quarta-feira, 10 de abril de 2013

Crítica: Argo | Um Filme de Ben Affleck (2012)



Quem te viu, quem te vê, hein? Se há alguém com quem esse comentário fecha direitinho, essa pessoa se chama Ben Affleck. Para quem teve uma ascensão meteórica pela premiação de "Gênio Indomável" (1997) com o Melhor Roteiro, Affleck passou mal-bocados na última década atuando incessantemente em produções inócuas. Enquanto amigo e parceiro de longa data, Matt Damon não saia da frente dos holofotes, Affleck amargurava seguidos trabalhos desinteressantes, quando não, retumbantes fracassos. Entretanto, após duas experiências interessantes de direção realizadas por ele, uma em “Medo da Verdade” (2007) e  a outra, “Atração Perigosa” (2010), o longa-metragem "Argo" (Argo, 2012) representa sua consagração na função de diretor e um retorno ao primeiro time de Hollywood. Apesar de premiadíssimo em vários festivais, o Oscar esqueceu de indicá-lo por "Argo" na categoria de diretor, contudo, não deixou de premiar seu trabalho com o prêmio de Melhor Filme. 

Sua história se concentra no final dos anos setenta. Mais precisamente no ano de 1979, quando os aiatolás derrubaram o Xá da Pérsia e fundaram a república islâmica do Irã. É nesse momento conturbado que a embaixada Norte-Americana foi invadida pelos rebeldes muçulmanos e seus funcionários passaram a ser reféns. Porém, cerca de meia dúzia deles permaneceram escondidos na embaixada do Canadá, sob pena de morte caso fossem encontrados. Numa operação de resgate absurda criada pelo agente da CIA Tony Mendez, interpretado por Affleck, cria-se uma produção cinematográfica de ficção científica no estilo blockbuster chamada: "Argo". Com todos os detalhes pré-produção necessários para o plano tornar-se convincente, a CIA usa essa produção de cinema fictícia como pano de fundo para incrementar a difícil missão de resgatá-los antes que sejam descobertos e mortos pelos radicais.   


"Argo" é uma mistura bem dosada de suspense com toques de humor refinado, cuja história baseada em acontecimentos reais, fascina o espectador tanto pela narrativa adotada para contar os fatos ocorridos, como pela própria história de intriga e espionagem internacional. A forma como a trama é apresentada - as filmagens do filme intercalada com imagens reais dos acontecimentos da época recolhida de emissoras de televisão - mostram uma narrativa simples e eficiente. Uma reconstituição de época do período da revolução islâmica bem produzida, mesmo com uma montagem sem novidades, a fita funciona em sua climatização. Affleck desenvolve um suspense político contado de forma convencional, atido de certo modo a contar os fatos sem exageros desnecessários e comprometido em não distorcê-los. O elenco de apoio composto por nomes como Alan Arkin e John Goodman colaboram, apesar da pouca exposição, ao lado de Ben Affleck, para o resultado brilhante dessa produção. Brilhantismo esse que está engendrado principalmente no resgate dos americanos do Irã, traduzida na condução segura da trama, já que o desfecho perde um pouco do clímax, justamente por Affleck  ter se utilizado de seus maiores trunfos no processo. Não prejudica, apenas não enriquece mais o que já chegou ao espectador brasileiro com o estardalhaço de filme indicado ao Oscar de melhor filme, num páreo duro com mestres em ganhar prêmios nessa cerimônia. Altamente recomendável. 

Nota: 9/10 

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10 comentários:

  1. Ótimo filme, muito embora, na minha opinião, não merecia o Oscar de melhor filme de 2012 (o que demonstra que nesse ano o nível estava bom). Acredito que se perde um pouco em correrias no final, emulando um certo clima patriótico que não combina com seu início ácido e contundente.

    Parabéns pelo blog!

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    1. Também achei... o excesso de patriotismo é o calcanhar de aquiles desse longa. Considerando de onde vem, também não é de se admirar... rsrsrs

      abraço Fábio

      obrigado por sua visita

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  2. Um grande filme. Quando o assisti no cinemao ano passado, nem trailer eu tinha visto, foi uma surpresa total. rs

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    1. Assisti depois de ele já ter passado pelas premiações, então esperava consequentemente o melhor! Não fiquei surpreso, contudo, satisfeito com o resultado.

      abraço

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  3. Parabéns pela postagem. Seu blog é muito interessante. Também estou participando do seu blog.

    Um forte abraço.

    http://diogo-pimenta.blogspot.com.br

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    1. Obrigado Diogo. Vou colocar seu link no layot para contribuir com seu iluminado trabalho. Mais uma vez... parabéns!

      abraço

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  4. Apesar do filme ser muito hollywoodiano, principalmente o final, seu início mostra logo de cara a face norte-americana no Irã. É interessante assistir antes do filme Argo o vídeo "assassino econômico" (tem no youtube, 30 minutos) - trecho que compõe o documentário Zeitgeist (recomendo, são 2h de documentário) que fala da autobiografia escrita por John Perkins, ex-agente da CIA -, para entender melhor do porquê da ascensão dos aiatolás no poder!

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