quarta-feira, 12 de março de 2014

Crítica: Quebra de Conduta | Um Filme de Éric Rochant (2013)


Grégory Lioubov (Jean Dujardin) também conhecido como Moïse é um agente secreto da FSG (Organização de Combate a Crimes Financeiros) que trabalha para o governo russo nas imediações de Mônaco. Sua tarefa em suma é reunir informações financeiras sobre os empreendimentos ilegais do magnata Rostovsky (Tim Roth). Assim Moïse elabora um plano de espionagem que utiliza os serviços Alice (Cécile de France), uma habilidosa analista de mercado como uma fonte de informações sobre as atividades ilícitas de Rostovsky. Em troca desse arriscado serviço, ela receberia o direito de voltar aos Estados Unidos da América. Mas quando Moïse desenvolve um relacionamento amoroso com sua informante, o agente sabota o sucesso da operação secreta e seu próprio futuro. “Quebra de Conduta” (Möbius, 2013) é um thriller de espionagem francês com um enredo contemporâneo, elegante e com excelentes atuações. Longe de poder ser comparado a produções Hollywoodianas, pois o espião se resguarda de seu ofício e não se gaba de sua importância na função que desempenha, o diretor Éric Rochant usa de modo inteligente o universo da espionagem oculto no meio financeiro internacional, ao proporcionar um paralelo interessante com politica russa dos últimos anos, funciona como pano de fundo adequado para mostrar um romance carregado de sensualidade e marcado de contradições.

Quebra de Conduta” é um filme globalizado. Filmado principalmente na cidade de Monte Carlo, em Mônaco, a câmera de Éric Rochant desfila com leveza por lindas paisagens em Bruxelas e Moscou também, com os cuidados de uma direção de fotografia meticulosa que faz desse longa um filme de espionagem internacional bem cuidado e bonito. Mas se em sua aparência ele se apresenta fluente e rico visualmente, diga-se o mesmo ao restante dos elementos que compõem essa produção. O contexto político ligeiramente complexo é profundamente contextualizado na trama com um roteiro instigante que saca oportunas reviravoltas ao longo do desenvolvimento que prende a atenção do espectador, ainda que o arco dramático e de maior relevância permaneça mesmo focado no romance entre Moïse e Alice. Essa relação é apresentada de modo convincente, e muito pela química do elenco principal apaixonado e comprometido, além da intrometida presença de Tim Roth nesse conturbado romance. Enquanto ela permanece alheia às verdades sobre Moïse, ele desconhece alguns segredos em volta de Alice, como sua estreita relação com a CIA revelada através de uma inspirada e apropriada metáfora erguida sobre o conceito da Faixa de Möbius, a mesma que dá título a essa produção originalmente. Éric Rochant faz um trabalho de direção que equilibra bem realismo e ficção, como também as cenas de tensão arrebatadoras (a cena do elevador onde Jean Dujardin destacasse ao se confrontar com um segurança de Rostovsky), mostrando toda sua habilidade, sem precisar lançar mão de grandes recursos para causar o devido efeito. Como acima de tudo, em cenas delicadas de amor que oscilam ao sexo realisticamente projetado sem ser apelativo.

Em resumo, “Quebra de Conduta” é um filme de espionagem a ser descoberto. Complexo e confuso até certa altura, requerer a mais profunda atenção do espectador para não perder os infinitos detalhes que são distribuídos ao longo de seu desenvolvimento. Porém, Éric Rochant recompensa aos comprometidos com seu trabalho uma experiência requintada, que até nos raros momentos de brutalidade, o cineasta imprimi uma qualidade invejável de descrição a sua astuta e envolvente obra. Qualidade essa, a muito tempo extinta em produções cem por cento estadunidenses.

Nota: 7,5/10
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