quarta-feira, 24 de abril de 2013

Crítica: Paixão Suicida | Um Filme de Goran Dukic (2006)


A Morte já foi abordada de várias formas diferentes pelo cinema. Recentemente descobri em minhas buscas cinematográficas uma que explora essa temática de forma natural, suave e irônica materializada em "Paixão Suicida" (Wristcutters: A Love Story, 2006), e dirigido por Goran Dukic, o qual também assina o roteiro. A obra é antiga, o assunto em destaque ainda mais, contudo o tema em questão sempre permanece em foco apesar do tempo, desde que seja abordado com um mínimo de originalidade necessária para cativar o espectador. Baseado no conto "Kneller's Happy Campers", de Etgar Keret, onde acompanhamos em sua trama Zia (Patrick Fugit) um jovem deprimido que após cometer suicídio passa a viver numa espécie de limbo entre o céu e o inferno. Nesse estranho lugar, com contornos de uma realidade mais sombria que o normal, acaba por conhecer o russo Eugene (Shea Whignham), um ex-músico e guitarrista que mora com a família toda suicida, com o qual faz uma grande amizade. Já habituado e conformado com sua condição ele descobre que sua ex-namorada Desirée (Leslie Bibb) se suicidou cerca de um mês depois de seu suicídio e vivendo nesse universo também. Assim Eugene e Zia saem em busca dela e encontram, pelo caminho, Mikal (Shannyn Sossamon) uma jovem que afirma estar nesse limbo por engano. Juntos, o trio de amigos saem em busca de Desirée e das pessoas encarregadas desse curioso lugar.


De sinopse que remete ao um universo emo em título e premissa, e um cartaz nacional que ferra com qualquer possibilidade de alavancar essa produção a um status respeitável entre grandes comédias, não é de se espantar que "Paixão Suicida" tenha passado por mim sem reconhecimento.  Sem grandes nomes ligados a produção e uma aparência desinteressante em sua roupagem, fico admirado que essa fita ainda chegou a mim sem que fosse vista em um canal aberto antes. Poderia ter sido ignorada sem cerimônias. Mas visto com cuidado, me agradei, e pode até agradar a uma boa parcela do público que aprecia produções de enredo nonsense. Com uma produção simples e bem realizada, um elenco funcional que apresenta atuações bem interessantes, a narrativa adotada pela direção de Goran Dukic suaviza algo atormentador como a temática da Morte com facilidade e de modo natural. Leva humor a um enredo que toma início a partir de um suicídio e caminha para um romance simpático. Toda obra inspira simpatia sem compromisso - pelo elenco que cumpre seu papel, o clima desapressado do enredo, a trilha sonora que combina, entre outras simpatias que podem agradar se não forem levadas muito a sério. Por fim, "Paixão Suicida" demonstra ser divertido e descompromissado. Sua existência não toca em assuntos delicados, não tenta provar nada, e muito menos, busca trazer respostas aos questionamentos da vida. Se existe vida após a morte, não será nessa produção que o especador encontrará a resposta. No máximo umas poucas horas de entretenimento escapista sem cerimônias, o que já é muito mais do que a maioria das produções do gênero consegue.   

Nota: 7/10 


    

2 comentários:

  1. Adorei sua opção.

    Nessa linha de tema, amei Virgens Suicidas.

    Vou buscar esse.

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    1. Ainda não assisti a esse filme, mas já ouvi muitos elogios sobre o mesmo. Mais pra frente eu procuro vê-lo.

      abraço Renato

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