segunda-feira, 19 de junho de 2017

Crítica: Eu, Você e a Garota que Vai Morrer | Um Filme de Alfonso Gomez-Rejon (2015)


Greg Gaines (Thomas Mann) é um adolescente comum que está tentando passar de modo discreto pelo Ensino Médio. Seu circulo de amizades é bastante enxuto, sua rotina de vida sempre se mantem previsível e as suas preocupações com o futuro são muito contraditórias para um jovem adolescente. Mas coisas mudam, quando sua mãe o força a intensificar uma amizade com Rachel (Olivia Cooke) um jovem que mora nas proximidades do bairro e a quem Greg tem pouco contato. A razão dessa inesperada aproximação? Recentemente foi descoberto que Rachel possui leucemia e a mãe de Greg pensou ser uma boa ideia que ele desse uma espécie de apoio a jovem que não tem reagido bem após a notícia. Porém, toda a relutância dessa aproximação quando aos poucos se estabelece um laço de amizade tão forte e surpreendente quanto as razões que iniciaram essa forçada amizade. “Eu, Você e a Garota que Vai Morrer” (Me and Earl and the Dying Girl, 2015) é uma produção estadunidense de drama baseada no livro homônimo de Jesse Andrews, que também assina o roteiro e dirigido pelo texano Alfonso Gomez-Rejon. Sendo seu segundo longa-metragem, Alfonso Gomez-Rejon começou sua carreira como assistente pessoal de grandes nomes do cinema, como Robert De Niro e Martin Scorsese e trabalhou como diretor de segunda unidade de direção para cineastas como Nora Ephron, Alejandro Gonzalez Inarritu e Ben Affeck. Também se especializou na direção de seriados, como “Glee” e “American Horror Story”. Embora pouco famoso, mas bastante experiente, Alfonso Gomez-Rejon entrega um filme que não surpreende que tenha ganhado o Grande Prêmio do Júri e do Público no Festival de Sundance em 2015.

Eu, Você e a Garota que Vai Morrer” é uma produção dramática adolescente que envolve o espectador com calma. Sem atropelamentos narrativos, apresenta apenas o essencial com alguns toques artísticos (há várias inserções de cenas de animação em stop motion no decorrer de todo filme) para familiarizar o espectador com o enredo. O filme deixa isso bem claro, quando o próprio Greg não sabe nem exatamente como fazer isso em uma de várias narrações em off que ocorrem ao longo de todo desenvolvimento da história. Há uma burocrática apresentação dos personagens (salientando algumas nuances específicas de cada um) do ambiente estudantil no qual se passa a trama e do foco da história que gira em volta da doença de Rachel que pega todos de surpresa. Há uma inventiva exploração dessas reações de surpresa, que utiliza o humor como ferramenta de alívio ao enredo pesado e o drama como um sustento mais respeitoso a premissa. Em suma, encontra-se o equilíbrio perfeito entre a comédia e o drama que ameniza e prepara o espectador para essa tragédia anunciada no título. Alfonso Gomez-Rejon se mostra muito criativo na arte de contar histórias, quando deixa o enredo dialogar com a narrativa. Greg e seu único amigo, Earl interpretado por RJ Cyler passam grande parte de seu tempo fazendo filmes caseiros e animações que parodiam clássicos que são articulados dentro da trama como forma de enriquecimento da história principal. Se o elenco adulto cumpre sua função de modo bacana (destaque para o professor de literatura interpretado por Jon Bernthal, o elenco mais jovem é soberbo. A passagem onde Rachel informa a Greg que deseja parar com a quimioterapia, o que gera um profundo debate entre os dois é de uma carga dramática fantástica. Sem fundo musical e sem edição, toda a discussão filmada em apenas um plano sequência, os dois se mostram escolhas de elenco perfeitas.

Eu, Você e a Garota que Vai Morrer” tem um pouco da essência do cinema indie com uma autenticidade própria. O roteiro de Jesse Andrews não tenta vender um manual de etiqueta pronto ao espectador para uma situação como a qual Greg é lançado. O filme ambiciona muito mais, pois indo dos risos as lágrimas, essa produção conta uma história pessoal fictícia com emoção e a devida pungência que o enredo necessita. Há uma tocante pretensão de mostrar que, com uma sincera alegria, pode-se obter conforto, e o verdadeiro companheirismo, pode pelo menos aliviar alguns aspectos da dor, quando não curar. E isso nos leva a um clímax surpreendente aos sentidos, acompanhado da brilhante ideia suplantada na concretização do epílogo de que a vida não termina necessariamente na morte.

Nota:  9/10
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