sábado, 29 de setembro de 2012

Crítica: Colateral | Um Filme de Michael Mann (2004)



Tom Cruise sempre tentou interpretar papéis diferentes da imagem de galã que construiu ardorosamente para sua própria carreira. Consequentemente, passou a ter dificuldades de associar a sua imagem de astro, a de um ator competente. Irônico! Entre personagens excêntricos como o que interpretou em Magnólia”  (apesar de muito bem composto como o guru de autoajuda) sua genialidade foi mais atribuída pela capacidade da direção de Paul Thomas Anderson. Criações bizarras como seu personagem em Trovão Tropical” (no papel de empresário da indústria do cinema tremendamente boca-suja e falastrão) são exemplos de suas fugas do estrelismo cronico. E a interpretação de seu primeiro vilão, talvez tenha sido a mais bem sucedida fuga do ator do convencionalismo que ele próprio limitou-se durante anos. "Colateral" (Collateral, 2004), é um suspense bem climatizado com excelentes atuações (tanto por parte dele, como também do ator que divide a tela com ele, Jamie Foxx) que ainda junta na mistura um diretor habilidoso, que adora tirar de astros verdadeiras atuações, e você terá uma surpresa ao ver esse thriller de suspense cheio de camadas que impressiona por conseguir fazer de um roteiro interessante uma experiência magnífica. Na história acompanha os percalços de Max (Jamie Foxx), um taxista cheios de planos para o futuro, mas com pouca atitude de coloca-los em prática, que pega um passageiro misterioso chamado Vincent (Tom Cruise), que sem o seu motorista saber, era um assassino profissional a serviço de um traficante de drogas. Vincent está na cidade para eliminar cinco testemunhas importantes em um grandioso caso judicial que pode condenar seu contratante. Sua tarefa consiste em matar as testemunhas sem deixar pistas e desaparecer de Los Angeles da mesma forma em que surgiu. Assim ele contrata o serviço do taxista para o resto da noite, por cerca de dez horas, aonde aos poucos vão se conhecendo entre uma execução e outra de maneira que muda os rumos de suas vidas.


Essa produção se constrói de forma eficiente graças ao entrosamento da dupla que divide a tela e a profundidade de seus personagens. Enquanto Vincent transparece ter uma personalidade antissocial, orgulhoso de seu trabalho e sua condição de predador, se se isentando de qualquer remorso possível, Max reflete tudo aquilo que o primeiro despreza na natureza humana. Max tem sonhos, planos e ambições que certamente (na visão de Vincent) nunca serão realizados, devido ao sua instintiva necessidade de minar seu auto encorajamento ou se prender a própria falta de ambição. Fazer planos é fácil, e esperar que eles aconteçam espontaneamente é mais fácil ainda, quando você não tem a ambição de vê-los realizados. O momento que Vincent esclarece seu ponto de vista a Max enquanto ele dirige sobre essa característica, lhe exemplificando através da experiência de um amigo, pode ser um dos pontos altos dos diálogos proporcionados pela dupla. Contudo há outros, mais enfáticos quanto esse, como quando Vincent mostra o destino de uma pessoa que não entende nada sobre Miles Davis, que é certamente um dos melhores momentos do filme, tamanha a frieza adotada pelo personagem de Vincent. 

O roteiro escrito por Scott Beattie, responsável também pelo roteiro de “Piratas do Caribe”, tem sua força nos diálogos afinados e na história, que apesar de ser linear é bem construída, com trágicas coincidências, com personagens personificados entre a realidade comum e a psicopatia e principalmente no foco da relação afetiva que se desenvolve entre os atores, do que em desfechos prodigiosos. A relação entre o assassino Vincent e o taxista Max transforma o processo da caçada humana em um thriller bem original. O visual adotado por Tom Cruise para esse longa-metragem é no mínimo curioso: cabelos grisalhos e terno cinza apertado. Caracterização criada pelo cineasta Michael Mann, que presumiu haver a necessidade que o astro se distancie da imagem convencional que o espectador comum está habituado a ver dele. "Colateral" não chega a ser o melhor filme de Michael Mann, também responsável por preciosidades como “O Informante e Ali”, mas sem dúvida esse longa tem muito a oferecer através do clima tenso que se apresenta através das excelentes atuações e pelo roteiro inteligente, que se transforma em um estudo mais profundo sobre as motivações de um psicopata ao mesmo tempo em que permite a uma vítima a busca da redenção.

Nota:  8/10
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2 comentários:

  1. eu gosto muito desse filme. adoro o tom cruise como ator.

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    1. Particularmente também gosto... embora muita gente torça o nariz injustamente para seus filmes.

      bjus

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