sexta-feira, 12 de julho de 2013

Crítica: Dezesseis Luas | Um Filme de Richard LaGravenese (2013)


Dezesseis Luas (Beautiful Creatures, 2013) foi constantemente comparado a Crepúsculo, embora não seja diretamente igual. Mas a semelhanças existem, sutis no produto e gritante nas pretensões. Esse modismo de romancear tramas sobrenaturais protagonizadas por jovens que vivenciam conflitos Shakespearianos tem rendido um novo filão lucrativo para o cinema, e esse é o principal motivo das inevitáveis comparações. A existência do segundo veio em função do sucesso do primeiro. De resto, os universos abordados se diferem totalmente, apenas deixando a sensação de que "Dezesseis Luas" segue no rastro de um mercado que demonstrou uma energia empolgante para os estúdios Hollywoodianos. Baseado na série literária de Kami Garcia e Margaret Stohl, os contornos dados ao trabalho das autoras acabou se assemelhando em muito com o de Stephenie Meyer (justamente porque seu foco é no mesmo público alvo) órfão de um objeto de culto cinematográfico após o término de outras franquias juvenis, além de "Crepúsculo", inspiradas em sucessos literários. Se o materiais impressos das histórias não possuem uma conexão presente, o mesmo não pode-se dizer das transposições cinematográficas das obras. A história  dessa produção se passa na cidade de Gatlin, na Carolina do Norte, onde acompanhamos Ethan Wate (Alden Ehrenreich) um estudante do terceiro ano, ansioso em se formar e sair daquela cidade o breve possível. Mas para sua surpresa ele acaba conhecendo Lena (Alice Englert) uma jovem misteriosa que acaba de se mudar e está morando com seu tio, Macon Ravenwood (Jeremy Irons) um homem visto com muito preconceito pelos demais moradores da cidade. Aos poucos os jovens vão se conhecendo e apaixonando-se, o que resulta consequentemente em um grande amor. Contudo, Ethan descobre que Lena é uma conjuradora (bruxa) e que aos 16 anos ela passará por uma transformação que determinará para que lado seu destino a levará: o da luz, ou das trevas. Com o peso de uma maldição na família, o espírito de sua mãe (Emma Thompson) fará de tudo para levar Lena para as trevas e se tornar a conjuradora mais poderosa da história. 



Com uma estética visual que atende ao enredo, efeitos visuais de funcionalidade comprovada em outras produções que não geram decepção, uma direção competente de Richard LaGravenese (Escritores da Liberdade e PS: Eu te Amo) apesar de ainda assim nada inovadora, o conjunto da obra somente perde intensidade devido a falta de química de seus protagonistas - são raros os momentos que trazem emoção. Um pouco pela falta de expressividade do casal, mas também por culpa de algumas deficiências do roteiro, que apesar de alguns diálogos inspiradores retirados de grandes obras da literatura, está repleto de frases inocentes e situações constrangedoras que não ajudam numa composição madura ao filme - apesar do desenvolvimento simpático, está distante de ser inovador. Em contrapartida, a parte do elenco mais experiente equilibra a balança, presenteando o espectador com grandes interpretações (clichês) que trazem um certo carisma a produção como um todo. Diga-se Emma Thompson, numa interpretação caricata e divertidíssima da imprescindível bruxa má da história. 

Por fim, "Dezesseis Luas" tem uma trama divertida, um romance adolescente sem grandes reviravoltas e um toque sobrenatural que não encanta tanto quanto os estúdios imaginavam. Demonstra ao final, não ser um produto que garanta o apreço de fãs de outras franquias juvenis, como ao mesmo tempo, também abre margem para conquistar novos apreciadores desse formato de entretenimento que anda moda. Se a produção não atende aos apreciadores da Saga Crepúsculo, culpa dos realizadores que tentaram vender gato por lebre sem ter o total domínio da magia.

Nota: 7/10    

2 comentários:

  1. Como odiei a saga Crepúsculo e seu romance bobo, prefiro não arriscar esse que por mais que tenha diferenças......possui algo de semelhante.

    Abraços

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    1. Em resumo: amor adolescente feito para adolescente. Mas como no primeiro episódio de "Crepúsculo" (que achei curioso até certo ponto) acabei simpatizando com essa produção. Não vai mudar a minha vida, nem nada, mas me entreteve por cerca de duas horas sem causar bocejos. Assisti por curiosidade, e fiquei surpreso pelas qualidades que mencionei acima, o que me valeu para escrever uma resenha sobre o filme.

      abraço Renato

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