terça-feira, 15 de agosto de 2017

Crítica: Mais Forte que Bombas | Um Filme de Joachim Trier (2015)


Quando a realização de uma exposição de arte que homenageia a célebre fotógrafa de guerra, Isabelle Joubert Reed (Isabelle Huppert), que em um trágico acidente de carro perdeu a vida, o planejamento para a realização do evento deixa os familiares, o marido, Gene (Gabriel Byrne), e seus dois filhos, Jonah (Jesse Eisenberg) e o mais novo, Conrad (Devin Druid) reviver de um modo diferente o difícil luto. À medida que a família junta e separa o material necessário para a realização da famigerada exposição, alguns segredos, muitas recordações e vários questionamentos em volta de Isabelle, como esposa, mãe e profissional, abre feridas mal cicatrizadas. As conclusões extraídas de sua morte nunca foram realmente unânimes, e por isso se mostram mais dolorosas do que nunca para todos. “Mais Forte que Bombas” (Louder Than Bombs, 2015) é um drama familiar escrito e dirigido pelo dinamarquês Joachim Trier (responsável pelo conhecido “Oslo, 31 de Agosto”, de 2011). Tenso, frio e deslocado do clima romanceado que habitualmente é adotado aos dramas estadunidenses, Joachim Trier cria um drama familiar interessante de ser acompanhado.


Mas “Mais Forte que Bombas” é um pouco estranho. Porque é estranho acompanhar os desdobramentos dos acontecimentos em volta de Gene, que tenta recomeçar a vida após alguns anos viúvo; o do caçula, Conrad, que com claros problemas de relacionamento com o pai e no colégio se mostra bastante retraído; e Jonah, que acaba de ser pai e demonstra ter dificuldades de assumir as novas responsabilidades que a vida recentemente nos impõe com o passar do tempo. O tom frio com que o cineasta pinta sua ficção familiar é estranho, entretanto ainda assim se mostra válido pela competência com que mescla o passado e o presente através de uma narrativa não linear para contar a história. Enquanto o presente nos faz apresentações e levanta questionamentos profundos, o passado nos trás revelações para podermos gerar nossas próprias conclusões sobre os fatos. Brilhantemente interpretado pelo elenco principal, tudo indica que os nomes que compõem o elenco captaram com consciência a intenção do diretor ao compor desempenhos contidos que representam bem os temas que o enredo explora. Os dramas em volta do sofrimento, da depressão, do distanciamento e das dificuldades de se relacionar são assuntos no qual a história mexe de forma concisa.

É curioso ver que Isabelle, uma fotógrafa que habitualmente vivia em perigosos campos de guerra capturando com sua câmera as imagens mais impactantes possíveis para retrata-la ao mundo de modo legítimo, em seu lar, ela demonstrava pouca familiaridade. É tão triste quanto estranho. Por fim, quando Joachim Trier consegue alçar as qualidades de sua obra à altura de suas estranhezas ou de seu foco incomum, ele faz de “Mais Forte que Bombas” um drama interessante de ser acompanhado.

Nota:  7/10
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2 comentários:

  1. É um drama interessante sobre dificuldades nos relacionamentos.

    O título é mais forte do que filme.

    Abraço

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    1. Ao meu ver, essa produção é mais interessante pela forma que se mostra, do que pelo quê representa. Um bom filme, mas sem grandes passagens ou uma história memorável. Comparado alguns filmes que andei assistindo, posso dizer que até é bom.

      abraço

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