quinta-feira, 25 de julho de 2013

Crítica: Um Método Perigoso | Um Filme de David Cronenberg (2011)


Os trabalhos do cineasta canadense David Cronenberg sempre geram uma grande expectativa entre a crítica e fãs, onde a cada anúncio de lançamento vem seguido de várias especulações (todos querem prever o futuro em volta de suas realizações). Entretanto, às vezes acontece que essas expectativas são maiores do que seus próprios filmes. Por isso, uma das maiores desvantagens de ser um cineasta cultuado (onde os apreciadores de seu trabalho esperam constantemente a realização de projetos de inquestionável brilhantismo) é quando essas expectativas são afrontadas com uma produção de pouco efeito. Nem sempre o apelo por genialidade pode ser atendido, e uma vez ou outra, seu trabalho ganha contornos menos ousados e adjetivos menos acalorados. "Um Método Perigoso" (A Dangerous Method, 2011) converteu-se em completa decepção pelo resultado mediano que apresentou, e acima de tudo, contrário as expectativas. Toda a expectativa que a premissa desse longa-metragem sugeria, apenas resultou em um filme bem realizado e convencional que não reflete a capacidade dos envolvidos, principalmente de seu realizador. Em sua história acompanhamos a princípio quando o Dr. Carl Jung (Michael Fassbender) aceita tratar a doença da jovem Sabina Spielrein (Keira Knightley) através de um método criado por seu mestre, Sigmund Freud (Viggo Mortensen) o pai da psicanálise. Disposto a se aprofundar cada vez mais nos mistérios da mente, Jung testemunhará suas ideias colidirem com as teorias de Freud, como ao mesmo tempo, verá seu código de ética ruir diante de uma paixão conflitante e perigosa.


Embora David Cronenberg traga ao espectador alguns aspectos interessantes da história da psicanálise, ele segue a trajetória rala e superficial do roteiro sem se aprofundar verdadeiramente sobre a questão (ponto de maior destaque é o foco dado ao rompimento entre mestre e aluno). Um dos maiores problemas dessa produção está no roteiro baseado no livro "A Most Dangerous Method" de John Kerr, e na peça teatral "The Talking Cure" de Christopher Rampton (responsáveis pelo roteiro) já que a produção em si é tecnicamente irrepreensível (elenco, figurino e direção de arte estão fabulosos), com uma ressalva sobre a trilha sonora, pouco expressiva. Sua narrativa até começa bem (na apresentação de Sabina Spielrein como ponto de partida) no entanto o progresso torna-se lento, que leva o espectador a uma jornada de constante e repentina descoberta, que nada revela, além de um conflito amoroso sem novidades. E se o desenrolar da história se mostra arrastado, poderia ser pior, caso o competente elenco envolvido não fosse capaz de conferir a devida credibilidade a essa produção. As interpretações estão ótimas, apesar de uma clara preferência sobre o personagem de Jung. O personagem de Viggo Mortensen em teoria é a motivo da existência dessa obra (o qual está interpretativamente bem composto) mas o o filme acaba sendo de Michael Fassbender, já que boa parte do enredo é focado em seus conflitos pessoais e em sua conturbada relação amorosa com Keira Knightley.

De certo modo "Um Método Perigoso" ainda é um bom filme, onde seu maior pecado reside em não atender as expectativas do público, mal acostumados em serem surpreendidos por obras estarrecedoras (leia-se Senhores do Crime e Cosmopolis) cada vez mais frequentes. Dentre suas obras mais convencionais, as quais detinham uma mensagem e seu estilo mais explicito, essa obra perde pontos pela exploração de um melodrama pouco enfático. Como um longa de estudo e conhecimento pode ter suas qualidades encrustadas e ocultas na narrativa (infelizmente distantes do grande público), mas como obra cinematográfica demonstra carência e distância do que se esperava do cultuado cineasta.     


Nota:  6/10
_____________________________________________________________________________

2 comentários:

  1. Eu também me decepcionei bastante com o filme, principalmente por ele não ter conseguido sair do lugar comum. Sua trama acabou se perdendo em alguns clichês que tiraram dele toda a potencial profundidade...

    http://www.sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2013/07/only-god-forgives.html

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fica aquela sensação que poderia ter ficado bem melhor.... eu sei!

      abraço Bruno e obrigado pela visita

      Excluir