segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Crítica: Batman O Cavaleiro das Trevas | Um Filme de Christopher Nolan (2008)


O diretor Christopher Nolan recria conceitos e ultrapassa todas as expectativas com uma sequência sombria e realista. Em "Batman O Cavaleiro das Trevas" (The Dark Knight, 2008) a coisa que mais me chama a atenção é justamente não se tratar de um típico filme de heróis, mas de vilões e a linha tênue que os separa. O grande herói dessa produção continua intocado desde o surpreendente “Batman Begins”, embora desta vez tenha um adversário à sua altura e enigmaticamente superior. A presença mais marcante desse longa-metragem foi arrematada pelo Coringa através de uma interpretação inspirada (em que ele mesmo se define como um agente do caos), elevando seu personagem aos patamares mais altos da história dos vilões do cinema (onde personagens como de Hannibal LecterO Silêncio dos Inocentes” e Norman Bates Piscose” habitavam sem perturbações, o Coringa se mostra igualmente fabuloso). Mas o Coringa, apesar de sua expressiva vantagem sobre outro vilão que compõe o repertório de personagens fantásticos de "Batman O Cavaleiro das Trevas", é seguido de perto por Harvey Dent (também conhecido como Duas Caras) igualmente bem composto. O herói continua incrível, contudo seus oponentes não deixam nada a desejar. 

Na trama dessa produção acompanhamos os eventos após o término de “Batman Begins”, quando o Comissário Gordon (interpretado por Gary Oldman) promovido após o desfecho do filme anterior anuncia ao Cavaleiro das Trevas (Christian Bale) a existência de um estranho criminoso mascarado, que além de estar preocupando as autoridades policiais de Gotham, ainda tem incomodado as atividades criminosas da Máfia consolidada. Mas Bruce Wayne procura mais do que tudo, um substituto para que ele possa aposentar o uniforme do justiceiro mascarado e abandonar as noites em claro. Encontrando na figura de Harvey Dent (Aaron Eckhart) um otimista promotor de justiça determinado a limpar a cidade do crime a oportunidade para essa realização, ambos juntam forças com Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal) para combater um poderoso inimigo: o Coringa (Heath Ledger) um mascarado psicopata que se propõe a matar o Batman para os chefões do crime de Gotham City. Subestimado por Batman, logo ele espalha o caos pela cidade virando uma ameaça a todos. Com inteligentes artimanhas e uma insanidade assustadora o Coringa obriga Batman a abandonar todas as suas regras, se mostrando o maior de todos os desafios que poderiam ter cruzado o seu caminho.

O cineasta Christopher Nolan deixa de lado qualquer conceito de filmes de herói, criando um épico onde mesmo tendo tudo que remeta ao gênero (um herói mascarado, vilões totalmente insanos, humor afinado e muita ação) torna-se ao mesmo tempo uma análise profunda sobre a origem do mal e de como qualquer pessoa sob as condições adequadas pode tornar-se sua personificação. Essa produção, apesar de se utilizar dos clichês do gênero, não pode ser caracterizada de forma simplista como apenas um filme de super-herói (gênero sofrido de preconceito em certos círculos críticos devido a péssima qualidade da maioria dos exemplares lançados). Suas ramificações se alternam durante sua duração (tem ação, humor, flerta com o gênero policial quando não com filmes de mafiosos) dando ênfase a vários elementos diferentes na composição do todo. Enquanto a ação desenfreada toma a atenção em um primeiro ato, uma trama resultante de suas consequências se cria posteriormente, e que logo em seguida desencadeia outras mais. Cada elemento (dos personagens a narrativa) tem seu tempo exato para entrar em cena, onde o cineasta (também um competente produtor e roteirista) não perde a mão em momento algum. Subtramas se unem em um único enredo e onde esquemas de corrupção policial, temor público pelos poderes da máfia, interrogatórios policiais, dividem a tela com extravagâncias tecnológicas do protagonista sem causar estranheza, o filme se torna envolvente e um excelente programa de entretenimento. Personagens secundários como Rachel (Maggie Gyllenhaal), Lucius Fox (Morgan Freeman) e Alfred (Michael Caine) representam o que há de melhor como elenco de apoio. Filmado em IMAX em diferentes partes do mundo, esse longa alia uma produção impecável com uma realização competente divulgada através de uma campanha de marketing magistral.

Em resumo, a psicologia de questões morais perpetradas nos acontecimentos em volta de Batman  O Cavaleiro das Trevas” o torna diferente dos filmes do gênero. A soma de atuações extraordinárias, um roteiro fluente em suas origens, de condução memorável, faz dessa produção um longa-metragem único no gênero. Assim essa sequência ultrapassa os limites do realismo arquitetado em “Batman Begins”, definindo de forma antológica o universo sombrio do famoso personagem da DC Comics, que ao mesmo tempo, concilia produto e arte numa produção inusitada de modo surpreendente  

Nota: 10/10
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