segunda-feira, 15 de maio de 2017

Crítica: O Grande Hotel Budapeste | Um Filme de Wes Anderson (2014)


São poucos os cineastas em atividade capazes de confeccionar mundos tão delicados e recheados de personagens tão singulares quanto Wes Anderson. Para chegar a esta constatação, basta lançar um rápido olhar sobre sua filmografia para constatar o quão habilidoso ele é no que se diz respeito ao ato da criação. Cuidadoso nos quesitos técnicos que compõem seu trabalho, criativo em elaborar soluções açucaradas e sempre buscando tirar o melhor proveito dos grandes nomes que compõem o elenco de seus filmes, o cineasta simplesmente esbanja excelência a cada nova produção lançada e surpreende positivamente o púbico com sua realidade adocicada. Assim sendo, “O Grande Hotel Budapeste” (The Grand Budapest Hotel, 2014) é uma comédia dramática adaptada por Hugo Guinness, Stefan Zweig e Wes Anderson, que também assume a direção do longa-metragem com seu raro brilhantismo e dá continuidade ao seu estilo agridoce de fazer cinema. Em sua história o famigerado hotel que dá nome a produção serve como um decorado palco para os espectadores acompanhar uma série acontecimentos divididos em três diferentes momentos do tempo em um país fictício localizado nos gélidos Alpes Europeus. Mais precisamente quando um elegante e metódico concierge, Gustave H (Ralph Fiennes) e seu devoto carregador de malas, o Zero Moustafa (Tony Revolori), funcionários do Grande Hotel Budapeste acabam se envolvendo numa perigosa trama de crime e morte com uma família de herdeiros de uma antiga hóspede do estabelecimento.

O Grande Hotel Budapeste” se localiza numa realidade paralela do tempo, onde seu realizador a decora com cores variadas e formas polidas. O desenvolvimento nostálgico das desventuras de Gustave e seu ajudante são feitas de modo embelezado, minuciosamente detalhado e recheada de personagens incomuns que lhe confere um tom de humor bastante pitoresco e agradável de ser acompanhado. Trata-se de um filme de um artesão perfeccionista, atento e criativo ao que é necessário e ao que é extravagância; onde a direção de arte é bem cuidada, os enquadramentos respeitam um padrão geométrico de cena e mesmo que o enredo tenha o elemento da tragédia lá no fundo em seu cerne, a sutil atmosfera cômica se mostra latente em toda a sua duração tornando essa produção um deleite aos apreciadores do trabalho do cineasta Wes Anderson. Habituado a trabalhar com grandes atores, Wes Anderson escala nomes como Ralph Fiennes, Edward Norton, Owen Wilson, Jude Law, Bill Murray, Adrien Brody, Harvey Keitel, Willem Dafoe entre outros mais para compor um variado leque de personagens chamativos que somente enriquecem o enredo. Embora seja um filme marcado pelo estilo de seu realizador, talvez um de seus maiores atrativos, o espectador ainda ganha a satisfação de uma história que não se perde a valiosa substância ao longo de toda a sua duração. Assim sendo, “O Grande Hotel Budapeste” é um filme pela lógica imperdível para fãs do cineasta, mas não uma incursão recomendada para iniciantes. Seria de alguma forma interessante uma previa contemplação de outras obras anteriores a essa, já que para alguns fãs seria uma heresia saborear uma carreira tão deliciosa pela cereja do bolo.

Nota:  9/10
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