sábado, 3 de outubro de 2015

Crítica: Segredos de Sangue | Um Filme de Park Chan-wook (2013)


Realizado pelo aclamado diretor sul-coreano Park Chan-wook, a estreia estadunidense desse brilhante cineasta não podia ter sido melhor. Responsável por filmes icônicos do cinema sul-coreano, como “OldBoy”, “Lady Vingança” e “Mr. Vingança” (a famosa trilogia da vingança), o cineasta se mostrou através dessa produção bem adaptado ao território ocidental. De estilo nada convencional, onde traços de força e obscuridade são aspectos marcantes de sua filmografia, a mudança de continente não mudou em nada suas qualidades como realizador autoral. “Segredos de Sangue” (Stoker, 2013) é um thriller de suspense dramático estrelado por Nicole Kidman, Mia Wasikowska e Matthew Goode. Ao contrário dos famosos filmes de Chan-wook, aqui a história é fruto de uma terceirização onde o roteiro desse longa-metragem é da autoria de Wentworth Miller (ator conhecido por sua participação no seriado Prision Break) e que faz desse seu trabalho sua estreia. Em sua trama acompanhamos os misteriosos bastidores da família Stoker. Quando o pai, Richard Stoker (Dermont Mulroney) morre acidentalmente e durante a cerimonia de luto, onde a viúva Evelyn (Nicole Kidman) e sua filha, India (Mia Wasikowska) ainda chocadas com a perda, elas são surpreendidas com a aparição do enigmático irmão de Richard, o Charlie (Matthew Goode). O sujeito se insere na rotina das duas, vindo a se hospedar na casa delas num estranho triangulo familiar onde alguns segredos e intenções obscuras veem a tona.


Segredos de Sangue” é uma experiência cinematográfica encantadora desde os primeiros minutos de exibição. Visualmente rico em vários aspectos, a riqueza técnica da direção de arte e fotografia elevam a funcionalidade do trabalho de Park Chan-wook a um nível de excelência extraordinário. Chan-wook que é um cineasta meticuloso com a câmera, notando-se que a elaboração de cada tomada ou nas longas cenas desprovidas de inconvenientes cortes, há uma agradável e equilibrada textura nas cores e formas que transitam pela tela que são quase palpáveis aos espectadores, existe uma criação de atmosfera perfeita para a trama. Some-se aí um roteiro brilhante, de início lento em seu desenvolvimento, mas que aos poucos mostra suas qualidades no tempo certo, onde o espectador fica agraciado com uma trama repleta de personagens interessantemente compostos, intrigantes simbolismos e inteligentes situações de dualidade. Nenhum personagem tem seu perfil evidente aos olhos do espectador, ou previamente definido (os personagens estão numa constante metamorfose), o que gera ótimas oportunidades para que o elenco demonstre seu valor. Se o nome de Nicole Kidman é o que mais brilha nos créditos como chamariz, a atriz australiana Mia Wasikowska rouba a cena, ao mesmo tempo em que Matthew Goode engrandece o triângulo de segredos que são cuidadosamente permeados ao decorrer dos noventa e nove minutos de duração de “Segredos de Sangue”. Com uma mistura de crime, desejo incestuoso que nos leva a um desfecho surpresa, o cineasta sul-coreano se mostra bem adaptado ao cinema do tio Sam.

Nota:  8/10
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