segunda-feira, 15 de julho de 2013

Crítica: Uma Ladra sem Limites | Um Filme de Seth Gordon (2013)

 

O diretor Seth Gordon foi mais feliz na realização de “Quero Matar Meu Chefe” (2011). De uma história absurda em todos os sentidos, ele conseguiu um resultado no mínimo inusitado, sendo que esse longa em sua premissa não tinha nada de novo, mas tudo acertadinho para se apresentar uma comédia repleta de personagens interessantes e excêntricos bem ao estilo dos filmes dos irmãos Farrelly. Agora, “Uma Ladra sem Limites” (Identity Thief, 2013) erra feio ao apresentar uma trama desinteressante nos moldes de um road movie que não chega em lugar nenhum ao unir diferentes personalidades numa mesma jornada. Se a ideia em teoria tinha seu brilho, acabou perdendo pontos por não cumprir a promessa de ser engraçada como aparentava. Em sua história acompanhamos Sandy Patterson (Jason Bateman) um morador de Denver que tem um nome que remete ao nome de uma mulher. Mas ele é homem, e tem uma bela esposa (Amanda Peet) e duas lindas filhas. Detalhes a parte, certo dia ele descobre que sua identidade foi usada numa fraude de cartões de crédito por uma golpista chamada Diana (Melissa McCarthy) que lhe conferiu dívidas e deixando seu nome associado à série de delitos. O único jeito dele reverter essa situação é encontrar a tal mulher que anda pela Flórida e trazê-la para Denver para responder por seus crimes e limpar o nome de Sandy. Mas o que parecia ser uma tarefa fácil em teoria, se mostra uma jornada bem complicada permeada por uma série de obstáculos e personagens que dificultarão que a justiça se faça.


A eventual viagem da Flórida a Denver poderia ter sido mais bem explorada. De estampa humorística, o longa pisa muito forte em terreno dramático, mexendo em assuntos delicados sem uma abordagem verossímil - o filme costura situações e invalida o sistema da justiça, deixando crer que a única forma de alcança-la é fazendo você mesmo. Aos poucos a comédia vai se perdendo ao decorrer do trajeto, repleto de solavancos emocionais, e ainda mais com o surgimento de mais e mais personagens para dividir a atenção do espectador. Assim tudo vira muito papo, bastante correria, e poucas tiradas de humor que funcionem de verdade. Por fim, nem mesmo os talentosos protagonistas conseguem dar o tom certo a essa produção. Enquanto Jason Bateman é a imagem do cidadão norte-americano ideal, a atriz Melissa McCarthy retrata o inverso, num confronto que até rende bons momentos, mas que não se multiplicam ao decorrer de toda duração do filme. Naturalmente tem um final feliz e politicamente correto pouco expressivo, mas que pouco importa sendo que se trata mesmo de uma comédia, onde sua glória deve ser encontrada acima de tudo no processo. “Uma Ladra sem Limites” se mostra um desfalque na filmografia dos envolvidos – pelo menos de modo crítico. Sucesso de bilheteria, produções do gênero tem tido sempre uma boa aceitação de público independente do resultado.

Nota: 5,5/10  

2 comentários:

  1. Esse foi um daqueles filmes que eu assisti e já não me lembro de mais nada, pra ver o nível de "impacto" disso. O "Quero Matar Meu Chefe", apesar do final bobo, eu assisti duas vezes, e gostei bastante, tanto que vou buscar a sequência para assistir nesse instante.

    Uma sugestão, o Sr já pensou em colocar o "Linkwicth" no seu blog? É aquele código java que ao final de cada post indica mais 5 similares, conhecido como "Você pode gostar de" ou "Leia também". Eu coloquei no meu, e deu o maior trabalho pra tirar, tirei porque ele simplesmente não atualizava, mostrava sempre os mesmos 5 posts de indicação pra cada post, se tornando assim só um enfeite que não trazia resultados. Mas sempre vejo funcionando corretamente em todos os blogs que eu visito.

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    1. Boa Noite Ozy

      Já tive no passado esse recurso na página ao qual você mencionou. Até funcionava bem, mas era pouco usado pelos os visitantes e tornava a página um pouco mais pesada para carregar do que eu gostaria de ver no meu blog. No final das contas, tirei, como o captcha (um anti-spam antiquado que era as vezes um teste de paciência para comentaristas). Hoje eu mantenho esse layout simples, sem muitos recursos e que infelizmente, com posts cada vez mais raros. Não é que não queira ousar ou melhorar certas coisas, mas na verdade as vezes ainda acho o blog excessivamente carregado visualmente. Mas como eu adoro filmes, e inclusive acho fantástico certos cartazes de divulgação, não abro mão de decorar meu blog com alguns cartazes de posts passados.

      Embora eu particularmente aprecio a proposta mais elegante e objetiva de certos blogueiros (ainda que sejam poucos que conheço com o foco em cinema) que não buscam atrativos complexos ao visitante, adotando uma estética simples a seu trabalho (um exemplo: http://alwayswatchgoodmovies.blogspot.com.br/). Geralmente eles não carregam no apelo visual para a página e se concentram mais no conteúdo. Eu acho admirável essa iniciativa, embora não a adote.

      Mas obrigado pela sugestão que é sempre bem-vinda.

      abraço

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