sábado, 16 de maio de 2015

Crítica: Amor à Primeira Briga | Um Filme de Thomas Cailley (2014)


O que viria de ser apenas mais um verão na vida de todos, logo se mostra que a vida ganhará novos rumos. Com a morte do pai, Armaud (Kevin Azaïs) a contragosto procura ajudar o seu irmão com os negócios da família, ao mesmo tempo em que vive o dilema de se juntar as Forças Armadas que estão fazendo o recrutamento em sua cidade. Nesse tempo surge Madeleine (Adèle Haenel), uma garota bastante peculiar de poucos amigos e nenhuma simpatia que quer se juntar ao curso de verão do exército para se preparar para ingressar no mais difícil regimento. Completamente fascinado por ela, Arnaud vê suas dúvidas em relação ao seu futuro se dissipar e a segue em seu sonho, que automaticamente passa a ser o seu também. “Amor à Primeira Briga” (Les Combattants, 2014) é uma comédia dramática francesa dirigida por Thomas Cailley (realizador de um curta-metragem premiado chamado “Paris-Shangai). Com o roteiro escrito pelo próprio Cailley em parceria com Claude Le Pape, seu longa-metragem de estreia surge como sendo uma estranha incógnita. Considerando que o cineasta entrega um filme de inquestionável respeito, com boas qualidades, ainda assim o resultado dessa empreitada não seja coerente com a enxurrada de prêmios de peso que recebeu em alguns festivais de renome. O filme até tem o seu brilho, mas não a ponto de se destacar com vantagem dentre outros vários exemplares do cinema francês, se mostrando apenas como uma comédia romântica eficiente.


Amor à Primeira Briga” eleva a máxima à popular expressão: “os opostos se atraem”. É interessante ver a forma como Thomas Cailley arquiteta de forma simples e funcional a combinação de pessoas tão diferentes. Enquanto Madeleine é a materialização humana da atitude, nervosa e impaciente as suas ansiedades pessoais; Arnaud é feito de paixão e sensibilidade, suscetível a mais leve brisa de instabilidade. Thomas Cailley trabalha com habilidade essa relação, onde pessoas tão diferentes unem-se em um objetivo comum, obviamente auxiliado pelo talento dos jovens atores que conseguem conferir aos seus personagens uma proximidade de ações e reações de grande naturalidade. Mas essa qualidade vai se perdendo ao decorrer da trama que não reserva grandes surpresas, ou pelo menos alguma realmente válida ao espectador que espera algo mais da história. Embora exiba muitas belezas, visuais principalmente, o filme carece de uma exploração mais ambiciosa para o destino dos personagens. Algo por exemplo que nos faça torcer pelos personagens do começo ao fim. Sobretudo, “Amor à Primeira Briga” é um filme bonito em sua aparência, com uma história simples abordada com sinceridade, mas de alcance limitado que não justifica aos meus olhos tantos prêmios que recebeu.

Nota:  6,5/10
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