quinta-feira, 15 de março de 2018

Crítica: A Síndrome de Berlim | Um Filme de Cate Shortland (2017)


Clare (Teresa Palmer) é uma fotógrafa australiana que esta de férias na Alemanha e se interessa por Andi (Max Riemelt), um gentil professor secundarista que mora na cidade de Berlim. Carismático, prestativo e atraente, facilmente uma química surge entre os dois. Após uma noite amorosa em seu apartamento, Clare descobre pela manhã que seu parceiro a trancou no apartamento e não tem a menor intenção de conceder a ela a liberdade novamente. “Síndrome de Berlim” (Berlin Syndrome, 2017) é um suspense psicológico escrito por Shaun Grant e dirigido por Cate Shortland. Baseado no romance de mesmo nome escrito por Melanie Joosten, tanto o título quanto o próprio enredo tem como referência a Síndrome de Estocolmo (uma condição que faz com que os reféns desenvolvam uma ligação emocional com seus sequestradores como uma estratégia de sobrevivência durante o cativeiro). Lançado no Festival de Sundance em 2017, o filme foi recebido pela crítica especializada de modo promissor. Entretanto em minha opinião, o material que preenche os 116 minutos de sua duração tem as suas deficiências, principalmente em seu desfecho, um veredito menos favorável ao resultado.


A Síndrome de Berlim” tem uma base de inspiração bastante interessante, mas também de contornos nebulosos e algumas nuances bastante complicadas de serem absorvidas com clareza pelo espectador. Algo que a meu ver se mostrou necessária muito antes do desfecho, que inclusive esperava algo mais impactante. Segundo a própria diretora Cate Shortland, o personagem de Andi procura buscar em plena era da internet em uma Alemanha Oriental romantizada de sua infância e aplica-la em sua vida como uma utopia. Algo no mínimo curioso como ao mesmo tempo desafiador. Imaginar o funcionamento de suas ações em relação a personagem de Clare no cotidiano são bastante difíceis pela forma como a própria produção apresenta. Um pesadelo logístico que ele próprio não demonstra estar encontrando muita satisfação. Digamos assim: “dá mais trabalho do que prazer”. Outra coisa: o cativeiro não é apenas o desejo de saciar a sua imaginária utopia de vida (com direito a constrangedoras sessões de fotos), mas ao longo do tempo, passa a ser o empurrão para a formação de um assassino frio. Algo com que ele pareceu saber lidar tranquilamente. Por isso que “A Síndrome de Berlim” em teoria é mais interessante do que na prática. Embora o elenco principal composto de rostos mais familiares do que de nomes conhecidos, cumpram magistralmente seus papeis apresentado desempenhos formidáveis, todo o enredo se mostra pouco claro.

A Síndrome de Berlim” garante uma premissa intrigante, uma boa dose de tensão e atuações geniais. Porém o filme é longo e de pouco ânimo, que ainda tem um desfecho que dependendo do espectador pode ser a sua glória ou sua desgraça. Se por um lado essa produção não caiu na armadilha de apresentar um final sanguinolento típico do cinema americano, a direção de Cate Shortland opta por algo pouco climático e sem brilho.

Nota:  6/10
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