terça-feira, 22 de julho de 2014

Crítica: Os Suspeitos | Um Filme de Bryan Singer (1995)


Crimes perfeitos não deixam suspeitos. Sobretudo, nem sempre nos principais suspeitos é que se pode encontrar o verdadeiro culpado. E assim cinco conhecidos criminosos de reputação bem familiar da polícia (Kevin Spacey, Gabriel Byrne, Benicio Del Toro, Kevin Pollak e Stephen Baldwin) são pegos pelas autoridades. Libertados, mas em dívida com um homem desconhecido esses criminosos ficam envoltos numa trama criminosa sinuosa, que envolve um intrigante, misterioso e quase lendário cérebro criminal chamado Keyser Soze.  Suas vidas são viradas do avesso quando descobrem que eles se tornaram em algum momento de suas carreiras uma pedra no caminho de um poderoso criminoso. Quando esses homens relutantemente concordam em executar um assalto para Soze, o golpe que parecia tão bem planejado e rotineiro se mostra por fim um desastre, levando as autoridades a querer descobrir a identidade dessa poderosa figura criminal desconhecida através das pistas do único sobrevivente desse desastre. Com as pistas de um desses suspeitos, a polícia pode descobrir a chave para verdadeira identidade dessa enigmática figura do crime. Por que afinal de contas, quem é Keyser Soze? “Os Suspeitos” (The Usual Suspects, 1995) é um filme de suspense policial noir dirigido por Bryan Singer e escrito por Christopher McQuarrie (que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro Original). Sendo um dos melhores thrillers de suspense da década de 90, tanto na direção de Singer quanto no roteiro de McQuarrie, essa produção se mostra um filme feito na medida para ser memorável se equiparando a produções como: “O Silencio dos Inocentes” (1991), “Pulp Fiction – Tempo de Violencia” (1994) e “Se7en – Os Sete Crimes Capitais” (1995), outros grandes sucessos de sua época.


Sem ter a pretensão de ser memorável, mas sendo consequentemente, “Os Suspeitos” é uma estreia brilhante para um diretor que mais tarde foi provando seu valor diante do mercado. Com um elenco que se encaixa perfeitamente nos papéis aos quais foram incumbidos (Kevin Spacey, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante se destaca com larga vantagem perante outros atores inclusive mais renomados daquela época), essa produção tem uma trama genialmente desenvolvida com inúmeros mistérios desenvolvidos com flashbacks bem aplicados e dona de um dos melhores finais de todos os tempos. Trata-se de um filme de baixo orçamento (cerca de 6 milhões de dólares) que ganhou o coração de muitos cinéfilos pelo mundo sem fazer força. Carregado de várias sutilezas que ganha um potencial sentido no final, esse longa-metragem é um filme que tem seu caráter nobre na harmonia do conjunto. O espectador não precisa necessariamente apreciar o gênero no qual habita para simpatizar com a obra, já que “Os Suspeitos” tem a capacidade de envolver o espectador na trama incitando-o desde o começo a se aventurar na tarefa de descobrir (antes da polícia) quem é o grande vilão por trás do enigma da identidade secreta de Keyser Soze. Atuações brilhantes extraídas de pouco material (Benicio Del Toro salva seu personagem do lugar comum ao qual ele habitava em teoria), como Gabriel Byrne consegue apresentar uma de suas melhores interpretações, seja pelo esmero do roteiro que confere certo valor a seu personagem ou por mérito próprio, o que somente vem a enriquecer o desenvolvimento. “Os Suspeitos” é um filme que te prende a atenção do começo ao fim, seja pela correlação das pistas dosadas por seu realizador rumo a um desfecho arrebatador ou pelas inúmeras outras qualidades que marcam presença nesse longa-metragem. Em resumo, e sem querer contrariar as regras, crimes perfeitos também deixam suspeitos.

Nota:  9/10
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2 comentários:

  1. Um dos grandes filmes dos anos noventa, com ótima trama e uma interpretação sensacional de Kevin Spacey.

    Abraço

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    1. Os anos 90 foi a fase de ouro de Kevin Spacey. Nos últimos anos ele tem estado apagado em filmes de pouca expressividade. Tirando "Margin Call", não lembro de outro que tenha me agradado como no passado.

      abraço

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