sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Crítica: Deus Branco | Um Filme de Kornél Mundruczó (2014)


Lili (Zsófia Psotta) é uma jovem estudante que é obrigada a passar algum tempo morando com seu pai, Dániel (Sándor Zsótér) em um apartamento. Para sua companhia, Lili leva seu devoto cão de estimação chamado Hagen. Porém, a presença do cão torna-se uma intransigência para a permanência da filha, assim Dániel abandona a própria sorte o animal numa movimentada rua. No entanto o cão se mostra determinado a reencontrar a menina após uma série de abusos e atrai para si um grande número de cães de rua que iniciam uma revolução contra a opressiva raça humana. “Deus Branco” (White God; Fehér isten, 2014) é um produção dramática húngara escrita por Kornél Mundruczó, Viktória Petrányi e Kata Wéber. Dirigido por Kornél Mundruczó, o filme foi levemente inspirado no romance Desonra, do sul-africano J.M. Coetzee. O filme ganhou um lugar de destaque após estrear no Festival de Cannes 2014, sendo selecionado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015, mas não obteve êxito e acabou não sendo indicado. Premiado em Cannes com o Palme Dog (uma espécie de Oscar que é concedido a filmes, pelo desempenho de interpretação de cães verdadeiros ou digitalizados), essa produção reinventa os conhecidos filmes de cachorro e apresenta um material recheado de cenas de ação com toques de substância inesperada nas entrelinhas.

Deus Branco” é entre várias coisas, uma impressionante metáfora sobre racismo e xenofobia contada de uma forma bastante original. Essa premissa familiar na qual uma minoria sofre com o preconceito de uma raça dominadora é levada a tela de uma forma diferente. Sendo que curiosamente o conceito de “raça” é levado ao pé da letra pela narrativa, o diretor Kornél Mundruczó trabalha bem a ideia. Isso porque nesse caso, o conceito de raça dessa produção é focado em um cão, mestiço, refém do domínio humano e sem poder sobre sua condição. Dividido em três atos, o filme começa leve e é elevado a um nível dramático deslumbrante. Por fim, o seu terceiro ato é mais brutal e apavorante. Se o filme começa com os contornos de uma aventura ao estilo de “Lassie”, o filme termina nos moldes de “Os Pássaros”, de Alfred Hitchcock. Sem a interferência de recursos digitais, os animais que transitam por todo filme são todos animais reais coordenados por adestradores. A cena mais impressionante, que inclusive se apresenta duas vezes no filme, é a cena de abertura onde a cidade está com suas ruas desertas devido a repercussão que o enredo objetiva atingir, apenas Lili montada sobre uma bicicleta é confrontada com uma gigantesca matilha de cães descontrolados. É poesia, requinte visual e muita substância no mesmo filme.

Distante de se encaixar no estilo de filmes de Sessão da Tarde, “Deus Branco” surpreende pelas qualidades de sua proposta que é desafiadora de ser realizada. Além de criar uma construção de personagens válida para o elenco humano do filme, também confere passagens marcantes para os animais que transitam pela tela. A revolta dos animais talvez não seja dotada de realismo, mas funciona para dar a mensagem ao espectador. Embora haja uma incógnita, presente em seu título, que não consegui entender ou associa-la a algo claro. Provavelmente só faça sentido na Hungria.

Nota:  7,5/10 
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4 comentários:

  1. Essenfilme coloca briga de cães no início????Ridículo essa m...Poderia ter Conta do história sem isso.

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  2. Gostei muito. Excelente atuação da menina, excelente fotografia, final surpreendente (quem duvida que a música tenha esse poder de amansar feras?). O filme mostra com total realismo o que é a vida dos cães de rua. E sim senhora, dona Sandra, muitos humanos podres ganham dinheiro transformando cães mansos em agressivos para disputar rinhas. Infelizmente. Pobres cães. O mundo real não é sorvete de morango não.

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  3. Me emocionei muito. Esse filme retrata a verdadeira história de um cachorro sem raça definida abandonado nas ruas à mercê de monstros como os rinheiros, os centros de zoonoses e as pessoas preconceituosas. O que eu gostaria de saber é se houve respeito com a integridade física para com os animais utilizados no filme pelo realismo das cenas.

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  4. Obrigado a todos pela visita e suas contribuições.

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