quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Crítica: Seven: Os Sete Crimes Capitais | Um Filme de David Fincher (1995)


Quando o recém-chegado detetive David Mills (Brad Pitt) chega ao departamento de homicídios e é forçado a armar uma parceria inesperada com o experiente detetive William Somerset (Morgan Freeman), isso a poucos dias de sua aposentadoria, ambos são confrontados com uma intrigante investigação que mudará o rumo de suas vidas: encontrar um perigoso serial Killer que fundamenta seus doentios crimes com base nos sete pecados capitais. “Seven: Os Sete Crimes Capitais” (Se7en, 1995) é um thriller policial estadunidense escrito por Andrew Kevin Walker (também responsável pelo roteiro de “8 Milímetros” e “O Lobisomen) e dirigido pelo renomado cineasta norte-americano David Fincher. Entre um dos mais expressivos filmes de sua época, que lançado em setembro de 1995, é justificada que a sua relevância e reputação continua intacta mesmo 20 anos após seu lançamento. Algo praticamente profetizado pelo serial Killer John Doe, que a certa altura da trama, quando ao afirmar com a certeza do que a princípio parecia ser apenas uma série de crimes hediondos, aparentemente comum e esquecível, mas que quando todos estiverem terminados, o significado desses seus atos teria um alcance muito mais longo do que os detetives David Mills e William Somerset conseguem ver de imediato. Verdade seja dita: considerando a relevância da obra na história do cinema, onde serviu de inspiração para uma infinidade de outras obras menos expressivas, “Seven” segue imbatível como um dos melhores suspenses policiais de um cinema mais contemporâneo.


Provavelmente sendo um dos filmes mais fascinantes dos anos 90, “Seven: Os Sete Crimes Capitais” faz parte de um generoso legado de bons filmes permeado pelos mais variados gêneros dessa década. Esse longa-metragem é dono de um requinte visual mais que expressivo herdado da experiência de seu realizador na área de vídeos musicais (onde na época David Fincher já havia dirigido clipes musicais para artistas como Madonna, Billy Idol e Aerosmith), onde logo no início da sombria entrada dos créditos denota a essência de sua natureza. David Fincher mescla com precisão uma densa história que está cheia de boas sacadas, personagens fascinantes e bem construídos e, sobretudo sob uma estética visual e rítmica de cinema noir bem aplicada em prol do conjunto da obra. O fascinante contraste da parceria surgida do novato detetive interpretado por Brad Pitt e o experiente guru das investigações interpretado por Morgan Freeman na incessante caçada de uma tão complexa quanto insana mente criminosa materializada pela brilhante atuação de Kevin Spacey são entre muitas qualidades do filme as que mais se destacam. O conjunto de elementos que compõem essa obra seja técnico ou criativo é um deleite aos apreciadores do gênero. Inclusive esse filme também foi um grato impulso ao subgênero de filmes de serial Killer que passava por uma condição de desgaste aparentemente irreversível. Aparentemente. O filme é a materialização de uma trama de uma ideologia psicótica bem fundamentada a proposta da produção, que repleta de surpresas originais possibilitadas por bons diálogos e situações funcionais, acima de tudo o resultado exibe uma condução primorosa que segura a atenção do espectador sem folga. 

Embora o rumo da trama tenha um desenvolvimento fantástico do começo ao fim, alternando picos de tensão e suspense inigualáveis dentro do gênero, isso eu afirmo sem exageros, “Seven: Os Sete Crimes Capitais” é provavelmente dono de uns dos desfechos mais fascinantes do cinema. Entre muitas qualidades que surgem na tela de forma bem escolhida, seu final é simplesmente de cair o queixo.

Nota:  10/10
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10 comentários:

  1. eu adoro esse filme. beijos, pedrita

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  2. Sempre protelei em assistir esse filme, mesmo sendo do David Finch, eu olhava para a capa e pensava "deve ser mais um filme fraco, como foi Zodíaco". Mas agora ao saber que Kevin Spacey é o vilão, já ganho um novo ânimo.

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    1. Como descrevo na breve resenha, eu particularmente o julgo sendo um dos melhores filmes de seu tempo. Imperdível!

      abraço

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  3. Belo texto, realmente "Seven" é um dos grandes filmes das últimas décadas.

    Quem assistiu ao filme na época, principalmente no cinema logo que foi lançado, se surpreendeu quando surgiu o personagem de Kevin Spacey. O nome do ator não aparecia em cartaz algum e na época a internet ainda estava engatinhando, ou seja, ninguém tinha informação alguma sobre o vilão.

    A dobradinha com "Os Suspeitos" transformou Kevin Spacey em astro naquele ano.

    Abraço

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    1. Sem falar do "Beleza Americana" alguns anos mais tarde, o ponto mais alto da carreira dele, isso se não for mais conhecido e aclamado hoje em "House of Cards".

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    2. Gostaria de ver hoje filmes bons de Spacey como os de antigamente. Infelizmente são raros.

      abraço

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  4. Eu só vi 1 vez, na época mesmo em que foi lançado.
    Bom, eu nem diria que chega a ser tão fantasioso assim, já que o serial killer em questão, no final, se revela um fanático religioso. E a gente sabe que quem vai por esse caminho faz as coisas mais radicais, extremistas e ´´fantasiosas`` como se não tivesse feito nada de ruim, né?
    Pânico na Floresta 2 (que ao contrário do que o nome sugere NÃO É uma continuação de Pânico na Floresta) segue um gênero completamente diferente de Seven, mas passa a mesma mensagem pro público: um fanático religioso vai fazer as coisas mais absurdas e vai achar que não tá fazendo nada de errado.

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    1. A religião e o fanatismo de alguns podem render um bom material para o cinema se bem explorado. Particularmente gosto muito de "O Livro de Eli", um filme pós-apocalíptico protagonizado por Denzel Washington que vale uma conferida. Embora "Seven" seja único em sua proposta. Não assisti "Pânico na Floresta 2", mas eu até me agradei com o primeiro, ainda que assista hoje em dia poucos filmes no gênero no qual habita.

      Obrigado pela visita e abraço

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  5. Por que é tão raro fazerem thrillers tão fascinantes quanto esse, tanto do ponto de vista técnico quanto coneitual? Fincher e seu time provam ser exceções à regra no quesito talento, aparentemente.

    Cumps.

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