que tem contornos de pioneirismo ao abordar a Capoeira (arte marcial típica da cultura brasileira) de forma expressiva, não somente nas sequências de ação marcial, mas no próprio enredo. Dirigida por Sheldon Lettich e protagonizada por Mark Dacascos, um dos grandes astros de filmes B de ação dos anos 90 (e que até chegou a virar membro de elenco de apoio de luxo em produções hollywoodianas na década seguinte), o resultado dessa produção se nivela positivamente na memória de muitos espectadores, embora esteja repleto de clichês e nenhuma originalidade válida além de sua iniciativa pioneira.

Numa mistura de “Mentes Perigosas” com cenas de luta que usam a arte da capoeira para denotar a ação essencial do filme, o longa-metragem “Esporte Sangrento” não chega a ser tão sangrento quanto o título nacional sugere, embora o perigo da eficiência dos golpes seja explícito aos espectadores. Mas o filme em si não é apenas um desfile de vislumbrastes acrobacias, sendo que há uma necessária busca de redenção em seu enredo que o difere de um simples filme de artes marciais atochados de pancadaria. A antiga filosofia da capoeira é mais aplicada pelo protagonista nos jovens como forma de ressureição de caráter e autoestima (algo quase clichê em filmes esportivos norte-americanos), que segue as exigências do enredo em uma dura realidade. A capoeira é uma forma de recuperar jovens sem perspectivas que se encontram abandonados à própria sorte pelo Estado, ainda que ela também seja usada como recurso de ação. Com atuações niveladas com a produção de baixo orçamento, trilha sonora coerente com a capoeira, um argumento preso às burocracias do objetivo de inspirar atitudes benevolentes e um desenvolvimento que atende aos ávidos fãs de filmes de artes marciais numa boa medida, “Esporte Sangrento” é uma antiguidade comercial bem charmosa do gênero. Longe de ser magistral como vários outros filmes onde o Kung-fu é supremo, mas divertido como deve ser, o filme atende bem as suas necessidades. Os movimentos da capoeira, dos básicos aos mais complexos são bem retratados em boas sequências de luta, onde Dacascos se sai bem e não deixa naturalmente a desejar.

Nota:  7/10
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