sexta-feira, 29 de março de 2013

Crítica: Selvagens | Um Filme de Oliver Stone (2012)


Ben (Aaron Johnson) e Chon (Taylor Kitsch) são grandes amigos, de personalidades bem diferentes, mas com interesses em comum. Os dois amigos dividem as tarefas de bem sucedido negócio de plantio e distribuição de maconha na Califórnia.  Mas além de dividirem os negócios referentes ao narcotráfico, também dividem conscientemente a mesma namorada, Ophelia (Blake Lively). As coisas não podiam estar melhores, tendo nos negócios uma lucratividade espantosa e no amor um equilíbrio diferente do habitual. Porém, o sucesso dos jovens no comércio de maconha chamou a atenção de um cartel mexicano comandado por Elena (Salma Hayek) que lhes oferece uma sociedade impedida de recusa. Contudo, ao recusarem a oferta propondo entregar os negócios definitivamente para o cartel, Ophelia é sequestrada, como vingança e medida de precaução para que a dupla venha a colaborar com o cartel da forma que desejam. Um resgate é negociado com Lado (Benicio del Toro), amando de Elena, mas o valor estipulado equivale a toda a grana que eles ganharam nos últimos anos. Assim os amigos aceitam as condições do cartel, ao mesmo tempo que elaboram em sigilo um plano alternativo para que possam ficar com Ophelia e ferrar aqueles que destruíram seus planos para o futuro. "Selvagens" (Savage, 2012), é a mistura do cineasta Oliver Stone (Platoon, Assassinos por Natureza), de sexo, drogas e muita... mas muita violência, mostrando porque essa produção onde seus protagonistas estão na caça da redenção ganha o título de selvagens. 



Trata-se de um filme de entretenimento, cujo aspecto mais interessante dessa produção é procurar a justificativa para a escolha de seu título. Acompanhamos com cuidado o sutil processo de transformação desencadeado pela circunstâncias extremas as quais os protagonistas são expostos, com algumas narrações em off totalmente desnecessárias feitas  por Blake Lively. Mesmo sem heróis declarados - de certo modo, ninguém é santo nessa história - o diretor marca esse longa com seu estilo visual e narrativo, com cores gritantes, imagens saturadas e cortes sequenciais. Um detalhamento técnico bem produzido que enriquece a trajetória dos protagonistas, que são algumas das promessas das grandes produções do futuro se tudo correr bem. O diretor Oliver Stone sela os momentos viscerais em volta das execuções com seu estilo e corrige as deficiências da história pouco moderada que foi baseada no livro de Dow Winslow com habilidade, porém não aproveita com a devida astúcia o papel de John Travolta, como agente duplo da corrupção e perde a mão em seu desfecho com uma reviravolta tipica de cineastas estreantes. Usa o espectador final com se fosse uma exibição de teste para medir as reações.  Pecado esse que Stone não pode se dar ao luxo de cometer a essa altura da carreira. Contudo, consegue delinear com precisão várias nuances inerentes do roteiro, como o processo de transformação da personalidade Aaron Johnson e Taylor Kitsch. Como também o papel de Elena, balançando constantemente entre chefe do crime organizado e mãe zelosa e preocupada. Enquanto Benicio del Toro, ficando especialista em papéis vilanescos, aqui desempenha o papel de júri e executor, não trazendo nenhuma surpresa em seu papel, apesar dos excelentes diálogos que troca com Travolta, apenas confirma o quanto selvagem o ser humano pode ser. 



"Selvagens" é um bom filme, que não fez o estardalhaço costumeiro que os filmes de Stone faziam em outros tempos. Entretanto, também não se preocupa em trazer mensagens reais a um público globalizado que não se espanta mais com violência as margens de áreas de conflito sob domínio do narcotraficantes. Os atritos e embates decorrentes do narcotráfico em fronteiras mexicanas não é um assunto de interesse primordial a grande massa, ainda mais enquanto estiver sendo abordado apenas com claras preocupações estéticas e repleto de personagens que forçam uma fuga da estereotipagem. Era mais do que necessário uma preocupação com um enredo mais profundo e que respondesse porque esse longa veio.  Acima de tudo, que possa de certo modo levar algum tipo de esclarecimento original ao espectador que ele ainda não tenha contemplado nos noticiários. 

Nota: 6,5/10   


      

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