quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Crítica: Ted | Um Filme de Seth MacFarlane (2012)


Quem diria que um ursinho de pelúcia aparentemente carinhoso, numa trama um pouco, para não dizer por demais inverossímil, seria o grande trunfo de um diretor conhecido apenas pela criação de curiosas séries de TV como “Guy Family” e American Dad”. O diretor Seth MacFarlane estreou nas telonas com essa comédia que foi a grande sensação de 2012. Bateu recordes de bilheteria para o ano mesmo tendo classificação R (restrição à menores de 17 anos, que somente podem conferir o filme acompanhados de pais ou responsáveis), deixando muitas outras produções com promessas de humor garantido no limbo. Assim com “Ted” (Ted, 2012), o diretor Seth MacFarlane e seu humor politicamente incorreto, que sempre marcou seus trabalhos televisivos, dá vida a um ursinho de pelúcia e alegria a uma plateia sobre uma história de crescimento extremamente chocante ao espectador desavisado, e divertida a qualquer um que esteja aberto as possibilidades que o cinema pode proporcionar.

O filme “Ted” conta a história de John Bennett (Mark Wahlberg) ainda quando criança, em meio à solidão desejou que seu urso de pelúcia chamado Ted (dublado pelo próprio diretor), pudesse falar com ele e ser seu melhor amigo. Com o desejo realizado os dois tornaram-se inseparáveis. E quando Lori (Milla Kunis) a namorada de John, que após quatro anos de namoro começa a ver nessa amizade um obstáculo para John amadurecer na vida, sua paixão pela namorada e sua amizade por Ted desencadeia uma trama de decisões difíceis a todos os envolvidos.

O urso Ted está distante de ser um tradicional ursinho carinhoso – usa um linguajar chulo em várias passagens, se mostra obsceno em outras, usa drogas e consome bebida alcoólica cercado de cultura POP – tanto Ted quanto John, são fãs de “Flash Gordon”. Mas Ted não foi sempre assim. No milagre de sua transformação ele era um ursinho fofinho e querido como uma criança solitária imagina, contudo Ted evoluiu evidentemente, ao seu modo, lhe concedendo contornos extravagantes da forma como conduz sua vida. E como John, inseparável amigo, segue de perto as loucuras de seu incomum amigo. Ted já foi uma celebridade, um fenômeno da mídia e o centro dos holofotes mundialmente, mas como a produção mesmo salienta, não há estrela que um dia não se apague e caia no esquecimento. Hoje precisa procurar emprego como qualquer um e pagar aluguel. Sem muita perspectiva de vida, apenas lhe resta viver – leia-se fazer loucuras. No meio dessa relação inabalável se encontra Lori, que vê nessa relação de amizade as dificuldades da evolução de seu amado. John se comporta como um adulto infantilizado, porém carismático. Em um papel distante da namorada chata, e sim receosa com o futuro de sua relação, ela tenta a todo custo abrir os olhos de John para o óbvio – cresça John, cresça! A cena final da “ressureição” é a última cartada de um rico repertório de boas sacadas do roteiro, e porque não dizer a melhor, pois certamente é mais inesperada de todas.

O roteiro de MacFarlane em parceria com Alec Sulkin e Wellesley Wild, tem certos clichês, que de certa forma fluem com naturalidade ao longo da duração do filme. Quase passam despercebidos, justamente porque o foco da trama está bem direcionado nos personagens, divertidos como devem ser. E se os personagens foram bem desenvolvidos, diga-se as situações as quais são envolvidos – a cena da briga no quarto de hotel entre Ted e John é de um esmero dramático no mínimo interessante, além de visualmente bem montado. Entretanto, a contratação de Ted como caixa de um supermercado desliza no surreal de maneira escabrosa e ao mesmo tempo hilária. Mas é preciso reforçar que se trata de uma comédia assumida, que mesmo ao lidar com sentimentos e emoções reais, foram erguidas através de uma premissa surreal e fantástica. O elenco carismático nos faz esquecer essa questão, permitindo que realidade e ficção se misturem até o espectador não se importar com as diferenças.

Ted” é a estreia bem-sucedida de Seth MacFarlane nas telonas. Uma comédia gostosa de ver sobre crescimento obrigatório, relacionamentos conflituosos e sobre a verdadeira amizade num enredo além do inimaginável para alguém com mais de dez anos de idade. Agora somente nos resta esperar por uma sequência a altura do original e torcer pela prorrogação do sucesso do diretor que não poderia ter estrado melhor.

Nota: 9/10
_____________________________________________________________________________

6 comentários:

  1. Eu curti bastante o filme, a única coisa que eu achei que exageraram um pouco foi a referência as drogas e a pronografia que o filme acabou fazendo em excesso, criaram piadas ao redor destes assuntos com muita ênfase, acredito que poderiam ter deixado o personagem muito engraçado sem a necessidade de utilizar piadas do tipo, tirano isso achei que o filme foi no mínimo interessante e divertido.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Na verdade, quando vi o filme, acredite... esperava ver bem mais obscenidades e absurdos quanto houve afinal de contas. Quando li a respeito do filme na época que estava sendo exibido no cinema, acha que veria o próprio anticristo em forma de um bichinho de pelúcia. Pois me enganei. Nesse caso, saí no lucro quanto aos extremismos narrativos escolhidos pela produção. Penso que poderia ter sido bem pior.

      abraço

      Excluir
  2. O filme na verdade foi uma decepção para mim. Achei o humor forçado e o protagonista apático e estúpido. O urso que parece que só foi programado para dizer piadas sujas e usar drogas. O filme é de um humor escrachado e nada sutil, usando como pano de fundo um enredo pouco convincente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vi há muitos anos atrás vários episódios da série "South Park" (uma animação direcionada ao público adulto), que inclusive seu longa-metragem havia entrado para o livro dos recordes na época pelo numero excessivo de palavrões que os personagens disparavam por minuto. Talvez por ter me acostumado a ouvir e ver esse tipo de comportamento em uma produção hollywoodiana, a narrativa adotada em "Ted" não me cause o choque ou a estranheza que "South Park" desencadeava. Certamente que o humor politicamente incorreto de Seth MacFarlane pode não agradar a gregos e troianos.

      abraço

      Excluir
    2. Na verdade sou fã de South Park, e não me incomodo com humor politicamente incorreto, mas acho que o tipo de humor é muito diferente. Cada episódio que eu já assisti tinha um sentido, uma sacada engraçada, até uma moral ou uma mensagem, só que apresentada nesse tipo de humor. Eu apenas achei Ted uma mistura aleatória de palavrões e piadas, como uma desculpa para fazer um filme sobre um ursinho de pelúcia que fala palavrões, "transa" e usa drogas e isso fecha o filme.
      Mas é só a minha opinião!

      Beijos

      Excluir
  3. Estou certo que até podemos discordar de modo geral sobre o filme, porém acredito que em certos aspectos concordamos. Acho que uma das melhores passagens do filme resida em piadas toscas, como quando Ted pede para Lori colocar o despertador para às 11:00 horas, porque ele tinha muita coisa para fazer no dia seguinte rsrsrs. Ou a piada do desfecho, que mencionei no post, apesar do humor negro. Gosto de imaginar que tudo que causa repugnância à respeito desse filme, foi o que me levou mais rápido a ele. Bem ... trata-se de um filme polemico, sem dúvida, mais para isso é que serve esse espaço. Obrigado por me ajudar a aproveitá-lo da melhor forma possível Nani. Nem tudo que queremos e devemos escrever sobre uma filme no post, conseguimos destilar no momento certo. Esse debate auxilia em certos esclarecimentos pendentes.
    Mais uma vez obrigado pelo retorno!

    abraço Nani

    ResponderExcluir