sábado, 18 de junho de 2016

Crítica: O Lobo de Wall Street | Um Filme de Martin Scorsese (2013)


Já não é de hoje que filmes biográficos estão na moda. E considerando o bom nivelamento dos filmes que vem sendo lançados nos últimos anos reconhecidamente visto em cerimônias de seletos festivais e premiações pelo mundo todo, isso demostra uma positiva tendência do cinema contemporâneo. Entre histórias de estimadas figuras públicas, pessoas revolucionárias de visão e trajetórias pessoais de superação que funcionam como uma forma de inspiração ao público, esse subgênero tem ganhado gradativamente um grande destaque em premiações de renome e ainda assim obtido um grande sucesso de público ao redor do mundo. Embora a maioria das histórias reais contadas no cinema são sobre figuras ou atitudes heroicas realizadas no passado por pessoas conhecidas ou publicamente anônimas, algumas outras cinebiografias são curiosamente sobre pessoas e ações menos nobres, mas em alguns casos igualmente fantásticas. Esse é o caso de “O Lobo de Wall Street” (The Wolf of Wall Street, 2013), uma produção dramática estadunidense inspirada na vida e nas memórias de Jordan Belfort. Baseado no livro de mesmo nome, o roteiro desse longa-metragem foi escrito por Terence Winter e dirigido por Martin Scorsese, onde acompanhamos a trajetória de ascensão e queda de um ambicioso corretor da bolsa de valores chamado Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) que se envolveu em série de crimes de fraude e corrupção em Wall Street na década de 90; e hoje dá palestras do tipo “faça o que eu digo, mas não faça o que eu fiz porque no final das contas você vai se dar mal”.

O Lobo de Wall Street” é alucinante e enlouquecido de uma forma positiva. Todas as excentricidades e exageros apresentados no desenvolvimento desse filme ganham um tom cômico consciente que é capaz de extrair do espectador um leque variado de reações diferentes das mesmas cenas. Na maioria das circunstâncias, as ações surreais protagonizadas por Leonardo DiCaprio e seus comparsas poderia facilmente causar desprezo, mas a câmera de Martin Scorsese retrata esse repugnante conto de ambição regado a drogas com um toque de comédia bem-humorada. A ultrajante trajetória de Jordan Belfort é tão revoltante quanto bizarra pela forma que é contada, e crer que essas jornadas de impunidades as quais eles passavam nunca encontrariam a devida punição é quase inacreditável. “O Lobo de Wall Street” pinta um quadro colorido e decadente do setor financeiro que é conduzido por membros imorais, gananciosos e sem escrúpulos. Scosese não faz concessões em mostrar tudo isso de forma tragicamente hilária. Mas isso em suma, não é um defeito para obra do cineasta, e sim uma grata qualidade que faz sua longa duração passar voando. Enquanto DiCaprio entrega um desempenho fantástico para sua carreira, Jonah Hill como seu sócio rouba várias cenas do astro e se mostra uma grande surpresa para um conjunto de grandes interpretações. 

O Lobo de Wall Street” concilia de modo equilibrado informação e entretenimento com um nível de qualidade impressionante que somente um cineasta como Martin Scorsese, com a bagagem de experiência que tem atrás das câmeras poderia imprimir a um trabalho tão louco quanto esse filme. De atmosfera estrategicamente bem elaborada, ótimas atuações e um desenvolvimento perfeitamente capaz de desencadear polêmica, o resultado desse longa-metragem é energizado pelo conjunto bem comprometido com a intenção de causar reflexão. Tudo que é mostrado na película não é a glorificação do absurdo, mas a apresentação da solidez do sensato.

Nota:  8,5/10
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8 comentários:

  1. esse filme é incrível. di caprio está maravilhoso. eu acho que biografias sempre devem ser contadas em qualquer expressão cultural. o biografado de o lobo era muito sem noção para dizer o mínimo. beijos, pedrita
    comentei sobre esse filme aqui http://mataharie007.blogspot.com.br/2015/06/o-lobo-de-wall-street.html

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    1. Gostei muito do filme e ele merecia uma resenha, mesmo que tardia. Show!

      Bjus

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  2. Olá Marcelo, gosto muito do seu blog e sou seguidor dele. Como sempre tem ótimas críticas e excelentes filmes selecionados. Infelizmente tenho percebido que nos últimos anos as atividades dos blogueiros têm diminuído (eu também me incluo nessa) e provavelmente você deve ter sentido alguma mudança em relação a frequência de leitores por conta de outras redes sociais. Para tentar melhorar o interesse e acessos vou reativar em meu blog a parte de blogs parceiros. Tinha tirado porque vi que muitos que tinha adicionado pararam de alimentar suas páginas. Agradeço por ter mantido o meu em sua lista e vou adicionar o seu ok?

    Sucesso para nós!

    Att Guilherme

    http://acervodocinema.blogspot.com.br

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    1. Obrigado Guilherme. Desejo tudo de bom em sua retomada. Infelizmente são poucos os blogs que permanecem na ativa por longo tempo, que vão sedendo as midias sociais mais modernas ou apenas se extinguindo por completo. Acho válida a sua iniciativa de reativá-lo, tanto pela qualidade dos textos que você confeccionava como pelo meio de divulgação (o blog). Não podemos permitir que o formato morra, mesmo que ele tenha passado por uma fase de sua menor popularidade.

      abraço

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  3. O estilo alucinado e engraçado da narrativa é perfeito para explicar o mundo louco de Wall Street.

    Grande filme.

    Abraço.

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    1. Esse estilo é a máxima do filme. Gosto das atuações e principalmente desse aspecto.

      abraço

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  4. Parabéns pelo ótimo texto, Marcelo. Sua resenha é correta ao dizer sobre a apreciação pelo gênero biografia. Eu me incluo nessa porque sou simplesmente fascinado por cinebiografias e principalmente filmes que falam sobre filmes!

    Bom, "O Lobo de Wall Street" é o melhor trabalho de Martin Scorsese com Leonardo DiCaprio que merecia muito mais o Oscar por esta interpretação do que no também excelente "O Regresso", que é um filme muito mais merecedor pelas tecnicidades.
    "Lobo" já é um baita filmaço daqueles que te deixa alucinado como os personagens o são. Scorsese conhece bem o ramo dos bandidos, gangsteres e todo esse universo regado a cocaína, violência e foras da lei. Dessa vez ele faz uma crítica certeira sobre os problemas que o dinheiro pode trazer. Tem algo parecido com "Os Bons Companheiros" e "Cassino" sobre ascensão e queda, mas, por ser uma comédia rasgada sobre uma premissa sombria, ele inteligentemente fez algo como "Dr. Fantástico", de Kubrick. Por isso que eu acredito que "Lobo" será um filme que ecoará para sempre. Todos lembrarão que é uma comédia.
    Obrigado pela visita e por linkar meu blogue. Tô linkando o seu ;)

    Abraço.

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    1. Obrigado Rodrigo, por sua visita e seu precioso acréscimo em relação ao trabalho de Scorsese.

      abraço

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