quarta-feira, 7 de maio de 2014

Crítica: Gigantes de Aço | Um Filme de Shawn Levy (2011)


O ano é 2020, numa época onde ao invés de haver lutas com esportistas humanos passou-se a se utilizar sofisticados robôs de luta para entreter plateias. Um sensacional espetáculo que levava o público ao delírio e passou a ser uma permanente sensação mundial. Charlie Kenton (Hugh Jackman) é um ex-lutador de boxe fracassado, que desiludido após o crescente desinteresse do público em lutas com pessoas reais busca sobreviver comercializando peças velhas de robôs sem grandes lucros, além de promover combates com lendários robôs sucateados. Com sérios problemas financeiros, num inoportuno momento Charlie é forçado a cuidar de seu distanciado filho de 11 anos, Max (Dakota Goyo) para saldar suas dívidas. Relação esta, turbulenta a princípio na qual uma crescente amizade vem sendo fundida pelo inesperado desempenho de um ultrapassado robô de luta chamado Atom que foi resgatado da sucata e vem ganhando evidência diante de gigantes do ringue. “Gigantes de Aço” (Real Steel, 2011) é uma produção estadunidense de ficção cientifica dirigida por Shawn Levy (deUma Noite no Museu 1 e 2”), que vem com uma proposta de entretenimento que visa mesclar os clichês de filmes de boxe com uma estética robótica erguida com efeitos visuais muito bem projetados. Embora o enredo tenha em seu esqueleto grande potencial pelas mensagens encrustadas em sua narrativa, o roteiro (escrito a três mãos por John Gattins, Dan Gilroy e Jeremy Leven com base de um conto de Richard Mathenson) demonstra ter sido muito mal explorado pelo resultado limitado. Em suma, Shawn Levy entrega um filme simplesmente divertido (para a família) nos moldes de produções da Disney onde crianças têm papéis valorizados e o filme ainda pode produzir inúmeros brinquedos colecionáveis. 

Gigantes de Aço” tem uma intrigante promessa possibilitada por efeitos visuais modernos compilados com técnicas de animação tradicionais que geraram uma indicação ao Oscar 2012 de Efeitos Visuais. Mas não é nas inovações tecnológicas que essa produção busca envolver o espectador (ou pelo menos deveria), e sim, na conflitante relação entre pai e filho protagonizada por Hugh Jackman e Dakota Goyo que até certo ponto, empolga e diverte com um bom nível de emoção em função de algumas passagens cômicas bem distribuídas pelo desenvolvimento. Apesar de que quando os robôs entram em cena, a película ganha um brilho especial que atende ao anseio e expectativas do público de ver com um pouco mais de nitidez o que se sugere nos trailers: fantásticos roubos brilhantemente estilizados que compõem uma gama variada de personagens mecânicos. Robôs que também tem força dramática e esbanjam estilo visual, seja apenas em sua aparência ou nas cenas de ação que se materializam em lutas engenhosamente montadas. Entretanto, não há produção que prospere de modo expressivo somente se apoiando com a estética, já que a trama não é realmente intrigante. Observando que as relações humanas carecem de coração, principalmente em função do limitado desempenho do elenco principal e do desdobramento dos acontecimentos, o filme perde um pouco de seu carisma. Hugh Jackman se mostra pouco evoluído emocionalmente na paternidade, como Dakota Goyo se desprendeu da figura de garoto mimado cheio de razão sem conseguir convencer verdadeiramente. O crescimento de ambos soa ligeiramente artificial. Além do lógico romance entre Hugh Jackman com Evangeline Lily, uma antiga amiga e companheira nas horas difíceis de Charlie Kenton. Há uma justificável presença para todos os personagens, mas que foram muito mal explorados dentro do conjunto. E se funciona razoavelmente bem é devido ao conjunto técnico que chama a atenção e desencadeia empolgação.

Se o elenco não emplaca a dramaticidade necessária para que “Gigantes de Aço” seja realmente grandioso, em contrapartida o conjunto técnico (que além dos efeitos visuais dedilhados por Steven Spielberg através da DreamWorks Pictures) também é composto por uma montagem habilidosa de Dean Zimmerman e uma trilha sonora bem pontuada, essa de responsabilidade do experiente Danny Elfmann que desperta emoções aprisionadas no espectador compensam as faltas de desempenho do elenco principal. E a sacada de mesclar diferentes gêneros em uma única produção não é de todo mal, porém também não mostra nada que ainda não tenha sido visto antes. Ganha preciosos pontos por algumas mensagens de alerta (como a manipulação dos esportes de massa por grandes corporações), gritada em um clímax estranho que mostra que grandes batalhas não são feitas somente de nocautes. Articulando estrategicamente aspectos narrativos de Balboa com uma estética Transformers, o trabalho de Shawn Levy tem o seu valor como produto de entretenimento leve e descompromissado para a família. Qualquer aposta acima disso, pode causar descontentamento.

Nota:  7/10
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