quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Crítica: Sr. Holmes | Um Filme de Bill Condon (2015)


A presença de um magnifico ator como Ian McKellen, associada a um personagem icônico da literatura como Sherlock Holmes é um orgulho que não cabe a qualquer realizador. Embora o trabalho aqui não seja esmiuçar nenhuma grande trama investigativa de difícil resolução a meros mortais, Bill Condon entrega de um modo bastante particular um longa-metragem igualmente fascinante. Tanto o trabalho de McKellen quanto de Condon, ambos tem de uma forma bastante elegante e eficiente às atribuições do mais famoso investigador do mundo. “Sr. Holmes” (Mr. Holmes, 2015) é um drama de mistério britânico e estadunidense baseado no romance A Slight Trick of the Mind, de Mitch Cullin que foi publicado em 2005 e que tem a figura de Sherlock Holmes como personagem principal, da autoria de Arthur Conan Doyle. Em sua trama, agora acompanhamos o detetive aposentado Sherlock Holmes (Ian McKellen), que com 93 anos em pleno ano de 1947, já está distante de suas atividades profissionais há quase 20 anos. Embora aposentado, sua reputação e seu talento para desvendar mistérios continuam intactos, apesar de serem ocasionalmente prejudicados pelo ímpeto da idade. Sua memória já lhe o submete a tensas armadilhas e vivendo numa distante fazenda apenas na companhia de uma governanta, a Sra. Munro (Laura Linney) e seu pequeno filho, Roger (Milo Parker), o qual o segundo divide com Holmes seu fascínio por abelhas e sempre se encontra interessado pela incursão de Holmes como escritor, o garoto acaba o ajudando a reconstituir um antigo e importante caso do passado que se recusa a desaparecer da memória e que inclusive lhe impulsionou a uma precoce aposentadoria.

Em uma segunda parceria entre o ator Ian McKellen e o cineasta Bill Condon (a primeira foi através de “Deuses e Monstros), “Sr. Holmes” é a materialização do melhor desses dois. “Sr. Holmes” é um filme meticulosamente elegante em sua aparência e comportamento, de argumento preciso que se beneficia de uma edição bem montada e que mesmo que os pequenos mistérios abordados na trama não tenham a grandiosidade esperada coerente com a fama do personagem título, despertam a atenção do espectador e reservam algumas surpresas agradáveis. O filme não possui inebriantes reviravoltas, mas delicados e necessários esclarecimentos que trabalham para a funcionalidade do todo. Marcado com boas atuações por parte de todo o elenco (ainda que personagens familiares como Dr. Watson e o irmão de Sherlock Holmes sejam apenas citados na trama), a trilha sonora sensível enriquece outros departamentos técnicos como de arte, que faz uma reconstituição de época precisa nos detalhes, ou de fotografia, que brinda o espectador com belas imagens ao longo da produção. Uma curiosidade: o ator Nicholas Rowe, que interpretou o Sherlock Holmes ainda na juventude no filme “O Enigma da Pirâmide”, de 1985, faz uma inesperada aparição na tela como o personagem Sherlock Holmes em uma transposição cinematográfica de um dos livros de Watson ao qual o ator Ian McKellen vai conferir numa certa passagem do filme. Por fim, “Sr. Holmes” não é necessariamente um longa-metragem que busca entregar ao espectador um quebra-cabeça ou um enigma desafiador aos sentidos sobre misteriosos assassinatos. É mais um drama sobre o necessário aprendizado do envelhecimento, a reciclagem das experiências de vida em benefício dos mais jovens e do quão importante que podem ser as abelhas em nossas vidas.

Nota:  8/10
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