sábado, 25 de janeiro de 2014

Crítica: A Bruxa de Blair | Um Filme de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez (1999)


Em 1994, três amigos viajaram para Burkittsville, Maryland, Estados Unidos para filmar um documentário sobre uma bruxa que habitou as redondezas das florestas da região. Porém os jovens, Heather Donahue, Joshua Leonard e Michael Williams nunca mais foram vistos e cerca de um ano depois, as imagens foram encontradas, onde o espectador acompanha todo processo de filmagem do documentário e a angustia do trio diante de coisas estranhas que vão ocorrendo incessantemente enquanto buscam voltar a civilização, pois estão completamente perdidos na floresta. “A Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project, 1999) é um documentário fictício escrito e dirigido por Daniel Myrick e Eduardo Sánchez que resultou em um dos mais brilhantes filmes de terror criado pelo cinema independente. Inspirado no documentário “Häxan” (1922) de Benjamin Christensen, a ideia gerou muita polemica em volta do filme dos jovens cineastas. Apresentado sumariamente como baseado em fatos reais, aos poucos em festivais e salas de cinema a proposta foi esclarecida e esse filme foi conquistando uma legião de fãs pelo mundo através de uma influente campanha publicitária realizada pela internet, fazendo com que o site oficial da produção recebesse milhares de acessos em tempo recorde. Orçamentado em 35.000 mil dólares faturou milhões pelo mundo todo sendo um filme constantemente lembrado e parodiado pelo cinema.


Com uma trama simples e uma estética brilhantemente realista, o elenco (que inclusive usaram seus nomes reais para desempenhar seus papéis) conseguem convencer brilhantemente até o mais incrédulo dos espectadores. E muito disso em virtude da simplicidade com que é filmado, onde os próprios atores empunham as câmeras e dialogam num ritmo de improviso. O clima de suspense elaborado pelos diretores intencionalmente, transporta o espectador para o filme e faz com que ele compartilhe das angustias vividas pelos atores. E a bruxa? Talvez essa seja a maior sacada do filme, já que ela não aparece no filme deixando a plateia numa ansiedade incontrolável. Em tempos onde o cineasta tem como prioridade dar aos espectadores o que eles tinham como certo de ver, o trabalho de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez surpreende por não entregarem um produto ajustado a nenhuma fórmula. O desfecho inesperado e simplesmente aterrorizante mexe com a imaginação do espectador, o que faz de “A Bruxa de Blair um filme memorável. Uma produção de baixo orçamento desprovida de efeitos visuais, trilha sonora bacana e de recursos comuns em Hollywood, mas que se mostra pioneira num subgênero que usa o realismo fictício para mexer no imaginário do espectador.

Nota:  9/10
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12 comentários:

  1. Fiquei ansioso para assistir ao filme, na época teve marketing especial.

    Adorei a ideia e o conceito.

    abs

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    1. Assisti no cinema e fiquei tonto com a estética. Primeiro veio a sensação de estranheza, horas depois percebi o brilhantismo da produção. Nunca tinha visto nada igual, sequer parecido.

      abraço

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  2. Eu considero que o marketing foi muito melhor que o filme. Na época assisti no cinema e a câmera nervosa no meio da escuridão era mais irritante que assustadora.

    Reconheço que o filme criou um gênero que rendeu longas melhores.

    Talvez eu precise dar uma segunda chance a obra.

    Abraço

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    1. Considero esse longa insuperável, muito por causa da sequência que se mostrou um lixo, que apenas tentou pegar carona no fenômeno que esse filme se mostrou ser. Sinto falta hoje em dia de filmes assim. Vejo cada vez mais filmes que desperdiçam boas ideias ao se prenderem a um formato convencional. A camera tremida incomoda um pouco sim, mas atende a proposta predefinida pela fita.

      abraço

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  3. Bom, eu classificaria o filme como ´suspense`, e não ´terror`, pois não aparece nada que possa ser chamado de aterrorizante, embora trabalhe com suspense desde a 1ª cena em que eles entram na floresta até a última.
    Mas eu gostei do filme. Até por seguir um padrão bem diferente do que a gente costuma ver, né?

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    1. É verdade. Está mais para um suspense do que propriamente um filme de terror, já que o clima angustiante é o combustível motor dessa produção bem diferente do que estávamos acostumados em ver na época. Bem, hoje já é outra história....

      abraço

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  4. Eu simplesmente adoro esse filme. Terror bem psicológico exatamente por não mostrar nada. Fiquei meses pensando se tratar de uma história real. Surpreendente.

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    1. Verdade. Esse filme mexe com a cabeça do espectador tamanho o realismo de seu formato. Só fui descobrir de que se tratava de um projeto cinematográfico fictício depois que seu título começou a habitar as conversas nas rodas de bar entre amigos que estavam melhor familiarizados com os bastidores dessa produção.

      abraço

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  5. Esse é um dos filmes mais lucrativos da historia (custou menos de 30 mil e faturou mais de 200 milhões). A campanha de marketing ajudou muito no filme, a primeira vez que assisti achei sem graça, mas depois comecei a sacar o filme e achei muito bom (que viajem minha). Esse filme não teve a ideia tirada do Cannibal Holocaust de se criar um documentário ?

    Filmelixo

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    1. Também admiro cineastas que conseguem fazer muito com pouco. Apesar que os filmes posteriores da dupla responsável por "A Bruxa de Blair" foram bem regulares se comparado ao brilhantismo da estreia dessa produção.

      abraço

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    2. Ah! Já tinha ouvido falar desse Cannibal Holocaust, mas nunca o assisti. Parece que "A Bruxa de Blair" tem uma correlação inspirada com esse projeto também. Um dia desses pretendo conferir.

      abraço

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    3. Cannibal Holocaust tem no meu blog
      http://filmelixo.blogspot.com.br/2013/05/cannibal-holocaust-o-filme-mais.html

      Abraço

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