Com um título nacional fora de contexto, e uma
história em sua premissa até interessante, o cineasta sueco Lasse Hallström (Querido John)-
como também o restante dos envolvidos - falham em dar crédito a essa visão
romanceada de um universo tão peculiar como o da pesca de salmão. Como romance
esse longa não funciona, e como comédia basta ver o trailer para usufruir das
melhores piadas dessa produção. Assim em “Amor
Impossível” (Salmon Fishing in the Yemen, 2011), acompanhamos um xeique
visionário chamado Muhammed (Amr Waked) que busca levar os benefícios da arte
da pesca do salmão para o seu país, ao inserir a pesca esportiva no meio do
deserto independente de quanto isso vá custar. Para realizar seu sonho ele tem
a advogada Harriet (Emily Blunt), incumbida da tarefa de convencer o especialista
britânico no assunto Alfred Jones (Ewan McGregor), na execução da impossível
tarefa. Se não fosse a interferência do governo britânico em consolidar essa
ideia, a princípio absurda, por meio de sua porta voz Patricia (Kristin Scott
Thomas) o assunto jamais sairia da teoria. Num cenário estremecido pela guerra
no Oriente Médio, a criação de noticias positivas é essencial para preservar as
aparências entre os governos. E num panorama de impossibilidades vemos essa fábula
sobre fé e realizações acontecendo a partir do desejo de um homem em
compartilhar o prazer de uma simples pescaria.
De longe, este um dos mais fracos filmes de
Hallström. Com a história baseada no livro de Paul Torday, a trama ganha
contornos cansativos e de pouca emoção. É difícil afirmar qual é o pano de
fundo dessa produção: a pesca do salmão, ou o arrastado romance dos
protagonistas. Enquanto a apaixonante Emily Blunt perde pontos por não traduzir
com expressividade suas dores particulares, e o competente ator Ewan McGregor,
demonstra não ter mais aquele tino para comédia romântica como nos tempos de
filmes como “Por Uma Vida Menos Ordinária”.
E se os protagonistas dessa história não tem um desenvolvimento fascinante, Kristin
Scott Thomas dá um charme a sua personagem como uma espécie de vilã cínica e
manipuladora num cenário sem heróis declarados. Inclusive o ator Amr Waked tem
boas passagens, em sua maioria inspiradoras, que dão uma acentuação adequada à
proposta oferecida pelo roteiro de Simon Beaufoy (Quem Quer Ser um Milionário?). Mas no geral, “Amor Impossível” não agrada
simplesmente por não causar nenhum tipo de emoção legítima, mesmo que fosse essa
um mero desejo de pescar.
Nota: 5/10


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