quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Crítica: Prenda-me se For Capaz | Um Filme de Steven Spielberg (2002)


Frank Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio) é um jovem de classe média que mesmo com pouca idade acabou tornando-se um mestre de disfarces. Isso porque com apenas 18 anos, Frank já havia enganado muita gente ao se passar convicentemente por médico, advogado e piloto de avião sem nunca ter estudado para exercer tais funções. De família humilde que passava por dificuldades financeiras, e com pais com problemas na relação, Frank aproveitou suas habilidades naturais de se disfarçar e iludir as pessoas e passou a interpretar o papel da vida que desejasse e como quisesse ao ponto de aplicar golpes milionários sem nunca levantar suspeitas sobre sua figura. Responsável por uma série de fraudes bancárias realizadas em alguns poucos anos, a sua identidade foi durante algum tempo um mistério para as autoridades. Seu sucesso só foi barrado, quando o empenhado agente do FBI, Carl Hanratty (Tom Hanks), com muita obstinação e através do uso de todos os meios possíveis passa a caçá-lo pelo mundo para levá-lo a justiça. “Prenda-me se For Capaz” (Catch Me If You Can, 2002) é um comédia dramática estadunidense escrita por Jeff Nathanson e dirigida por Steven Spielberg. Baseada na vida de Frank Abagnale Jr., que antes mesmo dos 19 anos de idade já havia se passado por diferentes pessoas, seu principal crime foi à falsificação de cheques que de tão bom que era, acabou sendo contratado pelo FBI para ajudar na captura de outros falsários em atividade. Curiosamente uma significativa parcela dos métodos adotados pelos bancos hoje para legitimar cheques e evitar fraudes foram criações dele.

Aclamado pela crítica especializada e adorado pelo público em geral, “Prenda-me se For Capaz” é um filme que agrada com facilidade. Erguido com base numa história fascinante de uma figura desconhecida, Spielberg entrega um filme bem ajustado. Brilhantemente protagonizado por Leonardo DiCaprio e Tom Hanks, essa produção equilibra com precisão humor e dramaticidade como poucas obras de retratação biográfica conseguem. A visão de Steven Spielberg para a trajetória de Frank com o foco no entretenimento é bem vinda e muito bem sucedida, ainda mais pelo fato de que, o roteiro aproveita bem os vários aspectos dramáticos em volta do personagem, como as motivações do jovem criminoso (sua forte ligação com o pai, interpretado por Christopher Walken, e seu forte desejo de mostrar que ele é capaz de vencer na vida, como reaproximar os pais separados). O desempenho de DiCaprio somente não é maior do que suas façanhas em tela. A jornada de Carl Hanratty é outro ponto forte da trama, elevado pelo desempenho de Tom Hanks e novamente favorecido pelo roteiro ciente de sua proposta. O filme ainda tem uma participação especial da atriz Jennifer Garner, na época conhecida pelo seriado “Alias: Codinome Perigo”, desempenhando o papel de uma inocente garota de programa que se deixou enganar pela convincente atuação de DiCaprio.

Prenda-me se For Capaz” é o resultado de um filme de entretenimento de alto nível. Construído com a elaboração típica dos filmes de Spielberg, onde a produção é enriquecida com detalhes de cenografia e direção de arte que retratam a época em que os fatos se passaram com precisão, o filme lança o público numa onda de lamento e admiração pela figura de Frank Abagnale Jr.. Por isso, os incidentes que acompanham os percalços de Frank, desafiando a lógica e fazendo o espectador duvidar da veracidade da inspiração, como também os momentos memoráveis entregues pelos dois atores principais durante quase duas horas e meia de duração, são parte de um bônus de um trabalho bem realizado de um conjunto de escolhas bem feitas. As dificuldades de acreditar na fantástica trajetória de vida de Frank Abagnale Jr. são dissolvidas com competência do conjunto da realização.

Nota:  8/10
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