sexta-feira, 20 de maio de 2016

Crítica: Uma Saída de Mestre | Um Filme de James F. Gray (2003)


Filmes de golpe são comuns no cinema. Um subgênero de inegável sucesso e aceitação de público. Na maioria dos casos, esses filmes seguem um pequeno repertório de regras e fórmulas de eficiência comprovada que são capazes de alçarem o resultado ao sucesso ou a uma simples estatística. Na maioria apenas servem como uma fuga de entretenimento fácil. Mesmo com inúmeros exemplares sendo lançados anualmente, a maioria se perde no convencionalismo do gênero e caem no esquecimento do público. Assim sendo, o nível de sucesso ao qual atingem acaba dependendo única e exclusivamente da empatia do público pela disposição dos elementos que compõem o conjunto. Enfim, ao longo dos tempos não há um ano sequer que esse gênero não seja revisitado, e ocasionalmente surgem alguns filmes legais que merecem serem relembrados. “Uma Saída de Mestre” (The Italian Job, 2003) é um thriller de crime estadunidense escrito por Troy Kennedy-Martin e tem o roteiro de Donna Powers e Wayne Powers. Dirigido por James F. Gray, essa produção é baseada em um filme britânico de 1969, chamado “Um Golpe à Italiana”. Trata-se de um remake que é uma mistura equilibrada de entretenimento eficiente em uma realização competente, isso dentro de sua proposta. Em sua trama acompanhamos uma quadrilha de ladrões que unem suas diferentes habilidades para executar mirabolantes assaltos pelo mundo. Mas uma inesperada traição na quadrilha ocasiona o assassinato de um veterano após uma bem sucedida operação em Veneza onde foi roubado cerca de 35 milhões de dólares em ouro. Anos depois do fato, os demais sobreviventes dessa traição traçam um plano de vingança ao qual, com a ajuda da filha do veterano assassinado, elaboram o resgate do ouro roubado deles e a punição do traidor.

Uma Saída de Mestre” é a grata reunião de um elenco bem descolado em meio a uma trama repleta de reviravoltas engendradas por um roteiro astuto. Mark Wahlberg, Charlize Theron, Donald Sutherland, Jason Statham, Seth Green, Mos Def e Edward Norton são nomes que figuram nesse elenco de estrelas. Vários personagens de diferentes naturezas que coexistem em uma delicada harmonia em prol de um ideal comum: punir o ganancioso traidor interpretado por Edward Norton. Essa produção é genialmente elaborada com ótimas passagens de ação, todas sem apelos visuais de natureza artificial ou com extravagantes explosões e tiroteios exagerados, onde toda a ação se apoia na inteligência e na elaboração técnica arrojada. É um bom filme de ação que não tem derramamentos de sangue desnecessários. O uso dos automóveis da linha Mini Cooper nas perseguições é um show a parte; os carros são quase como personagens na trama a tamanha importância das máquinas dentro do enredo, que aproveita bem todo o potencial dos pequenos automóveis. O humor inteligente é outro ponto forte do filme; com bons diálogos e várias passagens divertidas essa produção se assegura como um bom filme de entretenimento leve, formidavelmente conduzido com solidez por James F. Gray. Filmado com agilidade, montado de forma enxuta e detentor de uma trilha sonora empolgante, “Uma Saída de Mestre” é a máxima do que se pode chamar de um filme de ação leve e divertido. Embora esteja afundado em clichês, perdido no convencionalismo do gênero, ainda é inegável que se trata de um produto tão agradável quanto ter um Mini Cooper na garagem de casa.

Nota:  7/10
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