sábado, 30 de julho de 2016

Crítica: Amantes Eternos | Um Filme de Jim Jarmusch (2013)

São poucos os filmes de vampiros que conferiram algo de realmente novo ao gênero nos últimos anos. Assim sendo, o cineasta norte-americano Jim Jarmusch, um criativo representante em atividade do cinema independente estadunidense, talvez seja o que melhor representou no passado mais recente alguma iniciativa com esse propósito. “Amantes Eternos” (Only Lovers Left Alive, 2013) é um drama romântico escrito e dirigido por Jim Jarmusch (responsável por “Flores Partidas”, de 2005 e “Homem Morto”, de 1995) lança um olhar originalmente singelo e profundo sobre o legado da eternidade que marca esses sanguinários personagens da cultura contemporânea. Em suma, trata-se de uma história de amor impressionante sobre dois personagens imortais. O cineasta se desarma de um punhado de clichês batidos (os mais adotados e igualmente cansativos) se reinventando e atribui um toque autoral sobre a longa relação amorosa de um casal de vampiros que atravessam os séculos dividindo suspiros e memórias. Em sua trama acompanhamos o vampiro Adam (Tom Hiddleston), um recluso músico underground que se esconde no interior de uma casa em ruinas de Detroit para se distanciar da cansativa rotina humana que o cerca. O que ocasiona uma costumeira tendência suicida em seu ser. Enquanto isso, Eve (Tilda Swinton), uma mulher enigmática e devoradora de livros que reside em Tanger, viaja urgentemente ao encontro de Adam, após o pedido de seu amado durante uma crise existencial. Unidos novamente, o clima de normalidade volta a habitar a vida de Adam, mas é interrompido quando Ava (Mia Masikowska), a irmã mais nova de Eve aparece inesperadamente e arruína a permanência discreta do casal na cidade violando o código de conduta vampiresco que os coloca em perigo.
Amantes Eternos” é uma experiência cinematográfica sensorial. Deliciosamente lento, o seu ritmo é devidamente preenchido com diálogos muito bem verbalizados por Tom Hiddleston e Tilda Swinton, como por uma trilha sonora maravilhosamente hipnótica de responsabilidade de Jozef Van Wissem e Yasmine Hamdan. O cineasta Jim Jarmusch resgata esse subgênero da mediocridade em que se encontrava após uma horda de filmes negativos e o mescla com seriedade a temas relevantes, abordando questões existenciais entrelaçadas com elementos da cultura popular de forma original e dramática. De atmosfera sombria e elegante, história simplista, o desenvolvimento seguro de Jarmusch da trajetória dos dois vampiros é inegavelmente curioso. Adam é um personagem avesso à evolução humana, frustrado com a humanidade ele se ocupa a colecionar raras guitarras adquiridas por um empolgado prestador de serviços de seu pequeno círculo de conhecidos que tem contato. Sobretudo, sua atenção está eventualmente voltada a encontrar soluções politicamente corretas para sua sobrevivência (o sangue do qual se alimenta provem de um banco de sangue que ele cuidadosamente contrabandeia). Enquanto isso, Eve é imensuravelmente mais fascinada pelos humanos, como por personalidades históricas que cruzaram o caminho de Adam ao longo dos séculos e que ele constantemente relata traços de suas personalidades e suas impressões pessoais sobre elas. Eles são o que os românticos afirmam ser: os opostos se atraem. O que rende ótimos e fascinantes diálogos bem proferidos pela dupla que esbanja serenidade e comprometimento com a proposta narrativa de Jarmusch. Enquanto Adam é mais contido e metódico, Eve é mais espontânea e fascinada pelas coisas que a rodeiam.
Mas a inesperada intromissão de Ava na casa é o desequilíbrio da harmonia, a quebra da zona de conforto a qual se encontram. Como ao mesmo tempo, a ação necessária e ausente da trama de Jarmusch, apesar de não ser muito intensa ou pelo menos duradora para o conjunto da obra. Talvez esse aspecto seja o único déficit desse longa-metragem, que não eleva as pretensões da trama a outro nível e sugere conduzir o espectador ao tom do ponto de partida. Porém “Amantes Eternos” é uma experiência válida de cinema pelas suas sutis qualidades técnicas, pelas envolventes interpretações do elenco principal e pela visão elegante de seu realizador que descarta exibições de caninos salientes e derramamentos de sangue ofensivos aos olhos.
Nota:  7,5/10
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4 comentários:

  1. adoro esse diretor, adoro esse gênero, mas não gostei muito desse filme. é um pouco arrastado. tem alguns momentos antológicos, mas no geral não curti muito não. belo pôster que escolheu, eu peguei outro para o meu blog e comentei aqui o filme http://mataharie007.blogspot.com.br/2016/01/amantes-eternos.html
    beijos, pedrita

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  2. Grande Jim Jarmusch, diretor de estilo único.

    Este filme eu ainda preciso assistir.

    Abraço

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    1. Espero que goste. Não tem o alcance de público que outras produções do gênero possuem, mas tem um charme todo especial e bastante raro.

      abraço

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