sexta-feira, 17 de maio de 2013

Crítica: Assalto ao Banco Central | Um Filme de Marcos Paulo (2011)


Em 2005, a quantia de 164 milhões de reais foram roubados do Banco Central de Fortaleza em uma operação criminosa cinematográfica. Ninguém soube exatamente quem foram os verdadeiros responsáveis pelo maior roubo da história do país, mas o material era perfeito para o cinema explorar as possibilidades dessa fabulosa premissa, que suplicava por uma retratação cinematográfica do acontecido – um fato extraordinário repleto de lacunas de fácil preenchimento em teoria. O resultado disso veio através de Assalto ao Banco Central(2011), dirigido pelo experiente diretor de televisão Marcos Paulo que abordou o longa seguindo a fórmula de filmes americanos do gênero. Seu cartaz remete a lembrança de “Onze Homens e Um Segredo” (2001), de Steven Soderbergh, e sua narrativa ao “O Plano Perfeito” (2006) de Spike Lee, demonstrando que essa produção foi o grande filme do cinema nacional que não aconteceu – o desperdício de uma boa ideia numa realização pobre e de resultado desinteressante. Em sua trama acompanhamos a quadrilha liderada por Barão (Milhem Cortaz) que planejou, organizou e executou o roubo ao Banco Central de Fortaleza cavando um túnel das redondezas até o interior do banco. Sem usar uma arma ou disparar alarmes, a quadrilha consegue o mais bem sucedido roubo da história do país. Barão conta com a ajuda de sua mulher, Carla (Hermila Guedes), e de seu velho parceiro Mineiro (Eriberto Leão), entre outros cúmplices, onde temos os delegados Chico Amorim (Lima Duarte) e Telma Monteiro (Giulia Gam) no encalço da quadrilha ambicionando a captura.

Se alguém tiver a pretensão de usar esse filme como fonte de informações sobre o acontecido, esqueça. O livro de Renê Belmonte e Lúcio Manfredi romantizou demasiadamente os fatos e preencheram as lacunas da história com personagens, situações e circunstâncias maciçamente fictícias, o roteiro de Antonia Fontenelle apenas engordou o material com excessos, ao mesmo tempo em que o diretor Marcos Paulo, estreante no cinema, não imprimiu um estilo a produção – reciclou clichês e ideias batidas de produções americanas. Com uma narrativa que se divide em duas partes, entre o planejamento e execução do roubo na primeira, e depois focada na ação policial de busca e captura dos envolvidos, o filme não impressiona, tanto pela falta de originalidade, como pelas as atuações do elenco. Os interessantes viram em nada, e os funcionais não convencem nem de longe, muito pelos diálogos e situações cansativas do roteiro fraco. Com uma rala climatização, o filme é desprovido de tensão ou suspense, restando ao espectador apenas o papel de acompanhar os acontecimentos passivamente, para não dizer, pacientemente. “Assalto ao Banco Central” apesar de baseado em fatos reais, seu resultado não passa de uma possibilidade desperdiçada de uma grande realização, não somente em marketing como foi vendida ao público, mas como produto de entretenimento de qualidade como sua premissa aparentava ser.

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