quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Crítica: Diário de um Jornalista Bêbado | Um Filme de Bruce Robinson (2011)



Qualquer semelhança com o longa-metragem dirigido por Terry Gillian (Os 12 Macacos) chamado “Medo e Delírio” (1998) não é mera coincidência. O filme “Diário de um Jornalista Bêbado” (The Run Diary, 2011), é baseado em um romance de Hunter S. Thompson, também autor do romance que inspirou a empreitada de Gillian. Ele foi o jornalista inventor do chamado "jornalismo gonzo", onde o autor mistura habilidosamente ficção e não-ficção em seus textos até os limites entre a realidade e a fantasia se confundam completamente.  Mas mesmo que “Diário de um Jornalista Bêbado” – seu primeiro romance – tenha elementos que remetam a lembrança lisérgica de Johnny Depp em Vegas, os filmes também se diferem muito narrativamente. Enquanto o trabalho de Gillian ultrapassa os limites da realidade, com sua história acompanhando os percalços de seus protagonistas completamente bêbados e chapados de uma maneira surreal, a empreitada de Robinson é mais pé no chão, apesar do desfile de personagens extravagantes de atitudes excêntricas que interagem com o personagem de Johnny Depp – o alter-ego de Thompson. 


Em o “Diário de um Jornalista Bêbado” acompanhamos a história de um jornalista chamado Paul Kemp (Johnny Depp), que se afasta do frenesi de Nova York viajando para a ilha de Porto Rico, para trabalhar como repórter em um jornal local chamado The San Juan Star. Entre um porre e outro, Kemp faz amizades com membros da equipe do jornal e se familiariza com o local. Em seu processo de descoberta acaba conhecendo a lindíssima Chenault (Amber Heard), noiva de Sanderson (Aaron Eckhart), o porta-voz de um grupo de empresários gananciosos da cidade, que planejam ganhar muito dinheiro numa jogada imobiliária que transformará Porto Rico num paraíso repleto de resorts para milionários, porém que levará desgraça aos moradores porto-riquenhos. Nessa jogada, Kemp é contratado para escrever artigos que favoreçam o empreendimento, onde passa a viver o dilema de ganhar dinheiro – e talvez o coração de Chenault – ou fazer jornalismo de verdade denunciando esse esquema corrupção que o destino trouxe ao seu conhecimento?

Longe de ser um dos melhores trabalhos de Johnny Depp, ainda assim não o distancia de conseguir uma interpretação interessante para sua filmografia. Entretanto o melhor desse longa se passa na primeira hora, que dá a noção dos contornos da proposta dessa fita. Bebedeiras, humor inteligente e situações absurdas as quais o elenco é submetido. De resto, fica as situações absurdas e uma correria desinteressante que cansa mais do é suportável. Acaba por tirar o brilho de um filme que até começa bem, mas por causa da adoção de uma narrativa que perde seu foco na comédia para cair no melodrama, perde o carisma do espectador pouco interessado na infinidade de personagens alucinados que giram em volta do protagonista, ou das circunstâncias extremadas as quais Depp se equilibra entre uma garrafa de rum e outra.

Se há uma qualidade brilhante que não se ofusca durante os 110 minutos de duração desse longa é a trilha sonora empolgante e bem escolhida que acentua esse paraíso tropical que é Porto Rico.  Deixa as canções óbvias da cultura local de lado – em sua grande maioria – e exibe ritmos mais cativantes que contrastam melhor com a trama e o ritmo da história. Lamentável que a condução de Bruce Robinson (Como Fazer Carreira em Publicidade e Jennifer 8 – A Próxima Vítima) tenha levado a trama a um lugar tão desinteressante como a que chegou em seu desfecho.


De fato, “Diário de um Jornalista Bêbado” poderia ter ficado melhor se não tivesse se distanciado tanto da premissa que remete ao longa “Medo e Delírio”. Mas dentre os romances de Thompson (The Rum Diary), não é mencionado como um de seus melhores livros, o que torna justo que sua transposição também não seja a melhor. Vale conferir esse longa pela curiosidade de ver Depp em ação novamente, a bela Amber Heard – que desbancou atrizes como Keira Knightley e Scarlett Johansson para o papel de Chenault – dando um baile de sensualidade, e Aaron Eckhart, fazendo o papel de duas caras longe do universo dos quadrinhos.

Nota: 6/10

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