sexta-feira, 16 de junho de 2017

Crítica: A Caverna | Um Filme de Alfredo Montero (2014)


Quando cinco jovens de férias passam a explorar as belezas naturais de uma ilha de Formentera, o clima de descontração e festa é total nesse pequeno grupo. Mas quando um deles descobre a entrada de uma caverna misteriosa e todos decidem explorar o interior dessa descoberta, ninguém imagina o perigo ao qual estão se submetendo. Depois de algum tempo nessa aventura de exploração, não demora muito para perceberem que estão perdidos no labirinto de passagens estreitas e escuras da caverna. E o maior perigo surge quando despreparados, sem alimentos e esperança de encontrar a liberdade, a situação traz à tona o pior de cada um dos integrantes do grupo, à medida que o tempo vai passando e a saída não é encontrada. “A Caverna” (La Cueva, 2014) é uma produção de suspense e terror espanhola dirigida por Alfredo Montero. Escrita por Javier Gullón e Alfredo Montero, por aqui foi lançada na 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo após ter passado por alguns outros festivais pelo mundo (sua estreia foi no Festival de Cinema de Roterdã). Filmado no estilo Found-Footage (produção que simula um falso documentário que é gravado com câmeras pouco profissionais e pelos próprios atores), exibe boas ideias, uma atmosfera tensa e nervosa e recheia o desenvolvimento do material com cenas viscerais capazes causar grande desconforto.

A Caverna” não se difere em muito dos filmes típicos do formato Found-Footage que habitam o gênero do terror; “A Bruxa de Blair”, “[Rec]”, “Cloverfield” são bons exemplos de produções que encontraram sua redenção nesse formato controverso de filmagem. E como eles, “A Caverna” cumpre o seu papel de entreter o espectador oferecendo doses fortes de tensão e suspense sobre uma premissa simples explorada com foco. Seu desenvolvimento abre mão da inserção de ameaças externas de natureza desconhecida ou sobrenatural, e busca se prender apenas aos elementos já apresentados. Quando o espectador se dá conta que os jovens estão perdidos, o estado de imersão é imediato. O efeito é muito bem construído pela direção de Alfredo Montero, pelas atuações funcionais do elenco (há apenas algumas passagens que denotam alguma artificialidade nas atitudes e reações do grupo) e pelo ambiente onde se passa as gravações subterrâneas. Tudo é muito escuro, extremamente apertado e claustrofóbico, demonstrando o quanto hostil e difícil será para os jovens encontrarem a saída. O roteiro articula bem os aspectos das condições em que se encontram os jovens, como o fator do tempo que está contra eles (afinal de contas, água, a comida e o controle emocional estão se acabando na medida em que o tempo passa).

Há dois aspectos bastante fascinantes em “A Caverna”: Primeiro por sua capacidade de transportar o espectador para uma situação aterrorizante com facilidade. O realismo que o formato Found-Footage oferece, embora desagrade uma gama significativa de espectadores por suas características estéticas, confere um realismo impressionante. Em segundo, o filme não hesita em mostrar alguns aspectos sombrios da natureza humana quando coagido por uma situação extrema, pois segundo a visão do cineasta espanhol, é nessas circunstâncias que é possível ver aflorar o pior do ser humano. Embora essa produção não se mostre memorável, funciona bem ao que se propõe e detêm um nível de competência instigante.

Nota:  7/10
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8 comentários:

  1. Não cheguei a assistir mas pela descrição ele parece ser uma versão Found Footage de Abismo do medo feito em 2005.

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    1. Não cheguei a assistir ainda a esse "Abismo do Medo". Já havia ouvido falar dele, mas não o conheço. Preciso dar uma olhada nisso.

      abraço

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  2. Eu iria citar o mesmo que Ubiracy comentou. A sinopse lembra muito o claustrofóbico "Abismo do Medo".

    Abraço

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    1. Parece que sim. Vou colocar esse filme na minha lista de futuros filmes a serem vistos.

      abraço

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  3. Respostas
    1. Bota assustador nisso Liliane. Depois de "Bruxa de Blair", não me lembro de ter assistido algo no segmento tão eficiente quanto nesse filme. Gostei, embora saiba e compreenda suas limitações.

      Bjus

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  4. Embora o pessoal tenha se lembrado mais de Abismo do Medo, ele me lembrou mais o roteiro do filme inglês O Buraco (2001).

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    1. Tanto esse quanto "Abismo do Medo" são filmes que eu não assisti, por isso eu tenho base para fazer comparação. Mas Leo, se vc não assistiu a esse ainda, deixo essa sugestão para você tirar suas próprias conclusões. "O Buraco" eu tenho uma vaga lembrança de já ter ouvido falar antes também, e de repente venho a buscá-lo outra hora.

      abraço

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