sábado, 11 de maio de 2013

Crítica: Hitchcock | Um Filme de Sacha Gervasi (2012)



O sucesso requer constantemente sucessos. Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins) o conhecido “mestre do suspense” passa por uma crise criativa que tem minado a glória já conquistada com sua filmografia. Como reação, o cineasta procura incessantemente uma história original a que possa materializar em um filme e se reafirmar como um dos mais brilhantes diretores de seu tempo. A crítica tem declarado que ele já não se mostra mais o cineasta que era, e deveria se aposentar antes que sua carreira despencasse definitivamente. Decidido a mostrar ao mundo que sua capacidade de realização ainda pode render trabalhos inusitados, adapta para o cinema o livro de terror “Psicose”, uma obra pouco conhecida e de qualidade que divide opiniões pela temática sinistra e nada modista da indústria cinematográfica. Sem apoio moral, de sua inseparável esposa Alma (Helen Mirren) comprometida com um projeto pessoal dela, e do financiamento de estúdios, Hitchcock acaba por bancar tudo de seu próprio bolso, arriscando-se a ficar na miséria, caso sua produção fracassasse na première.


Realizado pelo diretor/roteirista Sacha Gervasi, “Hitchcock” (Hitchcock, 2012) tem como inspiração o livro “Alfred Hitchcock and the Making of Psycho”, no qual acompanhamos superficialmente uma espécie de making-of ficcional dos bastidores das filmagens e do lançamento de “Psicose” (1960), isso em teoria. Já que o curso da narrativa segue prioritariamente alguns conflitos da relação pessoal do cineasta Alfred Hitchcock, quase que monopolizando os 98 minutos de duração dessa produção, onde consequentemente, o espectador é pouco presenteado com informações inéditas e imagens sobre os bastidores do filme de maior sucesso da carreira do cineasta, e perde a oportunidade de apresentar um relato biográfico mais profundo em relação à personalidade de Hitchcock e seu processo criativo. É dificil acreditar que um artista tão surpreendente como Hitchcock, não tenha segredos instigantes a serem revelados por trás de seus trabalhos - já que outros cineastas de menor prestígio demonstraram ter. Embora seja um filme bem realizado, que agrada por seu convencionalismo e estrutura formal, se perde ou avança num rumo que não atende as expectativas de fãs e espectadores. Seu resultado simpático se deve a funcionalidade do elenco principal, que dão contornos satisfatórios a reconstituição dos acontecimentos – com Hopkins principalmente, apesar das semelhanças físicas oscilantes em relação a figura do cineasta Alfred Hitchcock.- e o elenco de apoio e com coadjuvantes esbanjando talento. 


Tendo astros como Scarlett Johansson, Danny Hudson, Jessica Biel, Tony Collette e os oscarizados Anthony Hopkins e Helen Mirren no elenco, tem nesses atores sua maior força - dialogos casuais proferidos com habilidade. Por isso, "Hitchcock" é uma obra que entretêm com competência, se revelando um excelente programa que alia diversão e informação, mas não se afirma como relevante ao tentar desmiuçar uma das mentes mais brilhantes da história do cinema. A narrativa adotada por Gervasi ateu-se a criar um filme tradicional a espera de uma transposição inovadora sobre a representatividade da figura de Hitchcock  no imaginário de fãs. Muitos pontos abordados são a mais pura verdade à seu respeito, contudo a maior parte trás evidências que seja apenas a aplicação da liberdade artística de seu realizador. 

Nota: 7,5/10  
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