quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Crítica: 007 – Operação Skyfall | Um Filme de Sam Mendes (2012)


Devo admitir e enfatizar que o que escrevo aqui não se trata de uma crítica propriamente dita. Particularmente acho a palavra crítica, uma definição ligeiramente negativa para definir minhas impressões quanto ao filme referido, e por essa razão, aprecio a ideia de estar apenas escrevendo minha opinião. Boa ou ruim, apenas minha reles opinião. A meu ver, a palavra crítica somente se aplicaria a esse filme caso ele não atendesse as minhas expectativas primárias as quais cozinho há meses, e que na verdade foram atendidas prontamente deixando-me satisfeito logo de início, antes mesmo da aparição dos créditos iniciais que surgiam ao som de Adele. Portanto, o filme 007 – Operação Skyfall (Skyfall, 2012), demostra pontualmente que “Cassino Royale não foi um golpe de sorte, e que a desandada de “Quantum of Solace” não seria algo crescente acabando com a iniciativa de reciclar essa cinessérie que com esse longa completa 50 anos e o 23º filme realizado. Certamente que esse longa pode ser considerado um dos melhores filmes da franquia, e senão pelo menos o melhor da trilogia protagonizada por Daniel Craig. 

Na trama de “007 – Operação Skyfall”, a lealdade do agente James Bond (Daniel Craig) a sua chefe M (Judy Dench) é testada intensamente quando seu passado começa ser uma ameaça à estrutura do MI6 que está sob ataques de um terrorista desconhecido. Tudo leva a crer que o roubo de uma lista de nomes de agentes espalhados pelo mundo foi realizado como ato de vingança direta a M. Logo na introdução podemos ver Bond sendo dado por perdido depois de uma missão mal sucedida e em seguida ressurgindo dos mortos para ajudar a desvendar e destruir a ameaça personificada por um ex-agente do MI6, chamado Silva (Javier Bardem) o qual nutre um ódio descomunal pela sua ex-chefe M, e que por esse motivo não medirá esforços para executar sua vingança. 

Retornando à forma clássica da franquia, a trama cria constantes contrastes focados na trajetória do personagem e da série, porém ainda através de uma sutileza referencial que funciona inclusive como uma bem vinda homenagem. Pois já temos o “Martini” do gosto de Bond definido, o clássico “Aston Martin” obtido através de uma partida de pôquer rodando a pleno vapor e repleto de acessórios, a inserção do Q (Ben Whishaw) na rotina do espião, como também já lhe foi apresentado outra personagem de recepção icônica nas missões de Bond, entre muitas outras referências e homenagens distribuídas ao longo dos 146 minutos de duração desse longa.

A constante variação aplicada a essa produção onde o velho e o inovador se misturam eleva o status da franquia a outros patamares. Enquanto “Cassino Royale” remetia totalmente as origens do personagem, “Skyfall” mescla magistralmente vários elementos do passado com o futuro do agente. James Bond tem sentido o peso da idade naturalmente. E se seus métodos arcaicos que sempre funcionaram bem para resolver os problemas acabam por se tornar ultrapassados numa era onde computadores definem os resultados, ele batalha para se manter necessário e relevante para o MI6. E se o confronto do futuro com o passado funciona de forma narrativa, certamente é devido ao roteiro de Neal Purvis, Robert Wade, John Logan que fazem bom uso desse princípio – sem exageros ou floreios desnecessários. 

Mas a escolha da direção se fez fundamental para o crescimento dessa trama. Sam Mendes, famoso por ser um cineasta autoral foi uma escolha primordial para o bem sucedimento da missão, cuja a produtora Barbara Broccolli sempre procura diretores capazes de conduzir o espetáculo, desde que se mantenham certos critérios narrativos intocáveis que zelam pela integridade do formato. Por isso as cenas de ação não vieram com nada de novo, mas com o mesmo padrão de qualidade que a franquia ostenta veemente. Coube assim a Mendes apenas dar a fluência que a trama necessita, delineando todas as nuances que o roteiro requeria através dos dramas pessoais dos personagens envolvidos. E se em algum momento crítico esse filme não se firme como fluente, o mesmo não pode se cogitar quanto a engraçado, pois a várias tiradas de humor distribuídas ao longo da ação fazem desse longa um programa extremamente divertido, pelo humor inteligente que faz bom uso da ironia e do sarcasmo do agente especial mais famoso da história do cinema. 

Contudo, nem o mais habilidoso dos habilidosos heróis consegue sustentar uma trama bem composta, se não tiver um antagonista à altura. E é nesse quesito que mora a maior qualidade dessa produção, pois Javier Bardem se apresenta como um dos mais interessantes vilões ao qual James Bond se confrontou ao decorrer da franquia, mesmo com a pouca exposição de tela ao qual foi submetido, marca uma presença gratificante. Não é a toa que a trama remeta após certos eventos a lembrança de “Batman – O Cavaleiro das Trevas” detentora também de outro vilão impactante, esse interpretado por Headger Lether no papel de Coringa. Particularmente a ausência desse elemento de força foi menosprezada na trama do filme anterior, levando o filme “Quantum of Solace” a cometer um de seus maiores equívocos.

Mas Javier Bardem compõe um vilão que pela lógica é o oposto do herói. Em vários momentos da trama o roteiro exibe indícios dos opostos, e de como há um confronto ideológico no qual eles se afirmam como detentores da razão, que no caso de Bardem, serve como justificativa para cometer atos de terrorismo motivados por vingança. Talvez um dos melhores momentos da dupla, que esbanja esmero na interpretação de seus personagens. Com um desfecho que explica a razão do título e põe mais lenha na fogueira sobre o duelo de seus protagonistas, e passamos a ficar um pouco mais familiarizados com a história da origem do agente James Bond pouco explorada apesar de ter sido antes mencionada em breves momentos de sua trajetória cinematográfica. 

Por fim, “007 – Operação Skyfall” ressuscita com intensidade algo que supostamente poderia ter feito o cair na mesmice e consequentemente no esquecimento há muitos anos atrás, se não fosse aplicada essa narrativa de auto-homenagem que se reinventa e que tem rendido momentos inspiradores. Como o próprio Daniel Craig afirma numa certa cena do filme, onde ele passa por uma avaliação psicológica nas dependências da agência de espionagem para ser reintegrado ao seu antigo posto após ter sido dado como morto, por enquanto ressurreição é para ele apenas um hobby. Mal posso esperar quando ele levar a sério mesmo esse hobby. 

Nota: 9/10
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2 comentários:

  1. Olá, Marcelo. Excelente texto, amigo. Vi outro aqui, mas o seu é diferenciado. Bem escrito e bem detalhado. Um riqueza, só. Irei ver com meu pai, ele tá 84 anos e fã desse carinha. Valeu. Um abraço...

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    1. Obrigado Maxwell. Tento fazer o melhor sem deixar escapar spoilers que poderiam estragar seu programa. Mas as vezes ainda acontece. Mais uma vez, obrigado.

      abraço

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