segunda-feira, 13 de maio de 2013

Crítica: Os Outros | Um Filme de Alejandro Amenábar (2001)


Não há elemento narrativo igual ao silêncio. Quando o assunto é criar um bom suspense, a aplicação medidamente dosada desse elemento pode fazer toda diferença entre o sucesso e o fracasso de um longa-metragem. Sabendo disso, o chileno-espanhol Alejandro Amenábar criou uma história bem amarrada sob uma densa climatização que resultou em um ótimo suspense que dispensa derramamentos de sangue ou modernos efeitos especiais. Tudo é muito sutil e tem um efeito diferenciado sob o espectador. “Os Outros” (The Others, 2001) é um suspense psicológico de época que descarta oportunamente recursos artificiais, valorizando sussurros, portas que batem sem razão e um ambiente de aspectos sombrios bem peculiares. E esses recursos é que fazem dessa produção uma obra assustadora sem ser apelativa. Em sua história que se passa na Segunda Guerra Mundial, acompanhamos Grace (Nicole Kidman), que decide se mudar com seus dois filhos para uma mansão afastada na ilha de Jersey e aguarda o retorno do marido da guerra. Sozinha em uma mansão, apenas acompanhada de seus filhos, Nicholas (James Bentley) e Anne (Alakina Mann), que tem uma rara doença que os impedem de receber luz do solar, a casa simplesmente permanece sempre em completa escuridão para zelar pela segurança das crianças. Assim, sozinhos na casa apenas com a companhia das estranhas pessoas que fazem parte do quadro de funcionários, que seguem as regras estranhas impostas por Grace, coisas sobrenaturais começam acontecer sem explicação e nos revelam um desfecho tão inusitado quanto desesperador para essa solitária esposa e mãe zelosa.


Os Outros” é um exemplar honrado de uma narrativa elegante. Amenábar consegue um resultado mais do que satisfatório nessa produção, ao conferir um estilo contido em sua condução para expor os misteriosos acontecimentos que tem assolado o lar dessa família. Primeiro pelo desenvolvimento medidamente gradual que com sua trama se apresenta, também roteirizada por ele, e depois pela climatização que desencadeia no espectador a sensações mais tensas possíveis, como um bom suspense deve ser. Isso sem mencionar, do desfecho, com um final-surpresa acentuando toda a ação que decorre em tela e se completa perfeitamente com o conjunto da proposta de cinema de Amenábar. Criando personagens misteriosos, como os próprios filhos de Grace, e arrancando de Nicole Kidman uma atuação brilhante sem a necessidade da exibição de exageros, como em seus filmes anteriores. Amenábar foi responsável por filmes interessantes, como “Morte ao Vivo” (1996) e “Preso na Escuridão” (1997) (esse segundo inclusive virou posteriormente um remake sob o título “Vanilla Sky", estrelado por Tom Cruise e dirigido por Cameron Crowe) todos os trabalhos dele tem como elemento narrativo preponderante uma dose medida de suspense e um estudo da psicologia da natureza humana incrustada no enredo. “Os Outros” somente não adquiriu um status melhorado no gênero, devido ao sucesso de um tal diretor indiano (?) que fez o maior estardalhaço nas salas de cinema um pouco antes daquela época ao colocar uma criança vendo pessoas mortas. De resto, essa produção é maravilhosa como poucos suspenses dessa época.

Nota: 7,5/10    
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2 comentários:

  1. É realmente uma maravilha Marcelo. lembro da emoção em assistir pela primeira vez no cinema e da grande surpresa. Nicole está ótima. Pretendo conhecer os outros trabalhos do Amenabar. Só conheço esse e Mar Adentro.

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  2. Já ouvi falar de "Mar Adentro", mas ainda não assisti. Fica reservado para o futuro.

    abraço

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