Com
uma narrativa basicamente fragmentada, o diretor do excelente “Swingers” consegue um resultado bem
bacana mostrando a força do cinema independente no fim da década de 90 através
de “Vamos Nessa!” (Go, 1999), que
retrata uma noitada insana de jovens em meio a circunstâncias desesperadas. O
filme remete a lembrança do fenômeno do cinema underground chamado “Pulp Fiction”,
de Quentin Tarantino, ou do filme “Short
Cuts”, de Robert Altman, porém menos sanguinolento do que o trabalho de
Tarantino, e mais simplista que do que a fita de Altman, mas inegavelmente
divertido em todos os sentidos.
A
trama narra um dia e uma noite de um grupo de personagens as vésperas do Natal,
visto sob três diferentes perspectivas: a de Ronna (Sarah Poley), uma caixa de
supermercado falida e desesperada por dinheiro, e Claire (Katie Holmes)
disposta a qualquer negócio para sair da rotina; a de Simon (Desmond Askew), um
inglês distante de casa, desesperado por diversão que segue rumo a Las Vegas
com seus amigos de Los Angeles e somente encontram confusão; e Adam e Zack
(Scott Wolf e Jay Mohr) uma dupla de atores de TV, que em busca de diversão, se
metem numa ação policial confusa e recebem de um policial estranho uma proposta
mais estranha ainda.
Vamos
Nessa! é um exemplar de fita que mesmo não apresentando nada de extraordinário,
diverte, tanto pelos personagens malucos quanto pela história em si, isso por
conta dos diálogos ágeis das situações absurdas as quais esses personagens se
envolvem. Drogas alucinógenas, sexo casual, música eletrônica são elementos imprescindíveis
dentro da trama, e não são meros artigos de decoração, e sim fazem parte das
adversidades comuns as quais os jovens se esbarram numa noitada feito a desses
personagens, se fazendo mais do que necessária como uma justa ambientação. A
forma com que foi montada – de forma fragmentada – é somente um dos atrativos
que essa produção nos presenteia. A trilha sonora é igualmente brilhante e
antenada com a proposta dessa produção.
A
forma como o roteiro de John August se desenvolve e brinca com os personagens –
como no caso de Scott Wolf, deixando claro que sua interpretação está ligada ao
personagem da extinta série “O Quinteto”, é uma das passagens inspiradas de seu
roteiro; ou quando os atores, numa conversa casual, se queixam da tietagem resultante
de seu trabalho na TV. Claire, uma das personagens mais legais dessa produção, dá
um show que a torna relevante não tanto na trama, mas no balanço das interpretações
divertidas de “Vamos Nessa!”.
Por
fim, “Vamos Nessa!” é como uma tradicional balada. Trata-se de uma rotina que
algumas vezes muda, aqui ou ali. Em geral é sempre a mesma coisa, e mesmo que
funcione para passar o tempo de maneira divertida, não vai mudar sua vida.
Nota: 7/10


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