quarta-feira, 19 de março de 2014

Crítica: Enterrado Vivo | Um Filme de Rodrigo Cortés (2010)


Paul Conroy (Ryan Reynolds) é um motorista de caminhão americano que está no Iraque. Sem saber por quê e como, ele acorda enterrado vivo dentro de um caixão de madeira em algum lugar. Tendo pouco tempo de oxigênio no interior do caixão, e nenhuma ideia precisa de seu paradeiro, ele terá um grande desafio com poucas chances de ser resgatado e conseguir sobreviver. "Enterrado Vivo" (Buried, 2010) é um longa de suspense realizado pelo espanhol Rodrigo Cortés, cujo resultado de seu trabalho se mostra tão inspirado quanto claustrofóbico para o espectador. O que poderia muito bem ser visto como apenas uma ideia genial (igual a muitas outras mais que o cinema independente ocasionalmente ousa lançar), e que pelos caminhos traiçoeiros de uma narrativa falha facilmente se perderia em alguma etapa de seu desenvolvimento, aqui tanto a condução soberba de Rodrigo Cortés, quanto o roteiro seguro de Chris Sparling, projeta uma das melhores interpretações do suprimido ator Ryan Reynods que geralmente está vinculado a projetos desinteressantes. "Enterrado Vivo" é o tipo de filme que angustia o espectador por transporta-lo diretamente para a ação tão aterrorizante quanto é possível. Prender o espectador com a devida atenção através de uma trama relativamente simples, embora tenha a seu favor uma trama plausível, sem complexas camadas de irritante compreensão, desprovida de um abundante elenco repleto de personagens alegóricos por cerca de noventa minutos não é uma tarefa das mais fáceis.
      
Mas Rodrigo Cortés indubitavelmente sabe o que está fazendo e prova isso por não atenuar o terror psicológico que sem dúvida nenhuma é o combustível motor de sua história. Com sua trama começado desde os primeiros minutos de forma tensa, os poucos artefatos disponíveis ao enclausurado (um sofisticado telefone celular com pouca carga de bateria e um clássico isqueiro Zippo) disponibilizado por seus algozes sequestradores que reivindicam uma soma em dinheiro por seu resgate num prazo de duas horas, denota um estilo de narrativa que é de difícil execução (que concilie atmosfera e credibilidade) e que evidencia por toda parte uma clara homenagem a Alfred Hitchcock. Cortes leva sua premissa simples de sobrevivência ao espectador que a acompanha com tensas expectativas e ainda por cima confere conotações políticas convincentes. Esse é um dos aspectos magistrais dessa produção. Além do mais, esse filme é quase um show de um homem só, já que o esforço eficaz de Reynolds não cessa (com ou sem iluminação) por toda a duração do longa e o mundo lá fora, inclusive não se aquieta sobre suas circunstâncias. O diretor Rodrigo Cortés impressiona por sua habilidade com a câmera, que mesmo sob um restrito espaço físico, consegue movimentos de até 360 graus sem o suporte de artifícios digitais computadorizados que são verdadeiros truques de mágica considerando as condições de filmagem. "Enterrado Vivo" é materialização de uma superação, já que esse longa consegue dramaticamente sobrepor o desafio de conferir uma dose enorme de suspense e angustia de várias formas diferentes a uma situação já naturalmente tensa em sua forma crua.

Nota:  8/10
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4 comentários:

  1. Bem claustrofóbico mesmo esse filme...
    Bom, no dia 13, você passou la´no meu blog e me pediu pra indicar filmes de terror pornô... Eu respondi lá, mas não sei se você viu. Então, vou repetir aqui.
    Se você tá procurando uma comédia de terror pornô, This Ain’t Ghostbusters XXX (2011) é uma boa pedida. Mas se você tá procurando um filme de terror pornô que pretende contar uma história mais séria, Porno Holocaust (1981) dá pro gasto.
    Aliás, pretendo falar sobre os 2 ainda esse ano no meu blog.

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    1. Obrigado!
      Deixei um retorno em seu blog!

      abraço

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  2. Super claustrofóbico. Bem interessante, mas nos deixa muito tenso.
    Lembro-me de um filme nos anos 80 com mesmo tema, mas a vítima era uma menina, se não me engano. Parece que a história foi real.

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    1. Esse eu acho que esse eu não assisti. Eu não lembro ao certo com qual atriz era, mas eu já assisti um onde a mulher arma um plano com o amante para matar seu marido e aí enterram ele semi morto e o cara elabora um plano de vingança contra os dois. Não sei se é o mesmo...
      Esse que eu assisti, lembro que era interessante. Mas o fato de ser enterrado vivo era somente um elemento do filme, ao contrario desse que estabelece uma narrativa constante nesse foco. Gostei muito de "Enterrado Vivo" por conseguir manter minha atenção durante toda a duração. Show!

      abraço

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