quarta-feira, 23 de julho de 2014

Crítica: O Pacto dos Lobos | Um Filme de Christophe Gans (2001)


Entre 1764 e 1767, durante o reinado de Luís XV, uma misteriosa criatura tem levado medo à população de uma distante província rural da França. Durante meses, essa criatura chamada a Besta de Gévaudan atacava mulheres e crianças na região de Auvergne e Dorgogne, e presumidamente imaginava-se ser um lobo feroz. Mas como ninguém jamais a havia visto a fera com clareza e menos ainda captura-la, as autoridades de Paris interessadas em pôr um fim a essa tenebrosa situação enviam um renomado naturalista do jardim do rei, Gregóire de Fronsac (Samuel Le Bihan) e seu fiel companheiro, Mani (Mark Dacascos) para cessar o frenesi que a notícia causava pela França. Mas em meio a intrigas políticas, conspirações e teorias sobrenaturais, a morte dessa misteriosa fera seria apenas um dos grandes obstáculos a ser ultrapassado por esses corajosos aventureiros a serviço do rei. “O Pacto dos Lobos” (Le Pacte des Loups, 2001) é um impressionante filme de aventura francês baseado na história real de uma fera que causou pânico na França durante a respectiva época na qual é retratada. Produzido por Samuel Hadida e escrito por Stéphane Cabel em conjunto com Christophe Gans, essa produção foi uma das grandes surpresas daquele ano. Naturalmente repleto de liberdades criativas, essa produção dirigida por Christophe Gans esbanja arrojo e criatividade, abandonando sem remorso o rótulo tedioso que o cinema francês carregava na época para os estrangeiros. Sucesso de bilheteria e elogiado pela crítica especializada, o trabalho de Gans impressiona pela mistura de gêneros harmoniosa, ritmada e emocionante, ainda que detenha certos exageros distantes dos fatos. 


O Pacto dos Lobos” te ganha na mistura. Lutas brilhantemente coreografadas, climatização épica fiel ao seu tempo, suspense policial bem dosado, jogos de espionagem partidos do Vaticano são elementos que compõem o desenvolvimento de “O Pacto dos Lobos”. Essa mescla de ideias poderia facilmente causar estranheza no espectador o fazendo rejeita-lo de imediato. Mas curiosamente ao contrário da lógica, o resultado surpreende de modo genial. Tecnicamente impecável, seja na direção de arte que reconstitui a época com fidelidade de modo visual ou na belíssima direção de fotografia que confere cor e belas imagens do interior da França, Gans acerta em quase tudo. Ainda que os efeitos visuais (pelo menos alguns que foram aplicados para criação da fera) pequem em qualidade, não afeta o resultado de modo gritante. Boas atuações conferem um adicional de qualidade à trama, seja pela figura dos irreverentes protagonistas que constantemente estão cercados de polemica, ou pela participação de estrelas como Vincent Cassel e Monica Bellucci que possuem personagens de grande importância no rumo da trama e que são revelados ao espectador no tempo certo. Apesar de deter várias qualidades que despertam carisma no espectador, “O Pacto dos Lobos” é, sobretudo um divertido filme de ação estilizada (onde seu realizador usa e abusa dos slow motions com habilidade em coreografias bem conduzidas), e que consequentemente faz dessa produção ser o que é realmente: um ótimo longa-metragem de fantasia e aventura completamente despretensioso e feito sob medida para empolgar. Os fatos são mera decoração em um projeto dotado de audácia.

Nota: 7/10
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2 comentários:

  1. Faz tempo que desejo assistir este filme, mas ainda não tive oportunidade.

    Abraço

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    Respostas
    1. Tem uma mistura de gêneros interessante. Vale conferir.

      abraço

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