quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Crítica: O Protetor | Um Filme de Antoine Fuqua (2014)


Se aparentemente Robert McCall (Denzel Washington) parece ser um pacato e solitário cidadão da cidade de Boston, algo deve ser dito a seu respeito: isso é certo que nem sempre foi assim. Se agora ele não passa de um competente funcionário numa loja de materiais de construção e ferramentas, seu passado está marcado de segredos que invariavelmente desperta a curiosidade das pessoas que tem contato com ele, como colegas de trabalho ou uma sonhadora garota com quem conversa em suas madrugadas de insônia numa lanchonete próxima de sua casa. Mas seu adormecido passado volta a ser reacendido, quando perturbado pela violência com que um grupo de gangsteres russos que agencia jovens garotas de programa estava tratando Teri (Chloë Grace Moretz), McCall tenta comprar sua liberdade sem sucesso, isso desencadeia uma brutal solução. O que parecia dado como encerrado por McCall, sua atitude fez com que um perigoso capanga a serviço da máfia russa, Teddy Benson (Marton Csokas), fosse enviado pelo chefe desse império criminoso incumbido da tarefa de descobrir o autor do desastre que tem assolado as operações em Boston e eliminá-lo a qualquer custo. O que iniciou uma guerra pela justiça nas ruas dessa cidade e a criação de um herói dos indefesos. “O Protetor” (The Equalizer, 2014) é um thriller de ação estadunidense escrito por Richard Wenk e dirigido por Antoine Fuqua. Baseado numa série de televisão dos anos 80, que acompanhava as ações extremadas de justiça de seu protagonista, o filme é reaproximação de uma parceria de sucesso entre Denzel Washington e Antoine Fuqua. Os dois já haviam trabalhado juntos em “Dia de Treinamento” (2001), um longa-metragem policial que rendeu o Oscar de Melhor Ator a Denzel Washington por sua interpretação sensacional pelo policial corrupto Alonso.

São poucos os atores em atividade capazes de conferir credibilidade a personagens de contornos tão ajustados quanto o que protagoniza “O Protetor”. E Denzel Washington é um deles, seja em pequenas nuances atribuída por um gesto ou um simples olhar, ou apenas no soberbo ato de proferir seu texto que se alterna entre frases de efeito e reflexão de modo magistral. É certo que “O Protetor” tem um enredo clichê materializado por um roteiro espaçosamente previsível, mas a atuação do astro combinada com a visão arrojada de seu realizador faz dessa produção uma experiência que prende a atenção do espectador. Mesmo tendo algumas falhas, principalmente por alguns excessos como a inquestionável superioridade de seu personagem no confronto com seus oponentes, sobretudo o filme decorre bem em tela. O estilo de Fuqua é presente em inúmeras passagens do filme (como em estilosos detalhes concedidos ao espectador em slow motion que antecedem momentos de brutalidade extrema), e contrasta bem com a proposta oferecida. Embora não confira nada de novo ao gênero, onde ambos têm seus melhores trabalhos em outros filmes, é imprescindível dizer que o desenvolvimento apresenta cuidados técnicos acima das expectativas e uma atmosfera envolvente além do esperado. Tudo o que é necessário para fazer dessa produção um programa de entretenimento adequado com toques de ousadia. Com boas sequências de ação em passagens bem ritmadas, um antagonista que colide com harmonia com a presença do astro e algumas boas sacadas narrativas, “O Protetor” é capaz de agradar tanto a fãs do protagonista como os apreciadores do gênero. O filme aproveita bem seu orçamento de 55 milhões e fatura alto nas bilheterias, o que consequentemente não seria nenhum crime aproveitar o estratégico gancho dado no final, para uma bem-vinda continuação.

Nota:  7/10
_____________________________________________________________________________

2 comentários:

  1. Concordo com sua observação - a seriedade de Washington como ator ajuda a também elevar a seriedade do filme, que não revoluciona mas é super bem feito. Só acho que Chloe não convenceu muito naquele papel.

    Cumps.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que podia ter sido qualquer outra atriz que não faria diferença. Sua personagem surge e desaparece de acordo com o enredo do filme sem burocracias (surpresa de não terem mostrado ela partindo). Fiquei até chateado com seu ressurgimento no final, só para mostrar que ela ficou bem e grata pelo trabalho de Denzel.

      abraço

      Excluir