sexta-feira, 14 de março de 2014

Crítica: Blade Runner – O Caçador de Andróides | Um Filme de Ridley Scott (1982)


Em 2019 uma corporação chamada Tyrel Corporation conseguiu sintetizar algo que poderia ser o mais próximo do que se pode chamar de vida. Ao criar robôs, andróides conhecidos como replicantes, de semelhança física idêntica a humanos, mas de força, inteligência e agilidade superior, a empresa passou a utiliza-los como mão de obra escrava em outros planetas colonizados pela raça humana. Porém após uma sangrenta rebelião, os replicantes foram banidos da Terra e eles passaram a serem perseguidos no planeta por policiais chamados Blade Runners. Assim quando um pequeno grupo de quatro replicantes é identificado nas redondezas de Los Angeles, o ex-Blade Runner Rick Deckard (Harrison Ford) aposentado do ofício retorna as suas antigas atividades. Embora a missão de capturar e exterminar esses androides jamais tenha sido fácil, sua tarefa dificulta-se a partir do momento de Deckard passa a se sentir atraído por Rachael (Sean Young), uma replicante que acredita cegamente ser uma humana, e que fará o lendário Blade Runner Rick Deckard, o vê-los com outros olhos. ”Blade Runner – O Caçador de Andróides” (Blade Runner, 1982) é um filme de ação e ficção cientifica inspirada na obra de Philip K. Dick (criador de obras emblemáticas do cinema como “O Vingador do Futuro” e “O Homem Duplo”), que além de efeitos visuais e de resultado ainda bem funcionais, e uma direção de arte inspirada, o longa-metragem possui um desenvolvimento que é pura poesia.

Dirigido por Ridley Scott, essa produção teve um reconhecimento de suas qualidades de modo tardio. De imediato dividiu opiniões, que com o respectivo culto por parte de fãs foi revisitado pela crítica especializada com mais atenção anos depois, onde a obra foi consequentemente elevada ao patamar de clássico da ficção científica hoje regularmente mencionada como referência no gênero. Com um roteiro sensacional de Hampton Fancher e David Peoples que aborda aspectos sobre a busca de uma identidade em meio a uma linha tênue entre a humanidade e a tecnologia, “Blade Runner” toca com habilidade e de forma sensível em questões de existencialismo com ares filosóficos. Embora se venda como uma produção de ficção científica, o trabalho de Ridley Scott bebe da mesma fonte de filmes noir que encontraram o glorioso reconhecimento nos anos 40. Com uma atmosfera sombria ambientada em futuro distópico, essa produção se enriquece ainda mais pela profusão da trilha sonora de Vangelis que intensifica toda a ação do enredo. Sobretudo, pelas atuações fascinantes do elenco principal composto por Harrison Ford, Sean Young, Rutger Hauer, Daryl Hannah, entre outros. ”Blade Runner – O Caçador de Andróides” já teve sete versões diferentes elaboradas pelos executivos para o filme onde que obteve reações do público diferenciadas a essas mudanças. Mas independente da versão, sua essência continua intocada (onde o humano e o desumano se confundem) tornando essa produção uma obra-prima merecedora de ser revisitada constantemente.

Nota: 9/10
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8 comentários:

  1. "pura poesia"

    É assim que vejo essa obra prima de ficção científica. Tenho muito vontade de ler "Do Androids Dream of Electric Sheep?".

    "onde o humano e o desumano se confundem"

    - A primeira vez que assisti ao filme, pensei: esse caçador é um replicante. O RS já afirmou, anos após, que sim. Mesmo assim, ainda tenho minhas dúvidas....

    Tenho esse DVD original. Vale a pena.

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    1. Eu sei que uma coisa não tem haver com outra: cinema é cinema e literatura é literatura. Mas essa questão em comparação com outra obra-prima (essa da literatura) gerou durante anos teorias e suposições. Em Dom Casmurro houve, e não sei se ainda não há, algo parecido sobre uma possível e suposta traição adúltera de Capitu sobre Bentinho. O negócio é conferir e formar suas próprias opiniões... um desafio maravilhoso.

      abraço

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  2. Opa. Que boa novidade: vc retirou o verificador de palavras!

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    1. Me dei por vencido rsrsrs
      Vamos ver o que vai dar....

      abraço

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  3. O filme se transformou em cult por volta de 1986/87, quando o mercado de VHS se popularizou e "Blade Runner" foi descoberto pelos cinéfilos.

    É um belíssimo filme, com ótima história e visual fantástico (para época).

    Abraço

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    1. Curioso esse visual idealizado em 1982 para 2019. Convenhamos: estamos bem longe ainda dessa criação utópica da vida não é?

      abraço

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  4. Amo esse filme e todas suas versões poéticas. Participo de um projeto educacional que quando foi implantado consegui convencer os outros membros de que esse era o filme que deveria ser o primeiro. O carro chefe aos alunos. Resultado: eles odiaram e não entenderam nada......AZAR O DELES. KKK

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