terça-feira, 20 de junho de 2017

Crítica: Campo de Jogo | Um Documentário de Eryk Rocha (2014)


A paixão pelo futebol, principalmente a que reside no coração do brasileiro é capaz de elevar, obviamente no imaginário de cada um dos competidores e de sua torcida, o mais despretensioso dos torneios a um patamar bem mais elevado do que muitas vezes se mostra realmente. Porque o futebol, para o brasileiro não é apenas um esporte, mas uma paixão crônica, inexplicável e digna de ser eternizada seja por sua história ou pelas suas possibilidades. O futebol se mescla a uma série anseios e expectativas, exigindo não somente do corpo, mas da alma do praticante e do torcedor. O espirito de competividade que muitas adormecido no brasileiro, se inflama de uma forma como em nenhuma outra circunstância e o desejo da vitória a todo custo transcende a ação e o tempo. O futebol para o brasileiro é marcado de poesia, certezas inabaláveis e confrontos épicos repleto de particularidades. E acompanhar os preparativos do campeonato de futebol das favelas, onde Geração e Juventude disputam a final representando as comunidades Matriz e Central no documentário “Campo de Jogo” (2014), dirigido pelo brasileiro Eryk Rocha (filho do cineasta Glauber Rocha), talvez seja um estudo valoroso da materialização de todo esse amor carregado de particularidades por esse esporte conhecido mundialmente. Esse inspirado retrato de poesia visual sobre o espaço e tempo dedicado ao futebol por jovens da periferia é de um resultado bastante promissor ao mesclar seus dramas pessoais ao campo.

Campo de Jogo” não é feito com o propósito de agradar espectadores que estão habituados a ver o futebol no televisor. Eryk Rocha materializa algo muito mais sensorial, estético e marcado de poesia. A retratação dos preparativos do ambiente que ocorre anterior ao jogo, uma acompanhada nos semblantes tensos dos competidores ao mesmo tempo em que retrata o estresse da torcida, discursos motivacionais proferidos por técnicos amadores, a delicada posição de vulnerabilidade do árbitro, são todos aspectos conferidos e brilhantemente articulados pela câmera de Rocha, que abusa de close up e de slow motion enquanto é acompanhada por uma trilha sonora variada (destaque para a direção de fotografia de Léo Bittencourt que agiganta a modesta disputa). O futebol aqui retratado, o esporte em si é mais mítico, dotado de poesia. Essa associação comum desse esporte a uma espécie de arte é bastante desenvolvida pela narrativa. Por vezes é perceptível que a retratação do gol é a menor das preocupações de Rocha, sendo que sua câmera tem como prioridade as expressões pessoais dos envolvidos e as reações calorosas do público. Mas “Campo de Jogo” não é apenas, ou deseja ser um exercício visual e narrativo apurado que tem como pano de fundo a atmosfera esportiva do futebol de várzea, mas representa de uma maneira fluente e funcional a intensidade da interferência desse esporte no contexto social da sociedade brasileira.

Nota:  7/10
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8 comentários:

  1. Oii Marcelo..
    Esse eu nunca assisti e parece interessante a história.
    Obrigada por compartilhar =)

    Beijinhosss ;*
    Blog Resenhas da Pâm

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    1. Obrigado a você pela vista Pamela. Seja sempre bem-vinda.

      bjus

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  2. Não conhecia este doc, vou procurar.

    Abraço

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    1. Espero que goste. O link: https://filmesonlinegratis.club/1159-campo-de-jogo-2014.html

      abraço

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  3. Olha só, e eu achando que Cinema Novo tinha sido o primeiro filme do diretor, vou procurar esse e assistir, depois volto pra falar mais.

    http://21thcenturycinema.blogspot.com.br/

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  4. Respostas
    1. Eu também não sou um entendedor do esporte. Porém esse documentário se mostra bastante atraente para, justamente pessoas assim. O jogo é apenas o pano de fundo, e o foco está mais voltado em sua influência sobre os competidores e a torcida. Uma visão bacana e bastante peculiar sobre uma competição amadora que ganha contornos de Copa do Mundo pela forma como é encarada pelos cidadãos das comunidades.

      bjus

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