sábado, 27 de julho de 2013

Crítica: Wolverine - Imortal | Um Filme de James Mangold (2013)


De certo modo, não importa o que aconteça, mas Wolverine não morre. Primeiramente na ficção, onde seus poderes de regeneração dificultam a chegada a condição de morto. Depois disso, visto pela perspectiva real do negócio (leia-se comercial), mesmo após o negativo (X-Men Origens - Wolverine, 2009) que era o filme solo do integrante mais cultuado do grupo dos X-Men, o personagem continua com força para continuar sua jornada imortal. Como o universo das HQs está complexamente conectado, "Wolverine - Imortal" (The Wolverine, 2013) não passa de um preparo de terreno para "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido" previsto para 2014 (e sim, é onde a Marvel pensa em ganhar milhões em bilheterias). Mas a diferença entre "Wolverine - Imortal" do filme anterior é que além da fórmula de ação de sucesso aplicada, essa produção revela-se mais próxima da essência do personagem. Só isso já lhe confere alguma credibilidade. Infelizmente ainda está longe de ser impecável, porém o conjunto da obra conduzida por James Mangold está anos luz a frente do resultado conturbado promovido por Gavin Hood em 2009.


E se essa produção revela-se superior ao filme anterior, muito deve-se ao roteiro que explora melhor as nuances em volta do personagem, que dá oportunidade ao ator Hugh Jackman (em sua sexta interpretação do personagem) mostrar ao público porque ele ainda é a materialização cinematográfica perfeita desse cultuado ícone dos HQs. Em "Wolverine - Imortal" acompanhamos Logan (Hugh Jackman) distanciado do mundo e recluso feito um eremita em um habitat selvagem. Invariavelmente atormentado por pesadelos decorrentes de seu passado (mais especificamente sobre um período passado na Segunda Guerra no Japão) além da perda de um grande amor (Jean Grey), Logan não encontra paz. Quando um antigo conhecido de seu passado no Japão, Yashida (Hal Yamanouchi) a quem ele salvou na guerra o chama através de Yukio (Rila Fukushima) sua protegida, para ir para a terra do sol nascente com o intuito de lhe prestar um último agradecimento por seu ato heroico, Logan se mete em várias confusões passando a proteger sua neta, Mariko (Tao Okamoto). Aos poucos começa a perceber que sua volta ao Japão envolve uma série de mistérios a serem revelados.

O roteiro de Christopher McQuarrie, Mark Bomback e Scott Frank explora bem sua base, aqui focada em um arco de histórias de Frank Miller e Chris Claremont intitulada: Eu, Wolverine. E justamente pela exploração competente desse conteúdo, criou-se um roteiro superior se comparado ao filme de 2009. Aqui, traços relevantes do personagem estão na história (o desenvolvimento de suas motivações, de sua personalidade temperamental e de dramas conflitantes a volta de sua imortalidade) que enriquecem a narrativa, desmistificando essa produção como um produto meramente visual. Naturalmente esse elemento se destaca veemente (considerando que o diretor James Mangold tem priorizado esse fator em seus últimos trabalhos), mas não monopoliza sua narrativa. Habilidoso em conduzir tramas ágeis (Encontro Explosivo, 2010) ou produções de ambientação bem climatizadas (Os Indomáveis, 2007), Mangold se mostra uma escolha acertada a essa sequência. Existe um equilíbrio harmonioso entre a ação (produzida com esmero e requinte visual atribuído a uma direção de fotografia sombria e bem delineada) e a história que faltava para um dos personagens mais humanos do X-Men, ainda pouco explorado com competência desde que os dois primeiros episódios dos X-Men foram lançados.

Se a presença de Jackman se mostra excelente em vista aos filmes anteriores, a presença de seus adversários se apresenta oscilante, apesar do clima gerado sobre a presença do Samurai de Prata. A aparição dos ninjas são um espetáculo de coreografias marciais que floreiam o submundo da Yakuza de modo exagerado. Víbora (Svetlana Khodchenkova) balanceia com uma funcionalidade de tom caricato não negando as origens dos quadrinhos. Infelizmente, apesar dos oponentes serem ligeiramente fascinantes, há uma ausência de expressividade deles na película revertendo de forma negativa no conjunto. Suas presenças soam artificiais diante um longa que se vendia com realista. Consequentemente todo mérito dessa produção se volta para o protagonista (demonstrando que Hugh Jackman é um ótimo ator digno de habitar renomadas premiações) ao se apresentar bem à vontade em seu papel. 

No fim das contas, "Wolverine - Imortal" é uma gratificante aventura, emocionante e com um desenvolvimento simples e funcional. Mostra o brilhante ator que Hugh Jackman representa ser, como também demonstra a importância do personagem diante dos demais integrantes do X-Men, mesmo que essa produção não seja vista pela produtora, com o mesmo carinho que os fãs o veem. Contudo, uma cena pós-créditos fazem a alegria de fãs (não somente de Wolverine, mas do Universo dos X-Men) aguçando a imaginação antes do lançamento de "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido". Imperdível.    

Nota:  8/10
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8 comentários:

  1. Olha só... estava com um pé atrás com esse filme, mesmo com os bons trailers e clipes. mas parece que saiu bem, e fico feliz por isso. Talvez amanhã eu consiga assistir. E fiquei instigado pela cena pós crédito, já que li recentemente " Dias de Futuro Esquecido".

    Abraço!

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    1. Veja e me passe um feedback sobre suas impressões!

      abraço Déh

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  2. Sei que teve muita gente que gostou dos filmes mais recentes dos X-Men, mas eu acho que essa série teria feito melhor em parar no 3º filme. Ali já daria um ótimo fim pra história.

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    1. Particularmente acho que "X-Men O Confronto Final" é todo equivocado. Inclusive pelo nome...rsrsrs Faltou tanta coisa para torná-lo carismático, que não culpo os estúdios de quererem propagar a franquia, já que mesmo sendo um dos episódios mais fracos da série, ainda assim faturou milhões. Duvido que isso venha a parar tão cedo...

      abraço

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  3. Me admira a Marvel não ter enchido esse filme com rostos conhecidos, eles sempre "acham" espaço.
    Pelo poster eu achava que o wolverine ia deixar suas garras de lado por um tempo, pobre de mim. Não conheço o universo dos quadrinhos talvez por isso não tenha gostado tanto.

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    1. Uma das razões pelas quais gostei muito, talvez tenha sido porque esperava ver um provável desastre. De certo modo me enganei!

      abrasço

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  4. Sinceramente.. achei o wolverine mortal,muito" oriental".. apesar de ser um bom filme..e o último xmen foi uma porcaria de roteiro contido..

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    1. Gostei muito desse filme, embora não seja aquilo que esperava conhecendo sua fonte de inspiração (o período descrito na HQ em que passou no Japão). Mas gostei muito mesmo assim. Já filmes como "Dias de um Futuro Esquecido" e "Primeira Classe" são extremamente presos as HQs que os inspiraram, o que naturalmente não agradam tanto pelo descarte de certos estilismos do gênero. Mas todos valem a experiência.

      abraço

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