segunda-feira, 1 de julho de 2013

Crítica: Psicopata Americano | Um Filme de Mary Harron (2000)


Patrick Bateman (Christian Bale) é vice-presidente de uma grande companhia de Nova York. Jovem, educado e bem-sucedido, tem um hobbie no mínimo curioso: gosta de matar mendigos, prostitutas e qualquer um que lhe irrite, sem demonstrar nenhum problema quanto a isso. Se ao dia ele segue a rotina de um típico executivo de Wall Street (almoçando em luxuosos restaurantes, namorando um bela jovem, analisando criticamente detalhes sobre cartões de visita) a noite ele se transforma em um incontrolável serial killer. "Psicopata Americano" (American Psycho, 2000) é a transposição cinematográfica do polêmico livro de Bret Easton Ellis, que tem em sua essência uma forte crítica social em relação ao capitalismo. Com uma dose latente de humor negro, essa produção dirigida por Mary Harron, e apresentada de modo inteligente encara os anos 80 com uma dose cavalar de desdém, sem levantar um pingo sequer de nostalgia sobre esses tempos onde a cultura yuppies surgia sob uma aparência perfeccionista, que camuflava a verdadeira face materialista e fútil dessas pessoas.



Mais de uma década depois da realização desse filme, essa produção ainda se mostra atual. Se obras como "Clube da Luta" (1999) eram armadas com um discurso declarado anti-capitalista, além de retratar o rumo do consumismo contemporâneo, e acima de tudo, sobre os efeitos que ele exercia descontroladamente sobre o ser humano, "Psicopata Americano" tem em sua narrativa a sutil descrição metódica desse mal. Isso foi representado através das nuances em volta de seu protagonista, com imagens (e as imagens falam mais do que mil palavras), a condução de Mary Harron vai dando os contornos exatos da personalidade de Christian Bale, e tudo que ele representa. Por trás das aparências, há um homem frio e calculista, desprovido de sentimentos, sendo a retratação de uma geração inteira. Obviamente extremada devido a natureza do enredo, mas claramente evidenciada sob um olhar mais cuidadoso. Essa produção não é uma típica produção de um assassino em série, mas uma criativa metáfora cultural, materializada com muito sangue e sequências antológicas.

"Psicopata Americano" não impressionou nas bilheterias da época, mas com o tempo ganhou status de produção cult com facilidade. Existe uma forte pretensão em andamento de ser refilmado, embora essa produção não seja uma referência no gênero, conseguiu ao decorrer do tempo ganhar seu espaço no gosto de apreciadores de fitas que exibem uma substancia encrustada no enredo, sem abrir mão de um pouco de derramamento de sangue e violência em sua estética. Essa produção é um ótimo filme, que merece ser revisitado ocasionalmente, antes que seu remake destrua tudo o que ele obteve. 

Nota: 8,5/10


4 comentários:

  1. "Psicopata Americano" tem em sua narrativa a sutil descrição metódica desse mal. PERFEITO.

    Adorei o filme. Pena que realmente não fez sucesso de público. Agora vergonhosa é a continuação........vergonha máxima do cinema cult.

    abraços

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    1. Não cheguei a ver a continuação. Para ser sincero, nem sabia que havia uma. Vou procurar só por curiosidade. Quem sabe surge a oportunidade de ver outra hora? Ando meio atarefado, e talvez isso se torne apenas (segundo sua dica) perda de tempo. Coisa que não disponho muito ultimamente.

      abraço Renato

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  2. Um dos meus filmes preferidos de todos os tempos hehehehe. ótima crítica.

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    1. Também acho ótimo esse filme. Não só sangue e morte como parece a primeira vista, mas uma boa de interpretação do ambiente em questão encrustada no enredo. Excelente!

      abraço

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