quinta-feira, 27 de junho de 2013

Crítica: Eu Sou a Lenda | Um Filme de Francis Lawrence (2007)


Robert Neville (Will Smith) é um cientista-militar que vive sozinho em Nova York após uma pandemia que ocorreu três anos antes. Um vírus se espalhou rapidamente pelo mundo, convertendo a população em uma espécie de vorazes zumbis-vampirescos que tem aversão a luz solar, e que aniquilou quase toda a população mundial, inclusive a da cidade de Nova York. Na solidão de ser um dos poucos sobreviventes, senão o último da maior metrópole do mundo, alterna sua rotina entre fazer contato com outras pessoas não infectadas, e a busca da descoberta da cura à doença que praticamente dizimou a raça humana. Neville tem apenas em sua companhia, um inseparável cão pastor. Tanto a busca por outros sobreviventes, como a cura do vírus ao qual ele se apresenta imune, demonstra-se distante. Mas quando uma jovem e uma criança cruzam seu caminho, Neville começa a ver a possibilidade desse pesadelo que inclusive tem abalado sua sanidade se reverter. "Eu Sou a Lenda" (I Am Legend, 2007) é baseado no livro de Richard Matheson, publicado em 1954 e que já havia sido transposto pela primeira vez para película em 1964, com o título "Mortos que Matam", de Ubaldo Ragona - uma evidente inspiração à George Romero materializada em "A Noite dos Mortos Vivos", de 1968. Sobretudo, esse remake conduzido pelo diretor Francis Lawrence confere uma roupagem mais dinâmica a premissa de Matheson em um produto explicadamente de consumo rápido com alguma carga dramática bem-vinda encrustada em sua estrutura. 



O diretor Francis Lawrence, famoso por dirigir vídeos musicais de mega bandas, e de sucesso a contento após seu longa "Constantine" (2005), consegue criar seu conceito de fim de mundo, e de personagem que conduz o espectador por ele de modo formidável. Porém, o longa é inevitavelmente dividido em três atos desiguais, onde acaba por perder força no segundo, até culminar em um desfecho ineficaz e desinteressante - inclusive no final alternativo que compõe os extras do DVD. Se o ator Will Smith acerta no tom de sua desolação - muito pelo competente roteiro - a atriz brasileira Alice Braga, surge como um equívoco na história - ironicamente por culpa também do roteiro. Diálogos dissonantes permeiam a interação entre Smith e Alice, onde muitas vezes soam forçados, quando não inúteis para o andamento da história (não há química no contato deles como inclusive o surgimento dela se apresenta em ações excessivas). Entretanto a produção tem suas riquezas, como na estética visual desse mundo pós-apocalíptico retrocedido com ajuda de uma dose medida de efeitos visuais e uma direção de arte extraordinária. A narrativa que usa flashbacks, surpreendentemente necessários que dão a noção precisa do enredo, peca por não saber conduzir o espectador a algum lugar diferente do esperado. Contudo, "Eu Sou a Lenda" é um bom filme de entretenimento, e muito disso se deve a presença do astro Will Smith, que sustenta solitariamente bem a produção, tanto na emoção, quanto na ação de sua trajetória pela cidade.  Infelizmente Alice tornou-se um desvio de rumo fatal, que ao contrário de seu parceiro de tela, ainda não tem o carisma necessário que pode fazer a diferença dentro de uma produção de entretenimento para a massa.

Nota: 7,5/10  

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2 comentários:

  1. Bom filme, com início, meio e fim no seu desenrolar.

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    1. Um raro caso onde o remake supera o original.

      abraço

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